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Capa do romance Perto demais

Perto demais

Liam e Alana, amigos de infância inseparáveis e namorados exemplares, iniciam uma nova fase ao morar em uma república universitária. No entanto, a convivência em grupo traz desafios inesperados. Eles dividem o teto com a animada Lucy e o enigmático Harry, cujo olhar intenso afeta Alana profundamente. Enquanto isso, a reservada Charlotte guarda mistérios que despertam a curiosidade de Liam. Em meio a novas conexões, a estabilidade do casal é testada.
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Capítulo 2

Alana e eu finalmente estamos chegando próximos da casa onde pretendemos morar pelos próximos cinco anos ou até completarmos nossos cursos na faculdade. Por sorte conseguimos um lugar bem próximo ao campus principal, que é onde teremos a maior parte das aulas.

A viagem foi longa, mas não tão cansativa quanto poderia ter sido. Nós dois revezamos a direção e paramos apenas uma vez para fazer um lanche rápido e usar o banheiro.

Não foi fácil conversar sobre o que estamos deixando para trás. Algumas lágrimas escaparam, mas esperamos tanto por esse dia que não faz sentido ficarmos tristes. Depois disso conseguimos aproveitar a viagem e as diferentes paisagens pelo caminho.

Lala ama cantar e eu sou apaixonado por sua voz, então boa parte do tempo passou com ela acompanhando o rádio enquanto eu tentava acompanhá-la sem destruir a música.

− Devagar Li, aqui no GPS, diz que faltam apenas algumas quadras.

− Ainda bem! Não aguentava mais essa voz irritante.

− Espero que esteja falando do GPS.

− Com certeza. Você sabe que eu amo sua voz, certo? Quantas vezes eu preciso dizer que...

− Que eu deveria tentar fazer disso algo maior. Eu sei. Eu sei, mas não vou perder meu tempo só para vender 2 CD's. Sabe muito bem que só você e a mamãe comprariam.

− Tudo bem, eu rendo por hoje.

Realmente paro de falar, mas é para observá-la. Alana nunca soube lidar com elogios sem ficar corada e um pouco irritada. É como se ela achasse que não merecesse. E ela é boa em tantas coisas! De cantar a jogar futebol, além de ser incrível com os irmãos mais novos. Com o tempo eu aprendi a não forçar isso, mas sempre sou honesto com as coisas que aprecio nela.

− Pare de me encarar, não chegamos até aqui para você causar um acidente.

− Tudo bem! − Volto a focar em onde estamos e sorrio. − Ali? É aquela casa azul. Chegamos sãos e salvos, amor!

Alana havia ligado para avisar que estávamos chegando, então assim que estacionei em frente à casa foi possível ver que Harry e Crarlotte nos esperavam sentados na varanda.

Okay, o cacheado é realmente bonito e deve ser tão alto quanto eu. Não ajuda que o cara tem várias tatuagens e um sorriso fácil, talvez eu precise levar a proximidade dele com a Alana um pouco mais a sério.

− Lucy, eles chegaram! Pare de enrolar e desça para ajudar! − Disse Charlotte, parando próximo à porta de entrada para chamar a outra garota, antes de vir ao nosso encontro no carro.

− Uh? Olá!

Harry se aproximou do carro enquanto Alana e eu estávamos saindo, trocando cumprimentos rápidos e um pouco desajeitados.

− Vocês não se importam mesmo de nos ajudar? Tem coisas bem pesadas aqui. – Observei Louis falando diretamente para o cacheado.

− Amor, você pode deixar que eu levo as coisas maiores, apenas carregue o que for mais fácil de quebrar, certo? − Digo não querendo que ela se canse ainda mais.

− Eu ajudo ela, Liam. Você e a Charlie podem ir subindo com aquelas maiores. Lucy também deveria estar aqui, mas aquela bunda irlandesa só vai sair de frente da TV quando não houver mais nada fora do lugar, então...

Apenas acenei e deixei os dois com as coisas do interior do carro, chegando até o porta-malas onde Charlotte me esperava.

− Bem-vindos, de verdade, cara! Não se preocupe, logo vocês estarão acostumados com o funcionamento das coisas por aqui. – A morena falou realmente empolgada e eu perdi alguns segundos admirando como seus olhos castanhos-claro brilhavam com isso. – Uh... Como foi a viagem?

− Ah... Longa? Nós tivemos tempo para sorrir, chorar e por fim aceitar que não teria mais volta.

Tiramos as caixas maiores e eu lhe entreguei as mais leves, depois ela nos guiou para o interior da casa, que parece bem maior do que nas fotos que eles nos mandaram.

− O drama clássico do primeiro ano. Espere quando chegar o final do ano letivo e precisar passar alguns meses em casa com a família durante as férias. Vai sentir falta da liberdade que tem aqui e começar a contar os dias para voltar.

Foi um pouco difícil subir as escadas carregando aquilo tudo. Claramente Charlotte estava fazendo o possível para me deixar à vontade, mas alguma coisa no modo como ela fala me diz que não é algo que ela faz com frequência.

− Não acho. – Consegui voltar a falar depois de vencer os últimos degraus. – Somos muito ligados às nossas famílias.

− Uhum. Aqui! Esse é um dos quartos, não sei quem ficará com qual. E continuanso, eu também amo minha família, cara! Sinto muita falta das minhas irmãs, porém é bom ter um lugar só meu, poder escutar apenas meus pensamentos.

− Entendo, eu acho? Pode deixar tudo aqui, depois nós dividimos.

Largamos tudo em um canto do quarto, que é apenas um pouco menor que o meu na casa de meus pais, antes de descansar por um momento para voltar e trazer o restante das coisas.

Quando escuto uma risada baixa, encaro Charlie sem entender o que eu deixei passar.

− Não acredito! Vocês são um daqueles casais...

− Como assim "um daqueles casais"?

− Desses que um responde pelo outro, sabe? Do tipo "só vou se você for" e completando as frases um do outro. Não que eu ache ruim, só é difícil de ver isso na vida real, para mim isso era coisa de filmes.

Oh, eu entendi. Resolvo mexer um pouco com ela e a encaro com um olhar sério, até que começo a rir com sua expressão de quem acha que falou demais.

− Sem problemas, Charlie. Normalmente causamos esse efeito. Olha, é um hábito, nem nos... nem me dou conta. Namoro com ela há um bom tempo e já éramos amigos desde sempre, sabe?

− Ah, acho que faz sentido. Nunca tive um namorado por mais do que alguns meses, não saberia dizer como é, certo?

− Claro. Minha mãe e a da Lala foram juntas para a faculdade e depois de se formarem seguiram sendo vizinhas. Vivíamos um na casa do outro, na verdade ninguém sabe ao certo quando pulamos da amizade para outro nível.

- Eu sei exatamente, Liam Pedroth e você também!

Alana e Harry finalmente chegaram ao quarto, com quase tudo que ficaram encarregados, interrompendo a conversa.

− Eles não querem os detalhes, Lala! – Tento soar sério, mas me distraio com seu ar de falsa mágoa e me aproximo para roubar um beijo rápido.

− Bem! Acho que podemos terminar rápido e esperar a transportadora com tudo meio organizado, certo? − Concordamos com Harry e as duplas seguiram com suas tarefas.

Quando finalmente terminamos, tudo o que eu queria era um bom banho e me jogar em um sofá ou na cama. Deixar para amanhã a preocupação com tudo que ainda falta ser organizado até a próxima semana, quando as aulas começarem de verdade.

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