
Perfeitamente quebrados
Capítulo 3
Eu não consegui prestar atenção na aula quando Stephenie ficava o tempo todo chamando Paul para perguntar alguma coisa. A garota tinha acabado de chegar, mas já estava me irritando.
Quando a aula termina, eu arrumo os meus livros e caminho até o lugar de Paul para que aquela piranha saiba que ele tem namorada. Eu posso ser muito doida se me provocarem.
— Estou esperando você, meu amor! — Digo para Paul, que vira e olha para mim.
— Claro! — Ele pega sua mochila e levanta. — Nos vemos amanhã, Stephenie! — Ele sorri para ela e me leva para fora do colégio.
Eu olho para ele quando saímos. Ele está sorrindo por algum motivo. Me aproximo e entrelaço as nossas mãos. Ele olha para mim automaticamente.
— Lembra quando disse que teria sempre tempo para mim? — Pergunto.
— Claro. Foi há horas atrás. — Ele abre a porta do seu carro.
— Eu preciso de ajuda, Paul.
— Em que posso ajudar?
— Bem, você é um dos melhores alunos da turma e eu preciso de explicações de algumas matérias. Você pode me ajudar?
— Jole, eu posso sim, mas você vai ter de dividir com Stephenie. Ela também pediu explicações. — Ele diz. O quê?
— E você vai preferir ela ou eu? — Pergunto deixando a porta do carro aberta.
— Calma, Jole! Posso ajudar as duas.
— Porquê você não disse para pedir ajuda na Blaire ou no Shane? Eles são os melhores!
— Shane não está com disposição para essas coisas, você sabe que ele ainda está apaixonado por Blaire.
— E Blaire?
— Entra no carro, Jole, por favor! Eu não quero estragar a nossa tarde.
Olho para ele e entro. Ele fecha a porta e dá a volta para entrar também. Olho para o vidro do carro e vejo Stephenie andando perdida. Vadia!
— Aonde a gente vai, Paul? — Pergunto.
— Aonde você quiser. — Ele suspira. — Não fica com ciúmes de Stephenie. Eu gosto de você!
— Eu não estou com ciúmes! — Digo.
— Então, onde você quer ir? Podemos comer alguma coisa se quiser.
— Claro. — Sorrio e coloco a minha mão na sua perna. Ele também sorri e continua dirigindo.
Fico no meu quarto olhando para as paredes. Tenho exame amanhã, mas não consigo estudar. Estou chovendo de notas ruins e se meus pais descobrem, eles acabam comigo. Mas eu posso tentar. O problema é que não tenho vontade.
Pego no meu celular e ligo para Paul. Ele atende no segundo toque.
— Jole?
— O que você está fazendo? — Pergunto.
— Estudando mais um pouco. Você lembra que temos um exame amanhã?
— Claro que eu sei! — Brinco com o meu cabelo.
— Você não está estudando?
— Eu tenho saudades de você! — Digo. Ele ri.
— Eu também tenho saudades de você, mas agora eu preciso estudar. Você devia fazer o mesmo.
— Aí, meu namorado é tão chato! — Digo. — Tudo bem. Eu vou estudar e amanhã a gente conversa.
— Isso mesmo. Lembra que as notas podem nos levar para as melhores universidades.
— Sei, sei. Adeus.
— Adeus! — Desligo.
Pego nos meus apontamentos e no meu livro e tento estudar a noite inteira. Simplesmente porque não tenho mais nada para fazer.
Mais um dia e pela primeira vez em algum tempo, estou pronta para fazer o exame. Fiquei a noite toda estudando e percebi que não sou tão idiota assim.
Entro na sala de aulas e vejo meu Paul e aquela piranha loira rindo bastante. Ela fica tocando nele o tempo todo, mas ele não se importa e isso me irrita.
Sento no meu lugar para não cometer uma loucura. — Porquê ela não deixa Paul em paz? — Pergunto.
— Porque ela está interessada. — Sophie responde. — Eu faria o mesmo com Bratt, mesmo que ele tivesse namorada.
— Você pode esquecer Bratt por um segundo, Sophie? — Olho para ela.
— Não. Eu não posso, não quero e não consigo. — Ele mexe no celular. — Estou vendo as fotos dele agora. — Suspira. — Se isso é uma doença, não quero a cura.
— Você é louca! — Digo e olho para Paul novamente. Ele continua sorrindo com Stephenie. Ela olha para mim e se aproxima mais de Paul como se estivesse marcando o território.
Eu ignoro e me controlo. Ela só quer me provocar para estragar as coisas com Paul. Eu não posso cair nessa.
Ela toca no braço dele e finge que é por distração. Ou Paul não está ligando, ou acha que não há nada errado ou está gostando.
Eu me controlo. Ela não vai conseguir o que quer. Paul gosta de mim, não dela. Eu não preciso me preocupar com isso.
Ela toca no cabelo dele e meu sangue começa a ferver de raiva. Agora chega!
Eu levanto e caminho no lugar deles. Paul deixa de sorrir quando me vê, mas a vadia continua sorrindo. Eu quero arrancar o cabelo dela.
— O que está acontecendo aqui? — Eu olho para eles.
— A gente está apenas conversando. Eu sou nova e Paul é o único que eu conheço aqui. — Stephenie diz. Ela finge inocência. Que vadia!
Reviro os olhos. — Não falei com você!
— Jole, calma! — Paul levanta e me leva para fora da sala de aulas.
Olho para ele enquanto saímos e caminhamos para outro lugar. Ele me leva para o armário de limpezas e fecha a porta. Eu continuo encarando ele com raiva.
— Você gosta dela? — Pergunto.
Ele morde o lábio. — Não. Eu sou seu namorado e gosto de você. Entende? Você não precisa ficar com ciúmes de ninguém. Stephenie pode ser bonita, inteligente e carismática, mas eu só tenho olhos para você.
— Não precisava descrever ela desse jeito. — Olho para o chão.
— Você também é linda, Jole! Você ganhou o ano passado, o título de miss carisma. Você é inteligente também, mas duvida de si mesma.
— Você acha? — Pergunto pronta para ouvir mais elogios, mas ele me beija.
Ficamos contra a parede nos beijando intensamente e eu não tenho vontade de largar ele. Poderia ficar aqui sem fazer o exame.
Cada vez que sua boca me enlouquece, me faz esquecer tudo o que aconteceu. A gente vai ficar bem. Nós três vamos ficar bem. Stephenie não vai nos separar.
— Só quero você, minha flor! — Ele sussurra no meu ouvido.
— Então não deixe ela ficar muito perto de você. Eu não gosto de ver você rindo com ela. — Olho para ele. — Ela estava tocando você como se fosse sua namorada e eu não quero isso. Eu não quero que ela se aproveite. Faça alguma coisa, Paul. — Passo a mão pelo seu peito.
— Eu vou ver o que posso fazer! — Ele me abraça. — Você está bem agora?
— Sim. Agora eu estou.
Ele segura a minha mão e me leva para a sala de aulas. As pessoas ficam olhando, mas eu não quero saber. Podem olhar à vontade. Não vai mudar nada entre mim e Paul.
Sento no meu lugar e fico meditando antes do exame. Paul não conversa com Stephenie, e o professor finalmente chega. Tenho a certeza que não será difícil porque estudei bastante.
Fico parada no carro de Paul esperando. O exame correu bem e eu estou feliz que as coisas estejam dando certo. Eu só tinha que esperar mais algum tempo para descobrir sobre o teste de gravidez.
Bratt se aproxima de mim e se apoia no carro de Paul. — Você tem consulta com o psicólogo hoje, Jole! — Ele diz.
— Não. Eu já disse que não vou fazer isso novamente. Já estou bem.
— Jole! Isso é para o seu bem. Eu sei que parece bem, mas não está. — Ele diz.
— Eu vou sair com Paul agora. Depois a gente se vê.
— Você não pode brincar com a sua saúde desse jeito, Jolene. Oiça o que eu digo pelo menos uma vez! — Ele fica na minha frente. Atrás dele, Paul está vindo com a testa franzida.
— Alguma coisa? — Ele pergunta.
— Não. Está tudo bem. Eu tinha que fazer algumas coisas para Bratt, mas estou saindo com você. A gente vai fazer noutro dia. — Digo.
— O seu namorado ainda não sabe? — Bratt pergunta. Eu vou matar ele!
— Saber o quê? — Paul pergunta para Bratt.
— Pergunta para Jolene. Ela vai explicar melhor.
Bratt se afasta e Paul se coloca na minha frente. Quando Liam perguntou se eu seria capaz de contar toda a verdade para Paul, eu disse que sim, mas agora eu não consigo. Agora eu tenho medo e preciso encontrar uma desculpa para sair dessa situação.
— Do que Bratt está falando, Jolene? — Ele pergunta com a testa franzida.
— Não liga! Vamos embora!
— Você pode me dizer aqui e agora! — Ele cruza os braços.
— Não quero que seja aqui.
— Jole! — Ele diz.
— Por favor! — Imploro.
— Está bem. — Ele abre a porta do carro para eu entrar e entra em seguida. Ele liga o motor e começa a conduzir.
Entramos num apartamento e Paul fecha a porta. Ainda estou processando o que vou dizer para ele. Se eu disser a verdade como ele vai olhar para mim?
— Não sabia que você tinha um apartamento. — Falo.
— Não tenho. Esse é do meu irmão. Ele está em Londres e pediu que eu cuidasse dele.
— Entendo. — Eu sento no sofá.
— Agora podemos conversar? — Ele pergunta também sentando no sofá.
— Tudo bem. — Suspiro. — Eu faço parte das garotas que Lambert usou. Feliz? — Vou direito ao assunto.
Ele se afasta um pouco. Eu contei meia verdade. Ele me olha de um jeito estranho e eu acho que sei porquê.
— Não olhe assim para mim. — Digo. — Eu fui enganada! Foi tudo um acidente. Fui ingénua e não pensei.
— Espera! Você já transou com Liam? — Ele pergunta horrorizado.
— Você vai terminar comigo se eu disser que sim? — Pergunto.
— Não!
— Paul, se você está bravo comigo por causa disso...
— Não estou. Só não entendo como você pode suportar ele. Agora vocês são amigos. Como você consegue ser amigo de alguém que usou você? — Ele levanta.
— Eu perdoei.
— Jole, você acha que ele ainda não esqueceu você?
— Ele nunca foi apaixonado por mim. E agora ele ama Blaire.
— Como você sabe?
— Eu vejo. E também sei dessas coisas.
Ele fica em silêncio de costas para mim. Minhas lágrimas começam a cair. Ele não sabe nem metade da história e me trata desse jeito, imagina se souber tudo?
Eu levanto. — Eu sabia que você... — Limpo minhas lágrimas. — Eu estou indo embora.
Eu caminho até a porta, mas ele agarra o meu braço. Eu olho para seus olhos azuis e ele limpa as lágrimas no meu rosto carinhosamente com suas mãos.
— Você pensa que eu vou terminar com você ou deixar de gostar de você só porque foi ex de Lambert? Então você não me conhece, flor! — Ele me abraça.
— Eu pensei que sim, por isso não falei nada. — Digo.
— Vamos esquecer isso. Vamos esquecer o passado. Eu só quero ficar com você numa boa. — Sussurra.
— Eu também, Paul. — Beijo ele e minhas mãos vão para os seus cabelos loiros. Não deixa dúvida nenhuma sobre o que sente por mim nesse beijo. E isso me faz feliz.
Acordo nos braços de Paul e abraço seu corpo. Ele está sem roupas, mas eu estou usando uma camiseta dele. Fizemos muita coisa durante a tarde. E uma delas foi ver filmes de ação. Era capaz de me acostumar com isso.
— Acorda, Paul! — Chamo ele.
— O que foi agora? — Ele pergunta e se senta na cama.
— Você está bem com o que eu tinha dito há minutos atrás?
— Claro que sim. — Ele me beija. — Já resolvemos isso. — Seu rosto sonolento me faz sorrir. Ele é tão lindo!
— Ainda bem. — Sorrio.
— Você quer ir já para casa? — Pergunta. — Já são seis horas. — Ele levanta e veste sua cueca boxer.
— É uma pena que eu não posso dormir aqui com você. — Também levanto e coloco meus braços ao redor do seu pescoço.
— Eu também lamento. — Ele me beija.
A campainha toca e Paul franze a testa. — Quem será?
Ele sai do quarto e eu o sigo. Paul abre a porta e eu vejo uma garota bonita de cabelos castanhos com um vestido justo. Ela olha para mim e depois abraça Paul carinhosamente.
Meus ciúmes aparecem automaticamente quando vejo Paul respondendo o abraço. E eu quero muito saber o que se passa aqui.
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