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Capa do romance Per Sempre Noi – Amor Além do Contrato 🔥 Série: Bella Mia

Per Sempre Noi – Amor Além do Contrato 🔥 Série: Bella Mia

Em Positano, Giovanni Marzano contrata a misteriosa Elena para uma farsa de uma semana, mas o desejo ignora o acordo inicial. Enquanto isso, Luana Ramírez desafia o arrogante advogado Octavio Rinaldi em um embate profissional que logo se torna uma atração proibida e perigosa. Entre contratos forjados e segredos de luxo, esses dois casais enfrentam tensões irresistíveis onde a paixão pode ser a única redenção ou a ruína total diante de verdades ocultas.
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Capítulo 3

Capítulo 3 

Elena Ricci 

Acordei suada, molhada e com os mamilos enrijecidos, um sonho que tinha ido muito além do que acontecera naquela noite na boate. Eu estava ficando louca, sonhar com Giovanni realizando algo que jamais aconteceria. Aquela noite nem um beijo aconteceu e eu sinceramente não queria me envolver com um homem como ele.  

Aquele meu trabalho na boate era algo temporário e eu não queria me envolver com alguém que eu veria em outras situações, quando fosse dia. 

Me levantei apressada, meu carro estava quebrado e eu tinha que correr, pois dependia da carona de Luana para ir ao trabalho, visto que sua mãe se ofereceu a me ajudar. 

Me preparei rapidamente, nem enxuguei os cabelos e já estava recebendo uma mensagem de minha amiga avisando que em um minuto estaria ali. 

Peguei minha bolsa apressadamente e todo o conteúdo caiu antes que eu abrisse a porta. Colocando tudo na bolsa, me peguei segurando o cartão de Giovanni em minha mão e o seu recado na mente, ele queria falar comigo. Era este o objetivo dele, quando enviara aquele cartão para mim. 

Ignorei o pensamento, ajeitei tudo na bolsa e sai de casa, trancando a chave e saindo devagar para não acordar o porteiro. Mas foi em vão, pois quando tentei abrir a porta sem fazer barulho fui interrompida. 

— Senhorita Ricci, bom dia. Eu tenho um recado do proprietário, ele disse que recebeu um dos aluguéis atrasados, mas ele disse que te dará apenas duas semanas para pagar os outros três meses atrasados, antes dele emitir uma ordem de despejo. 

Meu rosto esquentou de vergonha, segurei o choro e dei um sorriso fraco. 

— Bom dia, obrigada por me avisar, vou resolver isto em tempo, por favor avise-o. 

— Farei isto, sinto muito Senhorita. — Ele acenou enquanto eu saia. 

O carro de Maria estava parado e logo Luana abriu a porta para mim dando um grande sorriso. 

— Bom dia, obrigada por passarem aqui. — Comentei  

— Imagina, querida. Temos que nos ajudar neste País, juntas vamos conseguir. — Maria sorriu. 

— Relaxa, Elena. Mamãe te adora, quem não gosta de você? 

Ela provocou com um grande sorriso. 

— A nossa gerente Ava é uma destas... — Brinquei. 

— Ava é uma cobra maldosa com todos, não somente com você. Um dia vamos nos ver livre dela, acredite. 

Sorri de sua fala, apesar de toda a dificuldade e as escolhas da vida, Luana era maravilhosa, sensível, com um grande coração e sempre positiva. 

— Espero que sim. 

— Como está sua irmã, querida? — Maria perguntou dando uma olhada no retrovisor. 

— Arrasada como sempre, mas tenho fé que ela vai superar. Estou fazendo de tudo para ajudá-la. 

— Ainda fico sem entender como a família do finado marido dela pode ser tão cruel em não ajudar ela e a menina. — Maria falou com a voz chorosa. 

Eu entendia, aquele assunto doía em todos que conhecia a história.  

— Sim, eles foram cruéis, mas preferimos deixar para lá. Melhor assim do que eles tentarem tomar Sofia da minha irmã, ela não suportaria. — Confessei. 

— Um dia vocês vão vencer, querida. Um dia a felicidade vai chegar e permanecer. — Ela disse enquanto estacionava. 

Sorri querendo acreditar naquele doce sonho, mas eu sabia muito bem que não era fácil ter esperança quando tudo era desilusão e dor. 

Descemos do carro e agradeci mais uma vez, enquanto Maria falava com sua filha eu segui para dentro da cafeteria, eram 5:30 da manhã e as 6 começaríamos a servir. Tudo o que eu precisava era começar o dia de trabalho e me dedicar à exaustão para não pensar no que estava por vir. Aquela noite eu não tinha escolhas, a boate abriria e eu deveria estar ali, caso contrário perderia a vaga para outra.  

Não poderia me apegar ao meu orgulho e à minha dignidade à custa do sofrimento e da humilhação da minha irmã e da minha sobrinha. Se alguém tivesse que carregar esse fardo, que fosse eu.

Giovanni Marzano 

As fotos espalhadas sobre a minha mesa não deixavam espaço para dúvidas: era ela, Elena Ricci. Diversas informações sobre sua vida estavam organizadas em folhas e mais folhas à minha frente.

No entanto, a ausência de qualquer detalhe sobre sua infância me intrigava profundamente. Era como se uma parte essencial de sua história tivesse sido apagada ou escondida. Ainda assim, o que eu já tinha em mãos era o suficiente para seguir com o plano, mesmo que eu soubesse que minha decisão poderia não gerar o resultado que eu desejava. Pelo menos, teria feito o que julgava ser justo.

Dei um gole no uísque e chequei o relógio. O encontro não demoraria a acontecer.

O som firme de uma batida na porta me tirou dos meus pensamentos. Organizei os papéis rapidamente e autorizei a entrada. Octavio surgiu na sala, carregando uma pasta em mãos. Dentro dela, estava o que eu vinha esperando.

— Finalmente. — Sorri, estendendo a mão para pegar a pasta que ele me entregou.

— Giovanni, você está ficando louco. Você nem a conhece... — disse ele, tentando me fazer reconsiderar.

— Sei o bastante para saber que ela é perfeita. — Respondi, gesticulando para que ele se sentasse, enquanto começava a passar os olhos pelos documentos que havia pedido que ele redigisse.

— Tudo bem, você pode até ter alguma razão, mas nada te garante qual será a reação dela. E, sinceramente, isso pode acabar trazendo mais confusão do que soluções.

— Algum dia eu mudei de ideia com os seus conselhos vazios? — retruquei, sem desviar os olhos do texto à minha frente. — Todos os riscos que corri me fizeram quem sou e me levaram a vencer tudo o que venci até agora.

— Tudo bem, não vou insistir. Mas te dou um conselho: não misture negócios com sexo.

Não respondi. Ele sabia que eu não devia satisfações, muito menos sobre como agiria daquele momento em diante. Era o meu jogo, minhas apostas, e eu não era o tipo de jogador que recuava por medo de perder.

— Está tudo certo. Você redigiu bem. Assim que eu resolver isso, vou te enviar. Agora vá. Tenho uma reunião em dez minutos. — Falei, de forma seca e objetiva.

Octavio sorriu. Apesar de sempre tentar conter meus impulsos com seu tom profissional de advogado, como amigo, ele sabia que era inútil. Sua única opção era trabalhar com o que eu lhe entregava.

— Boa sorte, maluco. — Ele disse, ainda sorrindo, enquanto se levantava.

Assenti levemente, observando-o sair da minha sala.

Meu celular vibrou, interrompendo meus pensamentos. Era uma mensagem que me fez ajeitar a gravata enquanto lia.

“Chefe, estou chegando. A moça está muito nervosa, afinal, não teve muita escolha.”

Sorri para mim mesmo. Provavelmente, ela estaria furiosa, e com razão. Mas essa era a única maneira de garantir que ela aceitasse me encontrar em um lugar seguro para mim: o meu escritório.

Não demorou muito até que batidas fracas ecoassem na porta. Não autorizei a entrada de imediato. Preferi caminhar até lá e abrir eu mesmo.

Elena estava ali. Seus cabelos ruivos falsos emolduravam o rosto irritado, e o olhar que me lançou poderia me fulminar se fosse possível. Ela entrou na sala equilibrando-se em saltos altíssimos e usando um vestido vulgar, mas inegavelmente sexy.

— Só estou aqui porque você pagou o mês inteiro do meu trabalho na boate, não me deixando nem mesmo a possibilidade de recusar... — disse ela, andando de um lado para o outro, como se precisasse extravasar a raiva.

Enfiei as mãos nos bolsos da calça, observando-a enquanto ela exalava sua indignação.

— Vou falar com a dona da boate para que devolva o seu dinheiro. Eu só vim aqui para te dizer pessoalmente que não vou ser sua puta por um mês inteiro. Eu estava ali apenas como stripper! Nunca fiz programa algum e não vou fazer! Tudo tem limite! — A voz dela tremia, e a raiva deu lugar a um tom quase choroso.

Senti a tensão pesar nos meus ombros e decidi intervir antes que ela se desgastasse ainda mais.

— Elena, você não será obrigada a fazer sexo comigo e nem com ninguém. Acalme-se. — Falei com tranquilidade, chamando sua atenção para mim.

Ela parou de andar e me encarou, surpresa.

— Como você sabe meu nome? — perguntou, assustada.

Ela estava realmente muito nervosa. Tínhamos nos encontrado dias atrás, em seu trabalho na cafeteria, onde seu uniforme não escondia sua identidade. Mas antes que eu pudesse responder, vi em seus olhos que a memória finalmente lhe ocorreu. Mesmo assim, a dúvida ainda permanecia.

— Deseja beber algo? — perguntei, indo até o bar e servindo um copo de uísque.

Ela continuava me olhando, dividida entre a confusão e a indignação.

— O que está pretendendo com tudo isso?

— Pretendo te explicar, mas preciso que se acalme. Teremos uma longa conversa pela frente.

Enquanto eu lhe entregava o copo, meu olhar se deteve em seu corpo. Sem graça, ela tentou se cobrir, jogando os cabelos ruivos falsos sobre o decote do microvestido.

— Tudo bem... — Ela respirou fundo e, sob meu olhar insistente, finalmente se sentou.

— Elena Ricci, descobri muito sobre você. — Minha voz foi firme, enquanto a observava atentamente.

De repente, a irritação dela deu lugar ao pânico. Seu rosto perdeu a cor.

— Eu...

— Acalme-se. Nada do que vou te dizer agora será para te prejudicar. Elena, digamos que faremos uma parceria.

— Parceria? — Ela repetiu, confusa.

Me inclinei levemente sobre a mesa, mantendo o olhar fixo no dela.

— Sim. Como eu disse, vou precisar de sua ajuda. E, em troca, vou te ajudar. Pelo que percebo, você não gosta do trabalho na boate, e eu posso pagar para que não precise voltar lá. Posso te proporcionar muito mais.

— Você disse que não deseja sexo. Que diabos de serviço eu posso fazer para justificar todo esse dinheiro que você pagou?

— Preciso que viaje comigo. Não será por muito tempo, apenas quinze dias em Capri. Pagarei tudo. Você ficará comigo na villa da minha família e nos melhores hotéis quando eu precisar me deslocar.

Ela piscou, incrédula, e balançou a cabeça.

— Isso é confuso demais.

— Você estará ao meu lado nas reuniões, jantares e negociações. Onde quer que eu precise de sua presença, você estará. Em troca, pagarei o equivalente ao que você ganha na boate e na cafeteria... por um ano completo.

Os olhos dela se arregalaram.

— Não posso abandonar o trabalho na cafeteria. Eu preciso dele para renovar...

— ...sua permissão de trabalho, o que garante ficar legalmente na Itália. — Completei antes que ela terminasse. — Vou garantir que você consiga isso sem precisar continuar naquele emprego.

— Isso é uma loucura. Você poderia fazer essa proposta a qualquer outra mulher. Por que eu?

Fiquei em silêncio por um momento. Era uma boa pergunta. De fato, eu poderia encontrar alguém que aceitasse de bom grado me acompanhar. Mas, desde a noite na boate, Elena não saía da minha mente.

— Não vou mentir. Nem eu mesmo sei te responder isso. Mas, de alguma forma, percebi que você pode me ajudar tanto quanto eu posso te ajudar. Aliás, eu já fiz muito mais do que apenas pagar pelo seu tempo na boate.

Empurrei a pasta preparada especialmente para ela. Desconfiada, suas mãos tremiam enquanto a abria. O silêncio dela era absoluto a cada página que virava, mas os olhos, marejados, denunciavam suas emoções.

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