
Pecado com o CEO- livro 1
Capítulo 2
Saí arrasada deixando a minha chave no aparador da sala. Eu era irremediavelmente apaixonada por aquele patife, sabia que seria difícil esquecê-lo. Ainda vem sendo, já se passaram seis meses, mas às vezes me pego com o pensamento nele. O fato de sua irmã ser minha melhor amiga também não ajuda muito. Rick parece fazer de tudo para estar sempre por perto e, em meio a um comentário e outro, ele traz à tona algo que fizemos juntos. Mesmo após o término, seu ciúme continua o mesmo, se algum homem tenta se aproximar, ele sempre consegue afastar o desavisado, e não adianta eu brigar ou xingar, ele simplesmente não dá a mínima. Contudo, ainda que eu nutra algum sentimento por ele, não consigo perdoá-lo. Talvez tenha herdado esse instinto de autopreservação de minha mãe, Dona Dulce, a mulher da qual me orgulho imensamente. Aos vinte anos se tornou mãe, dando à luz a mim, para quatro anos depois trazer ao mundo Beck, minha irmã. Nesse meio tempo entre nossa criação, ela concluiu sua faculdade de Direito sendo hoje promotora pública da vara de família. Claro que para tal feito ela contou com a ajuda de minha vó, uma espanhola de sangue quente, que cuidava de mim e de minha irmã enquanto nossos pais trabalhavam e estudavam. Minha mãe foi casada durante dez anos com meu pai, até que descobriu que ele a traía com uma mulher de apenas vinte anos. Meu pai implorou para que minha mãe o perdoasse, sem nenhum sucesso. Principalmente após a jovem bater na porta de nossa casa dizendo estar grávida de meu pai. Na ocasião, eu tinha apenas dez anos, mas me recordo perfeitamente de tudo. Mamãe ficou arrasada e deu entrada no divórcio. Meu pai, sabendo que daquela vez havia ido longe demais, não protelou em assinar os papéis, e se casou logo depois com Suzana, sua atual esposa. Hoje, meu irmão Andrew tem onze anos e é o xodó da casa, ele prefere ficar conosco a ficar com os pais. Certa vez até perguntou à minha mãe se poderia ser filho dela também. Mamãe ficou surpresa e emocionada, tanto ela quanto minha abuela[2] o tratavam como filho e neto, respectivamente. O que me faz admirar ainda mais Dona Dulce, ela ser desprendida de sentimentos mesquinhos. Andrew é carente, sua mãe emana pensamentos e sentimentos rasos, e o status de esposa de juiz lhe agrada o suficiente para aturar as escapadelas de meu pai, o senhor André. Meu pai é um carioca legítimo e mulherengo, mas jura que ainda é apaixonado por minha mãe, se diz arrependido até hoje por tê-la feito sofrer. Segundo ele, a única coisa boa vinda de seu erro é Andrew. E eu tenho que concordar, nós amamos aquele pestinha. Sou despertada quando ouço uma voz potente, que se assemelha a um trovão, me chamar. — Nicole? Nicole Romero? Levanto os olhos e, tenho que confessar, não estava preparada para visão à minha frente. Puta madre! Capítulo 02 Filippo Leone A Peccato vem alcançando excelentes resultados, resumidamente falando, aumentando seu patrimônio a olhos vistos. Possuímos duas lojas na Itália e estamos prestes a inaugurar mais três, tamanho o sucesso. Com isso, o trabalho vem avolumando-se, fazendo com que minha secretária — que está conosco há 10 anos, antes mesmo de eu assumir o cargo de CEO — tenha seu trabalho dobrado. Quando Sandra me sondou a respeito de contratar uma assistente como estagiária, eu aceitei prontamente sua proposta. Ela havia me dito que já tinha alguém em mente: uma jovem acadêmica em seu último ano de administração na USP. A ragazza tinha sua confiança e precisava de um estágio. Não sou adepto ao nepotismo, apesar da Peccato ser uma empresa familiar, Enrico e eu fazíamos jus à posição que ocupávamos com nosso trabalho. Contudo, sei que, além de qualificação, esse seria um cargo que exigiria confiança, se Sandra sentia-se segura para trabalhar com a indicada, que tudo se acertasse então. A entrevista fora marcada para às 09:00, todavia, a conferência acabou se estendendo, ultrapassando 45 minutos do horário esperado. Não tolero atrasos, portanto, não aprecio deixar ninguém à minha espera. Encerro a conferência e me dirijo ao hall. Vejo que Sandra não está em sua mesa, no entanto, noto que há uma mulher com longos cabelos castanhos sentada no sofá, repetindo distraidamente os mesmos movimentos com os dedos em sua pasta. Acredito ser ela a estagiária. Aproximo-me vendo seu pé direito balançar dando movimento à pequena tornozeleira dourada e sexy em seu calcanhar. — Nicole? Nicole Romero? Eu a retiro de seus devaneios e a noto surpresa, entretanto, confesso que também sou surpreendido. Porra, ela é linda! Os olhos cor de whisky combinam perfeitamente com aquele véu de ondas castanhas, assim como a pele morena clara e os lábios maravilhosamente rosados. Sua beleza é pueril e ao mesmo tempo insinuante. Ela se levanta para me cumprimentar e eu posso ter a visão de seu corpo. Agora seus cabelos parecem ainda maiores, uma vez que vão na linha de sua cintura fina. Quando li sua idade no currículo a imaginei mais jovem, mas de menina ela não tem nada! Os quadris largos e as pernas grossas estão perfeitamente delineados em sua calça preta ajustada às suas curvas provocativas. A blusa na cor azul, por ser de um tecido leve, não marca o contorno dos seios, que acredito serem de médios para grandes. Respiro fundo percebendo que será preciso de um pouco de autocontrole para conduzi-la até minha sala sem conferir se sua bunda compõe harmoniosamente a obra de arte à minha frente. Não sou do tipo de homem que não tem o domínio de suas paixões, mas ver esta mulher e não notar sua beleza é impossível. Relaxo dizendo a mim mesmo que é somente isso que esta boneca terá, meu olhar, nada além disso. Como dizia meu pai: "Dove si guadagna il pane, uno non mangia carne[3]."
Um pouco contraditório para quem fundou uma rede de confeitarias com a esposa, mas foda-se... Não sou um assediador e não é agora que me tornarei um. Percebendo meu olhar minucioso, ela cora e se apresenta. – Sim, eu mesma, Nicole Romero. Muito prazer, senhor Leone. Contorço o rosto, não me agrada ser chamado de senhor. Ainda não possuo idade para tal e não sou adepto a muita formalidade. Mantenho sua mão na minha por mais tempo do que o tolerável; ela é macia, pequena e fico imaginando toda maciez de sua pele sendo mapeada por minhas mãos. Filippo... Eu quase posso ouvir meu pai. – Apenas Filippo, Nicole. Meu tom sai um pouco mais áspero do que deveria em função de uma ponta de irritação pela atração tão manifesta, um sentimento que não cabe em hipótese alguma na situação. Recuo para que ela possa passar e quando Nicole toma a dianteira, meus olhos me traem e sou contemplado com a visão de sua bunda grande e deliciosa. Puta que o pariu! Como vou me concentrar no trabalho com esta ragazza[4] andando para cima e para baixo? A garota é baixa, o topo de sua cabeça chegando um pouco acima do meu peito, ainda que se equilibre em um salto. Tenho 1,92m de altura e calculo que ela deva ter 1,60m, no máximo. Sua estatura pequena abriga um corpo perfeito, e tenho certeza de que tudo ali é natural. Ao chegar à porta da minha sala, devidamente identificada com uma placa de metal, ela se detém, esgueirando-se para o lado para que eu possa abrir a porta. — Entre, Nicole. Nicole me olha nos olhos e passa por mim, deixando-me atordoado com o seu cheiro de morango e chantily. Ela precisava cheirar à sobremesa? — Por favor, sente–se. Peço enquanto me sento em minha cadeira. Ela se senta, e eu não tardo em desculpar-me pela demora ao recebê-la. — Nicole, primeiramente, gostaria de pedir desculpas pelo atraso de 45 minutos. Fiquei preso em uma videoconferência e só consegui encerrar há pouco. — Tudo bem, imagino que o senhor possua um horário realmente apertado com as obrigações que seu cargo exige.
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