Capa do romance Paz Depois da Dor: Meu Projeto Não Escrito

Paz Depois da Dor: Meu Projeto Não Escrito

8.3 / 10.0
Em Paz Depois da Dor: Meu Projeto Não Escrito, uma traição exposta pelo algoritmo muda tudo. Nesta romance novel de mystery, a protagonista usa provas digitais para desmascarar o noivo e a madrinha. Leia este modern novel sobre vingança e a busca por justiça na elite de São Paulo.
Resumo de Paz Depois da Dor: Meu Projeto Não Escrito
Cinco dias antes do altar, um perfil secreto revelou que meu noivo, Arthur, e minha madrinha mantinham um caso há três anos. Rotulada como vilã por seguidores iludidos e traída até por minha melhor amiga, Dalila, decidi revidar. No dia da cerimônia, em vez de dizer sim, projetei a verdade para toda a elite paulistana. Expus a crueldade de quem salvei da ruína, transformando o casamento em um palco de humilhação pública para os traidores.
Ler Mais

Paz Depois da Dor: Meu Projeto Não Escrito Capítulo 1

O algoritmo sabia que meu noivo estava me traindo antes de mim. Ele me levou, cinco dias antes do meu casamento, a uma conta secreta no Instagram. Minha madrinha de casamento estava usando meu vestido de noiva.

A conta era um santuário para o caso de três anos dela com meu noivo, Arthur.

Eles criaram uma narrativa perfeita para seus seguidores: eram almas gêmeas trágicas, e eu era a vilã fria e calculista que os mantinha separados.

Os comentários estavam cheios de ódio por mim.

Mas o golpe final foi ver que minha melhor amiga, Dalila, tinha "curtido" um comentário desejando que eu sofresse um "acidente" e quebrasse minha perna de novo.

Eu salvei a vida dele. Minha família salvou a dela da ruína. Por que essa crueldade elaborada e pública?

No dia do meu casamento, eu não apareci.

Em vez disso, enquanto a elite da sociedade paulistana assistia, os telões do salão de festas se acenderam com uma apresentação que eu preparei, expondo cada foto, cada mensagem, cada mentira.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Helena Mattos

O algoritmo sabia que meu noivo estava me traindo antes de mim. Ele me levou, cinco dias antes do meu casamento, a uma conta secreta no Instagram onde minha madrinha de casamento estava usando meu vestido de noiva, um modelo exclusivo.

O e-mail do ateliê da Wanda Borges tinha chegado naquela manhã. Uma notificação educada e formal de que a vaporização final e a entrega do meu vestido seriam adiadas em um dia. Um pequeno contratempo logístico, nada mais. Eu era arquiteta; minha vida inteira foi construída gerenciando prazos e complicações imprevistas. Apenas fiz uma anotação para ajustar a programação.

Abri as fotos do design final no meu tablet, aquelas que eu havia aprovado meses atrás. Não era apenas um vestido. Era uma estrutura, uma peça de arquitetura para o corpo. O crepe de seda caía como uma cachoeira, o corpete era uma maravilha da engenharia minimalista, e o véu, cravejado com centenas de pequenas pérolas cintilantes, foi feito para capturar a luz no Salão Nobre do Copacabana Palace como uma constelação aprisionada. A minha constelação.

Meu celular vibrou. Era uma mensagem de Dalila McKinney, minha melhor amiga, minha madrinha de casamento.

*Não vou conseguir ir na degustação, Lena. Estou péssima. Acho que é intoxicação alimentar. Você e o Arthur podem ir. Vou viver a experiência através das suas descrições extasiadas dos mini quiches! Te amo!*

Uma pontada de decepção, aguda e rápida. Digitei de volta: *Melhoras! A gente guarda um pouco de tudo pra você.*

Eu estava prestes a ligar para Arthur Ellis, meu noivo, para avisar que seríamos só nós dois, quando a ligação dele entrou.

— Lena, meu amor — a voz dele estava apressada, um som familiar quando ele estava fechando um negócio. — Surgiu uma coisa no escritório. Um cliente gigante apareceu do nada. Me desculpa, não consigo sair para a degustação.

— Ah. Tudo bem. — As palavras pareceram pequenas na minha garganta.

— Eu sei, sou o pior. Te compenso hoje à noite, prometo. E vai ser em grande estilo.

Dois cancelamentos em dez minutos. Parecia... estranho. Como uma engrenagem deslizando em uma máquina perfeitamente calibrada. Balancei a cabeça, afastando a sensação. Eu estava sendo paranoica. Era a semana do casamento. Tudo parecia amplificado, supercarregado de significado. Arthur era ambicioso, e Dalila sempre teve um estômago delicado. Era apenas uma coincidência.

Para me distrair, rolei o feed do celular, parando em um popular blog de fofocas de São Paulo. Escondida na seção de comentários de um artigo sobre o "casamento do ano" — o nosso — havia uma frase que prendeu minha atenção.

*Esqueçam a noiva. Todo mundo sabe que a verdadeira história de amor é com a madrinha. Trágico, na verdade.*

Meu polegar pairou sobre a tela. Era apenas conversa anônima da internet. Trolls. Pessoas com muito tempo livre.

Mas outro comentário respondeu ao primeiro. *Verdade. Ele só está com a herdeira por obrigação. A madrinha é a alma gêmea dele. Eu sigo o perfil fake dela, e a angústia é REAL. São amantes desafortunados.*

Perfil fake. Um Instagram falso. Meu coração deu um baque estranho e pesado. Qual era o nome da conta? Eu precisava saber. Meus dedos voaram pela tela, digitando uma resposta pela qual mais tarde eu seria grata.

*Qual é a conta? Adoro um bom romance trágico.*

Assim que apertei enviar, a porta da frente do meu apartamento nos Jardins se abriu. Arthur e Dalila entraram, embolados em uma crise de riso.

Eles estavam discutindo, uma performance familiar.

— Estou te dizendo, a culpa de estarmos atrasados foi sua! — disse Dalila, batendo de leve no braço de Arthur. Seu rosto estava corado, seus olhos brilhando. Ela não parecia alguém sofrendo de intoxicação alimentar.

— Minha culpa? Foi você quem insistiu em parar para tomar sorvete — retrucou Arthur, sua mão demorando um segundo a mais na cintura dela.

— Porque você me prometeu sorvete depois daquela reunião brutal! — ela rebateu.

Reunião? Sorvete? Não era intoxicação alimentar. Não era um cliente gigante.

Minha voz saiu baixa, cortando o riso deles. — Pensei que você estivesse com intoxicação alimentar, Dalila.

— E Arthur, pensei que você tivesse um cliente.

Eu os observei. Observei como o riso deles morreu. Observei como seus olhos se cruzaram antes de pousarem em mim. Um lampejo de algo — um segredo compartilhado, uma comunicação silenciosa — passou entre eles. Foi tão rápido que, se eu tivesse piscado, teria perdido.

*Eles se acham tão espertos*, uma vozinha fria sussurrou no fundo da minha mente. Uma parte de mim, a parte que os amou por duas décadas, tentou gritar mais alto. *É uma surpresa. Eles estavam planejando uma surpresa para você. É tudo um mal-entendido engraçado.*

— E estávamos! — Dalila disse animadamente, recuperando-se primeiro. Ela correu até mim, envolvendo-me em seus braços. Seu perfume, uma tuberosa inebriante, encheu o ar. — O Arthur estava me ajudando a escolher um presente de casamento surpresa para você, e perdemos totalmente a noção do tempo. Íamos fingir que estávamos doentes para você não desconfiar!

Arthur veio por trás dela, colocando as mãos em seus ombros. Ele sorriu para mim, seu sorriso bonito e ensaiado. — É, meu amor. Estragamos a surpresa. Você é esperta demais para nós.

Eles trocaram outro olhar por cima do meu ombro. Um sorriso rápido e compartilhado. Senti como um soco no estômago. Meu interior ficou frio e pesado. Um peso de chumbo se instalando na minha barriga.

— O vestido atrasou — eu disse, com a voz neutra. Eu precisava dizer algo normal. — A equipe da Wanda ligou. Só chega amanhã.

— Ah, não! — Dalila ofegou, a mão voando para o peito em falso horror.

Arthur deu um passo à frente, sua expressão suavizando para uma de preocupação. — Ei, tudo bem. Um dia não é nada. A gente resolve. — Ele estendeu a mão, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — Deixa a gente te compensar. Vamos te levar para jantar hoje à noite. Onde você quiser.

— Por minha conta — insistiu Dalila, cutucando-o. — Para me desculpar pela minha péssima atuação.

— De jeito nenhum, é por minha conta — Arthur argumentou, cutucando-a de volta. Seus dedos roçaram na lateral dela, um gesto casual e íntimo.

Eu vi. Eu vi como a respiração dela falhou, como um leve rubor subiu por seu pescoço.

— Tem certeza de que está se sentindo bem, Dalila? — perguntei, minha voz tingida com uma doçura que parecia veneno na minha língua. — Você parece um pouco corada.

— Ótima! Estou ótima! — ela disse, um pouco rápido demais. Ela se afastou de Arthur. — Só com fome. Vamos, estou morrendo de fome! — Ela pegou a bolsa, seus movimentos bruscos e repentinos.

No restaurante, eles se sentaram à minha frente, uma frente unida. Seus joelhos continuavam se esbarrando sob a mesa. Quando Arthur estendeu a mão para colocar um pedaço de atum selado no meu prato, sua mão parou por uma fração de segundo sobre a de Dalila, um momento de reconhecimento silencioso. E eu vi o olhar no rosto dela — um lampejo de puro e absoluto triunfo.

Depois de duas garrafas de vinho, Dalila estava se apoiando pesadamente no ombro de Arthur.

— Acho que vou dormir na sua casa hoje, Lena — ela arrastou as palavras, seus olhos vidrados. — Noite das garotas antes do grande dia.

Arthur imediatamente pareceu preocupado. — Dalila, você está bêbada. Não pode ficar com a Helena. Só vai mantê-la acordada a noite toda. Eu te levo para casa.

— Tudo bem, querido — eu disse, minha voz estranhamente calma. Sorri para os dois. — Dirijam com cuidado.

De volta ao meu apartamento silencioso, o silêncio era ensurdecedor. Tomei um banho, a água quente não fazendo nada para aquecer o gelo que se formou em minhas veias. Enrolei-me em um roupão e peguei meu celular.

Meu comentário no blog de fofocas tinha uma resposta.

*@sonhos_de_lírio. Você não vai se decepcionar. É melhor que novela.*

Meus dedos tremeram enquanto eu digitava o nome de usuário na barra de pesquisa do Instagram. A conta era privada, mas a foto do perfil era a silhueta de uma mulher contra um pôr do sol. A bio era uma única linha de um poema.

*Duas almas com um só pensamento, dois corações que batem como um.*

Meu coração martelava contra minhas costelas. Enviei uma solicitação para seguir. Um minuto depois, meu celular apitou.

*sonhos_de_lírio aceitou sua solicitação para seguir.*

Abri a conta. A primeira foto fez o ar sumir dos meus pulmões.

Era Dalila. Ela estava em um quarto de hotel, banhada pela luz quente do entardecer. Ela estava usando meu vestido de noiva. Meu véu de constelação estava sobre seu cabelo, as pequenas pérolas brilhando. Seus olhos estavam fechados, um sorriso de felicidade no rosto.

A legenda dizia: *Uma cerimônia secreta para um amor secreto. O para sempre começa agora. #almasgêmeas #amorverdadeiro #amordesafortunado*

A postagem era de duas horas atrás. Enquanto eu estava jantando com eles.

Rolei para baixo. E então eu vi. A segunda foto no carrossel.

Era um close de uma mão. A mão de um homem, com o anel de sinete de Arthur no dedo mindinho, segurando delicadamente uma única e perfeita pérola entre o polegar e o indicador. Uma pérola que havia sido cortada do meu véu.

Meu celular apitou com uma nova notificação. Uma resposta ao meu próprio comentário no blog de fofocas, de um usuário anônimo diferente.

*Querida, você não tem ideia. Eles não tiveram apenas uma 'cerimônia secreta'. Eles tiveram a noite de núpcias. Com o vestido. Ele a chama de sua noiva de verdade.*

Anexada ao comentário havia uma foto. Uma foto borrada e granulada tirada através de uma porta.

Era Dalila, ainda com meu vestido, sendo pressionada contra uma parede. As mãos de Arthur estavam emaranhadas na seda, seu rosto enterrado no pescoço dela. O ângulo era inconfundível. A paixão era crua, inegável.

E eu reconheci o papel de parede. Era o chinoiserie personalizado da suíte nupcial do Copacabana Palace. A suíte que havia sido reservada em meu nome para a minha noite de núpcias.

Continue Lendo

Paz Depois da Dor: Meu Projeto Não Escrito de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Garota Que Ele Chamou de Ensaio
9.3
Após abrir mão de um sonho na USP pelo namorado de longa data, uma jovem descobre a cruel verdade. Em francês, idioma que ele acredita que ela ignora, o rapaz a ridiculariza para um amigo, chamando-a de mero ensaio enquanto planeja conquistar uma modelo. O que ele não sabe é que ela compreende cada ofensa. Sem alarde, ela recupera sua vaga na faculdade paulista e desaparece da vida dele, deixando o arrogante para trás ao bloquear qualquer contato.
Capa do romance Acorrentada ao mafioso
8.2
Dusan é o implacável líder da máfia sérvia, um homem destinado ao poder absoluto sobre o tráfico global. Conhecido por sua frieza calculista, ele vê sua autoridade desafiada quando uma jovem inocente lhe é entregue como pagamento de uma dívida. Enviada para um bordel de luxo em Nova York, ela perde sua liberdade para esse carrasco sombrio. Entre o dever criminoso e a pureza dela, Dusan enfrentará um dilema mortal onde nenhum anjo sairá ileso.
Capa do romance Casamento por Contrato: A Herdeira e o CEO
8.4
Ao retornar ao Maranhão, Isabela Almeida é surpreendida por uma cláusula no testamento da avó: ela deve se casar em um ano para não perder sua herança. Para salvar o legado familiar, ela propõe um matrimônio de fachada a João Pedro Santana, um CEO em crise financeira e antigo conhecido. Entre farsa e dever, manter as aparências na cidade pequena torna-se um desafio, enquanto a hostilidade mútua dá lugar a sentimentos reais e perigosos.
Capa do romance Comando do Amor do CEO: Fique Comigo
9.2
Apaixonada por Harry desde a infância, Shelly acaba presa em uma trama de vingança orquestrada por sua tia. Ela consegue conquistar o coração dele, mas o romance desmorona quando a verdade aparece. Furioso com a traição, Harry destrói o noivado de Shelly e exige retribuição. Embora o amor entre eles fosse real, as conspirações e o rancor transformam o sentimento em um ódio profundo, forçando Shelly a enfrentar as consequências de seus atos.
Capa do romance Contrato de Amor: Se Eu Tivesse Seu Amor
8.9
Melissa aceitou um casamento por contrato com Charles para evitar a ruína financeira da empresa de seu pai. No entanto, a união trouxe apenas desprezo e rivais cruéis. Em meio à dor, o afeto dele tornou-se sua única salvação, envolvendo-a em beijos e carinhos que pareciam um sonho perfeito. Ela deseja que essa felicidade dure para sempre, mas o destino reserva reviravoltas inesperadas. Será que esse amor resistirá aos desafios que ainda estão por vir?
Capa do romance Mais do Que Uma Criada: A Vingança de Lia
9.5
Após anos de desprezo, Lia é forçada pela família Almeida a cuidar da matriarca, Dona Amélia. Sob o olhar frio da sogra e a traição de Pedro, que ridiculariza o seu trabalho como escritora, ela é reduzida a uma mera empregada. O ápice da humilhação surge quando o marido a insulta abertamente, ignorando o seu sofrimento. Determinada a recuperar a dignidade, Lia foge na calada da noite, iniciando uma batalha judicial pelo divórcio e pela sua liberdade.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar