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Capa do romance Passado Obscuro

Passado Obscuro

Jack Carter, um detetive de elite em Chicago, lidera a busca por um serial killer de mulheres que guardam semelhanças físicas com sua esposa. O horror atinge seu ápice quando Lisa é encontrada morta, e Jack torna-se o suspeito principal após evidências surgirem em suas roupas. Agora, ele precisa lutar para limpar seu nome e encontrar o verdadeiro culpado, enquanto enfrenta dúvidas sobre sua própria sanidade. Será que o investigador é realmente inocente?
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Capítulo 2

Jack Narrando

— Bom dia, amor. — entro na cozinha e dou um beijo casto nos lábios da minha linda esposa.

— Bom dia, meu bem. — ela está preparando o café da manhã.

Sento-me na banqueta atrás do balcão e apenas a observo, sorridente.

Em seguida, Lisa serve dois pratos com ovos e bacon, me entregando um deles e sentando na banqueta ao meu lado.

— Que tal jantarmos fora hoje? Pode ser naquele restaurante que você tanto ama. — convido-lhe, enquanto dou uma garfada na refeição.

— Excelente ideia, amor. Faz tempo que não curtimos o tempo juntos, essa sua vida de policial não colabora muito... — Lisa comprime os lábios, fazendo-me sentir mal por isso.

— Desculpa, Lisa. Mas desde que nos conhecemos, você já sabia como é ser esposa de policial. Não acha que eu queria ter mais tempo livre com você?

— Esquece isso, vamos ter uma manhã tranquila, nada de assunto sério. — diz em tom de brincadeira e sorri largamente.

Apesar de estarmos juntos há alguns anos, nossa relação é exatamente igual ao início, fazemos todo o possível para não deixar o amor esfriar, amamos estar juntos e isso é tudo para nós.

Terminamos o café da manhã e pegamos nossos pertences para irmos trabalhar, antes de ir à delegacia, a deixarei na escola em que Lisa leciona.

Durante o caminho conversamos amenidades, pergunto-lhe como vão às coisas na escola. Lisa vai me contando cada detalhe e eu apenas a observo, vendo como seus olhos brilham, à medida que ela fala. Sou louco por essa mulher, completamente apaixonado, não poderia estar mais feliz.

Paro o carro frente à escola.

— Tenha um ótimo dia, meu bem. — ela diz e me dá um beijo molhado.

— Obrigado, meu amor. — não me contenho ao ver o seu sorriso e retribuo.

Espero Lisa entrar e quando a perco de vista, dou partida, retornando à estrada.

****

— Então, vocês tinham um relacionamento? — questiono o jovem sentado à minha frente, no interrogatório, a respeito da última vítima assassinada.

— Não sei se podemos chamar exatamente assim, tínhamos um rolo, mas podíamos ficar com outras pessoas.

Fico abismado como esses jovens são, tão inconsequentes, não se importam com nada, além de aproveitar a juventude adoidados.

— Já terminaram alguma vez? — apoio os cotovelos na mesa, repousando o queixo sobre as mãos e aguardo por sua resposta.

— Sim, diversas vezes. Ela dizia não querer se apegar a nenhum homem, mas quer saber, nunca entendi isso, sempre fui gamado nela. — dá um sorriso de lado e seus olhos parecem vagar.

Analiso suas feições, enquanto fala, para ver se está mentindo. Qualquer gaguejada é suficiente para usar contra ele.

— Não estou mentindo, senhor. Eu juro. — diz, como se soubesse o que estou fazendo.

— Ok, isso é tudo. — mexo no arquivo sobre a mesa, não o olhando diretamente.

— Posso ir?

— Sim. — respondo-lhe.

Ele sai.

Fico analisando os arquivos e tudo que me foi dito pela família e os mais próximos da vítima, nada muito comprometedor.

****

É fim de expediente, hora de ir para casa, estou ansioso por nossa saída hoje, queria muito tê-la buscado no trabalho, mas a essa hora certamente ela já deve estar em casa, me esperando.

Meu celular vibra no bolso da calça. Pego e antes de atender, vejo o nome dela, no identificador de chamadas.

— Oi, amor. — sorrio.

— Oi, meu bem. Estou ligando para avisar que infelizmente teremos que remarcar nosso jantar, o pessoal do trabalho decidiu ir à um barzinho de última hora, fiquei sem jeito para recusar.

Murcho os ombros, frustrado.

— Tudo bem, podemos ir outro dia — faço uma pausa, ainda desanimado — Qual barzinho? — sim, sou um pouco controlador quando se trata dela.

Sou policial, sei bem do que o ser humano é capaz, então a protejo com unhas e dentes se necessário for.

— Aquele a duas quadras da nossa casa. — fico em estado de alerta ao ouvir isso, o lugar é próximo à cena do último crime. Chego a engolir em seco, porém, tento disfarçar.

— Tudo bem, mas não chega tarde em casa.

— Não se preocupe, ficarei bem, provavelmente chegarei antes de você. Até mais!

— Até. E não esquece, eu te amo.

Ela não diz mais nada, somente encerra a chamada. Antes, porém, consigo ouvir burburinhos ao fundo, tive a impressão de ter escutado uma voz masculina, mas deixo passar, balançando a cabeça de um lado a outro, na esperança de desviar desses pensamentos.

— Boa noite, Carter — Harris me cumprimenta — Algum avanço em relação ao caso do serial Killer?

— Ainda não, senhor. Mas estou fazendo todo o possível.

Esse caso já está começando a mexer com minha cabeça, jamais demorei tanto para concluir uma investigação.

— Sei que vai conseguir — meneio a cabeça — Até amanhã. — vira em direção à saída.

— Boa noite, senhor.

Fico ainda um tempo fazendo pesquisas em sites de suspeitos de assassinatos e pessoas procuradas, no entanto, não consigo nada. Vez ou outra minha mente vai até Lisa, a preocupação em saber se está bem, é grande. Cansado disso, pego meu terno sobre o recosto da cadeira e vou até meu carro.

****

O caminho até minha casa foi tranquilo, haviam poucas pessoas perambulando nas ruas, tudo bastante calmo. A brisa leve do vento batendo contra meu rosto, através da janela, e curtindo o trajeto, ao som de Blitz — A dois passos do paraíso.

Sinto-me leve com a música. Até tamborilo os dedos no volante, no ritmo.

Paro em frente à minha casa, que está bem silenciosa e quieta. Estranho, pois, Lisa havia dito que não demoraria. Desligo o som do carro e abro a porta, caminho a passos curtos em direção a porta de casa, está tudo muito escuro e silencioso, tanto que foi possível ouvir o ranger da porta ao ser aberta.

— Lisa. — chamo logo ao entrar.

Não ouço resposta. Continuo andando, talvez ela esteja na cozinha.

— Amor.

Já na cozinha, ponho o dedo indicador no interruptor, ligando a luz e dou um grito de desespero ao ver minha esposa caída no chão, completamente ensanguentada. Consigo escutar cada batida frenética e desesperada do meu coração.

Há uma marca de facada em sua barriga e dou falta de um de seus dedos da mão, justamente o anelar.

Pouco me importo com isso, só quero saber se minha mulher está viva.

— Lisa! — aproximo-me dela, me agachando — Lisa, por favor, acorda. — a chacoalho, mas nada dela acordar.

Sem pensar demais, pego o celular do bolso, discando o número do serviço de emergência, porém, não largo a cabeça dela, que está apoiada em meu braço.

— Serviço de emergência, em que posso ajudar? — é uma voz feminina.

— Por favor, enviem uma ambulância, minha mulher está morrendo. — minha voz está alterada pelo choro e nervosismo.

Nunca pensei que me veria numa situação como essa.

— Tudo bem, mantenha a calma, senhor.

— Calma? Como terei calma? É a minha mulher! — falo mais alto que pretendia.

— Senhor, por favor... — pede com bastante paciência novamente. Não a respondo.

Diante das circunstâncias, não me resta mais nada a não ser escutar a mulher do outro lado, que não faço ideia de quem seja.

— Me informe seu endereço, que enviaremos uma ambulância o mais rápido possível.

Respiro fundo e controlado. Ou pelo menos tento.

Passo toda informação pertinente a ela.

— Não se preocupe, o socorro não irá demorar a chegar.

Não respondo mais, a única coisa que se passa em minha mente é essa loucura que acaba de acontecer.

****

Enquanto eu aguardava o socorro chegar, liguei também para meu chefe, o Harris, informando todo o ocorrido. Ele não pensou duas vezes, antes de finalmente vir até minha casa, acompanhado de mais duas viaturas e toda a equipe policial, a fim de investigar.

Quando a ambulância chegou, a colocaram numa maca e levaram-na para dentro da van, tentando fazer tudo que lhes era possível para mantê-la viva, mas eu sabia, no fundo, sabia que não havia mais jeito, Lisa estava morrendo e eu estava perdendo o meu bem mais precioso nessa vida. Entro na ambulância também, indo para o hospital, com o coração aflito.

Sentado no estreito e acolchoado banco da ambulância, com a cabeça entre os braços, eu apenas chorava, mesmo sem ter certeza do fato.

Chegamos ao hospital e Lisa é levada às pressas para dentro. Fico na recepção e mesmo estando atordoado, respiro, ainda mantenho em mim a esperança que ela esteja viva.

Fico andando de um lado a outro com as mãos na cabeça.

Algum tempo se passa...

— Senhor... — ouço uma voz feminina, paro e olho em sua direção.

— Fizemos tudo que estava ao nosso alcance... — a pausa que sucedeu essa frase me dilacerou por dentro — Sinto muito. — a jovem com semblante exausto, comprime os lábios e mesmo tentando disfarçar, percebo seus olhos lacrimejados.

Só um ser humano extremamente insensível para não se comover.

Não digo uma palavra sequer, somente assinto com um menear de cabeça.

— Se quiser, pode se despedir. — diz antes de se afastar de mim.

A verdade é que nem sei como reagir a isso, foi tudo tão rápido e repentino...

Só queria que o tempo voltasse para que eu pudesse ter ao menos alguns minutos a mais com Lisa. Isso é tudo que eu poderia pedir.

Até as lágrimas já secaram, restando somente a dor da perda.

— Carter — vejo meu chefe, parado ao meu lado, de pé — Sentimos muito pela perda de sua esposa, sabemos o quanto a amava.

Nem sabia que ele estava aqui.

Comprimo e lábios e faço um breve meneio de cabeça.

— Há algo que possamos fazer por você?

— Podem trazer a Lisa de volta? Não, então não há nada que possam fazer... — minha voz soa um pouco rude e Harris ergue as sobrancelhas — Perdoe-me.

— Tudo bem, Carter. Eu entendo. E não se preocupe, quem quer que tenha feito isso, iremos descobrir.

— Obrigado. — respondo-lhe e ele sai em seguida, direcionando-se à saída.

As horas foram passando e voltei para casa, por mais que eu quisesse me esconder do mundo, não era possível. Não tive nem mesmo coragem para me aproximar do corpo de Lisa.

Como não temos familiares ou parentes por perto, decidi tentar erguer minha cabeça para preparar o sepultamento dela, que deveria ser logo na manhã do dia seguinte.

****

Já havia amanhecido e eu não preguei os olhos durante toda a noite, após resolver tudo sobre Lisa, queria deitar no sofá para descansar, não queria passar a noite em qualquer outro lugar, que não fosse minha casa, nossa casa. Porém, mesmo contra minha vontade, era necessário visto que o lugar era uma cena de crime.

Ah, Lisa... São tantas lembranças, tantos momentos felizes.

O cheiro dela está impregnado em cada cômodo da casa.

Cada vez que eu fechava os olhos, lembranças de nós dois ou até mesmo dela, rondavam a minha mente como um fantasma. O pior de tudo isso, é que mesmo querendo chorar para ver se a dor no peito se esvaia, não consegui.

Fui o primeiro a chegar no enterro da minha mulher, porém, mantive distância no período em que o padre discursava.

— Para alguns, a morte é um fim de tudo, mas para mim, que assim como muitos aqui presentes, que tem fé em Deus, a morte é o início de tudo. É difícil dizer isso a alguém que acaba de perder um ente querido, porém, é a realidade e não há como negar. Desde o fundamento do mundo, somos obras divinas... Do pó viemos e ao pó voltaremos. — enquanto o padre dava seu discurso, eu juro que minha vontade era mandá-lo calar a boca.

As palavras dele não estão me ajudando em nada. Por isso me afasto ainda mais e espero a cerimônia terminar para que eu pudesse ter um momento a sós com minha esposa, antes de finalmente a enterrarem.

Quando o padre termina e a maioria já foi embora, aproximo-me da imensa caixa de areia aberta no chão e vejo o caixão fechado, dentro. O dia está chuvoso, é incrível como geralmente chove quando alguém morre, como se o universo também se entristecesse com a perda.

Segurando o guarda-chuva preto, me agacho e tento dizer algo, porém, nenhuma palavra sai de meus lábios. Fecho os olhos e respiro fundo.

— Ah, Lisa... Minha Lisa... Queria dizer tantas coisas, mas meu peito dói demais, já perdi meus pais e agora você também se foi — lágrimas brotam em meus olhos — Nunca mais ouvirei novamente sua voz manhosa me pedindo para pegar algo em cima do armário, pois você não alcança, ou levarei um tapa na mão ao tentar roubar comida da panela, enquanto cozinha. Não sei como será minha vida sem você, daqui em diante.

Respiro fundo, sentindo meu coração despedaçado.

— Eu prometo, Lisa... Não importa quanto tempo demore, irei descobrir quem fez essa desgraça com você. Nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida.

Ainda agachado, jogo uma rosa sobre o caixão, despedindo-me dela.

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