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Capa do romance Paixão Turca

Paixão Turca

Zeynep foi levada a um país desconhecido para um casamento forçado. Em uma vila de tradições rígidas, ela lida com Kerem, um líder relutante que a despreza após ser abandonado no passado. O que começa como ódio mútuo se transforma em uma paixão avassaladora. Enquanto Kerem assume o comando do clã Ozturk, ambos enfrentam conflitos internos e perigos externos. Entre guerras de poder e sentimentos rivais, eles lutam para sobreviver e proteger esse amor inesperado.
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Capítulo 3

O homem começou a subir as escadas, Zeynep não pôde evitar admirar sua presença imponente. Era jovem e de uma beleza quase selvagem.

Seu cabelo e olhos negros como a noite contrastavam com a incipiente barba que lhe dava um ar de rudeza.

Sua compleição atlética, produto de uma evidente dedicação ao exercício, sua aparência intimidava.

Era consideravelmente mais alto que ela, superando sem dúvida o metro noventa. Zeynep, por sua parte, era baixinha, de apenas um metro sessenta.

Seu rosto, pequeno, de proporções delicadas, estava emoldurado por um espesso flequillo que resaltava seus olhos cor de avelã.

Seu longo cabelo castanho chegava abaixo da cintura, e seu corpo bem proporcionado, era fruto de horas intermináveis na academia.

Zeynep se amaldiçoou internamente por ter se fixado no físico daquele homem.

Subiram ao terceiro andar, onde uma sala central separava duas enormes varandas. Os tapetes coloridos que adornavam o chão lhe recordavam a riqueza e o luxo da família.

Ao chegar ao quarto, ela entrou atrás dele. O homem fechou a porta com um gesto decidido.

A decoração a deixou atônita. Corações de pétalas vermelhas adornavam o chão e as paredes, criando uma atmosfera carregada de sensualidade. Não sabia que essa gente, tão tradicional e conservadora, tivesse um lado romântico.

—Agora que estamos a sós, quero deixar as coisas claras — disparou ele com voz gélida — não foi meu desejo me casar, e menos ainda com uma norte-americana. Se espera que eu te toque esta noite, está sonhando. Não gosto de você nem um pouco, no melhor dos casos.

Seu olhar fulminante a percorreu de cima a baixo, impregnando-a com um calafrio de repulsa.

Ela devolveu o olhar com igual intensidade, sem se intimidar — o sentimento é mútuo — replicou com sarcasmo — me enganaram. O que menos desejo é estar casada com um bárbaro desta tribo.

Um rugido gutural escapou da garganta dele. — Tribo à qual a partir de agora você pertence e deve respeitar!

Ela soltou uma gargalhada amarga. — Pede respeito? Não posso respeitar quem praticamente me sequestrou.

— Te permiti que me fale dessa maneira porque não conhece as regras, a partir de amanhã não poderá fazê-lo, ou te levarei ao conselho para que cortem sua língua.

O homem sorriu divertido quando ela cobriu a boca com as duas mãos, sua expressão a ela pareceu sinistra.

— Dormirá aqui sozinha estes três dias, dormirei no quarto ao lado.

— Me parece perfeito.

— Depois teremos que dormir juntos — disparou ele com desdém. — Viveremos aqui com meus pais. Não quero que pensem que não sou capaz de dormir com uma mulher.

Um calafrio percorreu a pele dela. A casa à qual havia chegado primeiro, essa mansão opulenta, pertencia a seu irmão. Ele, o futuro chefe do clã, se encarregaria de seus pais.

— Espero que não tenha nenhuma objeção — acrescentou ele com um olhar glacial.

As palavras brotaram dela com um torrente de emoções.

— Me deixe ir. Vamos nos divorciar. Nem você nem eu estamos bem com este casamento. Me deixe voltar aos Estados Unidos. Tenho namorado há anos. Desejo me casar com ele.

Um silêncio tenso se apoderou do espaço. A ira lutava para vir à tona em seu olhar, mas um véu de tristeza a continha.

— Se pudesse, te diria que fosse agora mesmo para não te ver — sussurrou ele com amargura.

— E então? — perguntou Zeynep com um fio de voz, a angústia oprimindo seu peito.

— Não posso fazer isso — respondeu ele com firmeza. — Seria indigno de ser o chefe da tribo. Além disso, a você te procurariam pelo mundo todo se fosse necessário para te matar. A tribo não perdoa erros.

As palavras dele golpearam sua mente como um martelo. A realidade a esbofeteou, crua e impiedosa. Ficou estupefata, sem poder acreditar que seu destino estivesse selado daquela maneira.

Ele se aproximou da cama, tirando uma navalha do bolso da calça. Com um movimento rápido, cortou a mão, deixando que algumas gotas de sangue carmesim caíssem sobre o lençol branco.

— Isso é sua honra e a de minha tribo — disse com solenidade.

Logo, saiu do quarto e Zeynep o viu estender o lençol em um lugar visível da rua.

A ira e a impotência a consumiam. Não podia acreditar que em pleno século XXI, ainda existissem pessoas que viviam sob tais costumes, tão primitivos, tão selvagens. Como era possível que expusessem a honra de uma mulher dessa maneira?

Ele voltou a irromper no quarto. Seus olhos se encontraram por um breve instante, carregados de uma mistura de desconfiança e resignação.

— Sei que se chama Zeynep — disse com voz áspera. — Eu me chamo Kerem. Qualquer coisa que precisar, evite me incomodar o mínimo possível. Haverá uma garota para atendê-la em todos os momentos. Está de mais dizer que deve respeitar meus pais. Se lhes faltar ao respeito, me falta a mim. Então já sabe.

Sem dar lugar a perguntas, deu a volta e saiu do quarto, deixando Zeynep com um nó na garganta.

A garota se sentou na cama, as lágrimas brotavam de seus olhos sem controle. Chorou até que o sono a venceu, uma fuga momentânea da dura realidade que a rodeava.

Ao acordar na manhã seguinte, um golpe na porta a sobressaltou. Ao abri-la, encontrou uma jovem de rosto doce e olhar amável.

Trazia uma bandeja com alimentos e bebidas, a Zeynep pareceu um pequeno gesto de amabilidade em meio à hostilidade.

— Bom dia, senhora — disse a jovem com um sorriso tímido. — Me chamo Ayşe. Sou a encarregada de atendê-la durante sua estadia aqui. Se precisar de algo, não hesite em me chamar.

— Muito obrigada, mas leve isso, não estou com fome.

— Mas senhora…

— Por favor, leve isso, só me deixe água.

— Está bem, mas o senhor me repreenderá por isso.

Com uma cara de tristeza se afastou dali, Zeynep não pensava em comer, preferia morrer de fome antes de aceitar seu triste destino.

À tarde, a garota subiu com outra bandeja, ela a rejeitou de novo, mais tarde escutou que a porta se abria.

— Vai parar de dar problemas e vai comer, ou acredite que virei e te darei a comida eu mesmo e não vai gostar, te asseguro.

— Você é um maldito louco.

— Cuidado com o que diz, poderia ser açoitada na praça pública por menos que isso.

A garota não sabia se Kerem falava sério ou dizia apenas para assustá-la, queria escapar, mas não sabia como fazê-lo, as coisas não iriam muito bem se chegassem a capturá-la, além de que não sabia onde estava Sarah.

— Poderia ver minha amiga? — perguntou quase em súplica.

Ele ficou calado um momento, depois se aproximou e a olhou fixamente nos olhos, ela se sentiu muito pequena ante o olhar profundo, além de que tinha que olhar para cima porque ele era realmente alto.

— Depois destes três dias, se você se comportar bem, pensarei, talvez em uns dias permita que a veja.

— Permitirão que ela volte aos Estados Unidos? Ela não tem nada a ver com isso.

Aquilo era sua única esperança, que deixassem Sarah livre e ela buscasse ajuda em seu país.

— Tal vez permitamos que ela vá, mas antes terá que assinar um acordo onde não poderá revelar nada do que aqui ocorreu, se o romper, isso a condenaria irremediavelmente à morte.

Sua última esperança se desmoronou naquele momento, será que havia algo em que não pensavam para se safar com a sua?

Aquela noite era sua terceira noite ali, já estava dormindo quando de repente sentiu que a cama afundava ao seu lado, era de madrugada e o quarto estava muito escuro, levantou-se imediatamente, assustada, acendeu a luz.

Kerem estava deitado ao seu lado, a percorreu de cima a baixo com o olhar, ela lembrou que estava vestida com uma camisola muito curta, pegou a ponta do cobertor e se cobriu com ele.

— O que faz aqui? — perguntou desconfiada, enquanto se agarrava fortemente ao cobertor.

— Amanhã chegam meus pais, a partir de agora dormiremos juntos, já te havia dito.

Ela lembrou que já era o terceiro dia como ele havia dito anteriormente.

— Sinto por você, não há algum sofá para que durma, então terá que dormir no chão — disse decidida.

— Ha, ha, ha, em seus sonhos, em uns dias serei o chefe do clã e de todos os clãs do território, jamais dormiria no chão.

— Prepotente.

Zeynep pegou duas mantas do armário, depois seu travesseiro, em seguida arrumou um lugar sobre o tapete para dormir.

— Vê como era simples, assim não terá que dormir ao meu lado, na verdade não me incomoda, me é completamente indiferente, então se decidir que o chão é muito incômodo para você, pode voltar para a cama.

Ela não respondeu, irritada, pegou a manta e se cobriu da cabeça aos pés, pela manhã acordou com uma terrível dor nas costas, ele percebeu, a olhou e sorriu com desprezo, essa garota da cidade acreditava que merecia tudo.

Sua família tinha algumas grandes empresas em Istambul, ocasionalmente ia para ver que seus primos levassem os negócios corretamente, no dia do casamento havia retornado da grande cidade.

Foi quando viu uma bela garota que havia parado um táxi, ele estava atrasado para seu casamento, então, esquecendo-se da cavalaria, subiu no veículo, a garota o desafiou irritada, foi quando virou para vê-la fixamente, encontrou uns olhos cor de avelã muito bonitos, não acreditou que fosse tão malcriada, agora sabia.

— No armário encontrará a roupa que deve vestir a partir de agora, minha mãe a escolheu pessoalmente, deve se apressar, tomaremos café da manhã com eles, a partir de agora deverá mostrar-lhes respeito, também deverá cobrir seu cabelo, te deixaram vários lenços para fazê-lo, espero que logo se acostume com sua nova vida.

Zeynep levantou uma sobrancelha com desgosto ao ouvi-lo, acostumar-se? Isso nunca faria.

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