
PAIXÃO OCULTA
Capítulo 3
NARRAÇÃO LAVÍNIA
Sigo para casa e me arrumo. Coloco um jeans escuro e uma blusinha de alça verde. Coloco meu sapato de salto alto preto e sigo para o bar. O bar do Tavares é muito conhecido entre os policiais da região. Todos costumam se encontrar lá depois do serviço. Passei boa parte da minha fase caloura lá. Paro o carro em frente à entrada e entro varrendo o local com os olhos em busca de um certo alguém que vem dominando a minha mente. E lá está ele no balcão. Lindo todo de preto. Sua camisa está colada ao corpo e posso ver seu corpo definido. Ele sorri assim que me vê e me chama com o dedo. Ando com calma para não tropeçar visto que ainda estou balançada pela visão de seu lindo corpo. Me aproximo e ele sorri.
- Você é a famosa Fontana?
Alexandre pergunta apontando para a enorme placa na parede com o meu sobrenome.
- Sim.
Respondo indiferente.
- É a pessoa que mais bebeu shot de tequila desse bar?
- É o que está na placa.
- Quero uma disputa.
Reviro meus olhos e me afasto. Mas uma mão firme em meu braço me para. Seu toque queima a minha pele.
- Vamos lá, Fontana! Quero uma placa com o Biancco no lugar do seu nome.
- Alexandre isso nunca vai acontecer.
E de repente alguém grita duelo causando euforia em todos no bar.
- Agora vai ter que aceitar o desafio.
Ele sorri de um jeito tão safado que tenho que controlar a minha vontade de empurrar ele nesse balcão e beijar seu corpo todo.
- Vai ser feio para você Alexandre.
Aviso pegando um prendedor de cabelo no bolso e amarrando o cabelo.
- Quantos shots aguenta?
Pergunto e ele sorri.
- Doze.
Reprimo um sorriso e vejo Jeane sussurrar no ouvido dele.
- Caralho.... vinte e sete shots?
Mede o meu corpo e para em meus olhos.
- Isso é mentira.
- Vamos descobrir.
Digo puxando sua mão. Sento na mesa e ele senta a minha frente. Esse sorriso dele de empolgação me deixa muito excitada.
- Quem perder paga os shots.
- Fechado! E quem ganhar pede o que quiser ao perdedor.
Fica me olhando serio.
- Fechado!
O primeiro shot é servido.
- No três.
Diz e a galera do bar começa a contagem. No três nós dois viramos a bebida e ele faz careta.
- Bichinha.
- Isso acontece só na primeira. As próximas serão tranquilas.
E nos quatorze shots seguintes ele fez a mesma careta fofa. Alexandre começa a ficar bêbado e eu continuo normal.
- Vai parar?
Pergunto rindo muito dele me encarando com os olhos meio fechado tentando focar em mim.
- Vai desistir?
Ele pergunta com a voz estranha.
- Não, estou de boa.
Faz uma careta e respira fundo.
- Então desce mais.
Começo a rir da determinação dele em me vencer.
- Alexandre, você já esta bêbado.
- Estou bem! Quero vencer para pedir uma coisa a você.
O que ele quer tanto de mim que o faz lutar para vencer algo que está claro que já perdeu?
- Você não aguenta nem mais um shot.
- Merda..... eu não sinto meus lábios.
Sussurra pegando a boca com a mão e puxando.
- Vamos parar por aqui.
- Não..... eu preciso vencer. Eu preciso ter o que eu quero. Eu preciso sentir.
- Sentir o que Alexandre?
Ele se inclina e sussurra.
- Eu quero...... eu preciso.....
Antes que ele conclua a frase, se lança para a lateral da mesa e vomita.
- Fraco....
Resmungo segurando o braço dele para não cair no chão. A galera em peso do bar começa a gritar Fontana erguendo os copos cheios de bebida.
- Vem... vamos te limpar.
Digo levantando Alexandre e colocando seu braço em torno do meu pescoço. Ando com ele até o banheiro e assim que entramos o sento na cadeira ao lado da pia. Pego um papel e molho um pouco para limpar sua boca. Me ajoelho a sua frente e começo a limpar sua boca perfeita.
- Seus olhos são lindos.
Fala me olhando intensamente
- Obrigada!
Agradeço sentindo minhas bochechas queimarem.
- Sonho muito com eles.
Ele diz fechando os olhos e inclinando na cadeira. Ele sonha com os meus olhos?
- O que você sonha exatamente com eles?
Sorri ainda de olhos fechados.
- Se você soubesse Lavínia......
Não diz mais nada, o que me deixa curiosa.
- Alexandre....
Chacoalho ele e nada.
- Alexandre....
Pego no rosto dele e ele abre os olhos.
- Vamos sair daqui.
- Eu não quero ficar sozinho em casa. Quero ficar aqui.
Seguro a risada e seguro seu rosto o fazendo olhar pra mim.
- Aqui no banheiro?
Pergunto divertida.
- Se você estiver no banheiro então sim. Quero ficar onde você estiver.
Meu coração acelera. Ele quer ficar comigo ou quer apenas a minha companhia? Ele sorri e chega perto do meu rosto. Sua boca está próxima da minha e posso sentir o cheiro de tequila em sua boca.
- Se formos pra minha casa você fica comigo?
- Eu não vou cuidar de você! A culpa foi sua por ficar assim. Eu disse que perderia.
Balança a cabeça meio sem ritmo.
- Você não entendeu.
Antes que me explique a porta do banheiro se abre e Tavares aparece.
- Como ele está?
- Bêbado e chato.
- Quer ajuda?
- Não precisa. Meu carro está ai na frente. Vou jogar esse bêbado na cama dele e correr para a minha cama.
- Cuidado.
- Pode deixar.
Digo me levantando e novamente envolvo o braço de Alexandre em meu pescoço o levantando. Andamos para fora do bar. Encosto Alexandre em meu carro grudando meu corpo no dele o mantendo preso e tento pegar as chaves em meu bolso. As mãos dele seguram a minha bunda com força e ele enfia o nariz no meu pescoço. Sinto seu membro crescer na minha coxa. Seus lábios tocam minha pele e solto um gemido baixo.
- Seu cheiro me enlouquece.
Apoio minhas mãos no carro e ele me puxa para perto dele.
- O que quer de mim Lavínia?
Pergunta beijando meu pescoço.
- Você ganhou a disputa, pede o que quiser.
Abro meus olhos para encarar os dele. Ele parece que recuperou um pouco do controle da bebedeira.
- Estou tentada a dar a você a vitória só para saber o que queria tanto de mim.
Sua mão direita solta a minha bunda e sobe para o meu pescoço. Me puxa forte deixando nossos lábios quase colados.
- Você quer saber o que eu quero?
Minha respiração está acelerada assim como a dele. Antes que eu possa responder escuto um barulho de moto em alta velocidade. Viro para ver e vejo dois caras em uma moto. Estão com capacetes escuros e todos de preto. O cara da garupa ergue o braço e vejo uma arma.
- Merda....
Digo puxando Alexandre e nos jogando ao chão. Os disparos surgem pra todo lado e apenas cubro o corpo de Alexandre com o meu para que não o atinja. Não consigo contar o numero de disparos. Sinto os braços de Alexandre me envolver e enfio a cabeça em seu pescoço. O barulho da moto some e os disparos também. Meu coração está acelerado e um barulho agudo em meu ouvido causado pelos tiros próximos me deixa atordoada.
- Lavínia...
Alexandre me chama segurando meu rosto.
- Você está bem?
Pergunta preocupado. Apenas confirmo com a cabeça e ele me abraça forte como se estivesse com medo de me perder.
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