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Capa do romance Pacto com o Bilionário

Pacto com o Bilionário

Após ser traída pelo noivo e pela melhor amiga, Helena busca salvar o legado da família através de um plano ousado. Ela propõe um matrimônio de fachada a Arthur Valente, um bilionário calculista que necessita de uma imagem estável para liderar seus negócios. O que começa como um pacto frio e movido por vingança logo se transforma. Entre regras rígidas e convivência forçada, Helena terá que lutar contra a inesperada atração pelo homem que prometeu jamais amar.
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Capítulo 3

O reflexo no espelho do camarim VIP da Catedral Metropolitana era o de uma noiva perfeita, mas Helena sentia como se estivesse vestindo uma armadura de gelo. O vestido de renda francesa, esculpido sob medida para o seu corpo, tinha uma cauda longa que se espalhava pelo chão de mármore. O véu de tule cobria seu rosto delicado, e a tiara de brilhantes reluzia sob as luzes fortes. Para qualquer pessoa que entrasse ali, ela era a imagem viva da felicidade pré-nupcial. Mas, por trás da maquiagem impecável, os olhos de Helena guardavam o segredo de uma execução iminente.

​A porta do camarim se abriu abruptamente, e uma lufada de perfume adocicado e enjoativo invadiu o ambiente.

​- Ah, minha nossa! Você está simplesmente divina, prima! - Letícia entrou no quarto com um sorriso radiante no rosto, fingindo uma emoção que, até o dia anterior, Helena teria jurado ser real.

​Letícia usava o vestido de madrinha rosa-bebê - o mesmo que estava jogado de qualquer jeito no chão da suíte 1004 algumas horas atrás. Ela se aproximou de Helena, ajeitando o véu da noiva com dedos falsamente cuidadosos.

​- O Marcos é o homem mais sortudo do mundo. Quando eu vi ele lá fora, no altar, ele estava tão ansioso que as mãos dele até tremiam. Ele mal pode esperar para que você assine os papéis e vocês finalmente se tornem um só - Letícia disse, a voz mansa e carregada de uma falsa ternura que fez o estômago de Helena revirar.

​Helena forçou um sorriso sutil, mantendo a expressão serena. "Ele está ansioso pelo dinheiro do meu avô, e você pela sua comissão", pensou, sentindo uma onda de asco. Era impressionante como Letícia conseguia olhar em seus olhos e mentir com tanta naturalidade após ter entregado o próprio corpo ao noivo da prima na véspera do casamento.

​- Obrigada, Letícia. Você sempre foi tão... dedicada à minha felicidade - Helena respondeu, escolhendo cada palavra com duplo sentido. - Eu garanto que o dia de hoje será inesquecível para todos nós. Especialmente para você e para o Marcos.

​- Ah, eu tenho certeza que sim! - Letícia riu, uma risadinha afetada, achando que a prima continuava a mesma boba ingênua de sempre. - Vou voltar para o cortejo, os padrinhos já estão se posicionando. Não atrase, hein? O pastor já está apostos e a igreja está lotada com toda a alta sociedade. Até os fotógrafos de fofoca conseguiram autorização para entrar!

​Assim que Letícia saiu, fechando a porta, o sorriso de Helena sumiu instantaneamente. Ela respirou fundo, tentando acalmar o ritmo acelerado de seu coração. Ela pegou o celular sobre a bancada de maquiagem. Havia uma mensagem de Marcos enviada há dez minutos: "Mal posso esperar para ver você entrar, meu amor. Minha vida só começa de verdade depois do nosso 'sim'."

​Helena sentiu uma risada amarga subir por sua garganta. Ela digitou apenas um "Até logo" e apagou a conversa. Em seguida, abriu o aplicativo de mensagens e enviou um texto para um número que não estava salvo em seus contatos, mas cuja foto de perfil ostentava apenas um brasão elegante em tons escuros:

​"Estou pronta. O plano está em andamento. Não atrase."

​A resposta veio em menos de trinta segundos, direta e cortante, bem ao estilo do homem que a enviou:

​"O painel de controle dos telões da igreja já foi hackeado pela minha equipe técnica. O seu vídeo vai rodar no momento exato. Entre e faça a sua parte. Eu farei a minha. - A.V."

​Ao ler as iniciais de Arthur Valente, Helena sentiu um arrepio familiar percorrer sua espinha. O contrato que haviam assinado no final da tarde anterior, na cobertura do Grupo Valente, estava guardado em um cofre seguro. Pelas próximas cinquenta e duas semanas, ela seria, perante a lei e o mundo, a esposa do homem mais poderoso e temido do país. Mas primeiro, ela precisava chutar Marcos e Letícia do trono de mentiras que eles haviam construído.

​Um tapinha suave na porta interrompeu seus pensamentos. Era o cerimonialista, com uma expressão ansiosa.

- Senhorita Antunes? Está na hora. Seu tio já está esperando para conduzi-la ao altar.

​O tio de Helena - o pai de Letícia, que estava apenas esperando o casamento acontecer para tentar assumir as ações do avô doente - sorriu falsamente ao ver a sobrinha sair do camarim. Ele ofereceu o braço esquerdo a ela, fingindo o papel de um tutor amoroso. Helena segurou o braço dele com firmeza, sentindo o tecido caro do terno que provavelmente fora comprado com o dinheiro que ele já desviava das empresas.

​As portas duplas de madeira maciça da Catedral se abriram, e a tradicional marcha nupcial começou a ecoar pelos altos tetos góticos da igreja.

​O cenário era deslumbrante. Fileiras e fileiras de bancos de carvalho estavam preenchidas pela elite financeira e social do país. Centenas de pessoas se viraram para olhar a noiva. No final do longo tapete vermelho, no altar decorado com milhares de orquídeas brancas, estava Marcos. Ele vestia um fraque impecável e exibia um sorriso vitorioso, os olhos brilhando com a ganância disfarçada de romance. Ao lado dele, na fileira dos padrinhos, Letícia a assistia com um olhar que misturava deboche e superioridade.

​Helena começou a caminhar. Cada passo dado com seus saltos agulha parecia o tique-taque de uma bomba-relógio. Ela manteve o olhar fixo para a frente, recusando-se a vacilar. Ela olhou para os lados e viu os grandes telões de LED que haviam sido instalados nas laterais do altar para que os convidados do fundo pudessem assistir à cerimônia em tempo real. No momento, os telões mostravam imagens ao vivo de sua caminhada lenta.

​Marcos estendeu a mão para recebê-la assim que ela alcançou o topo do altar. O toque da mão dele era frio e fez a pele de Helena arrepiar de repulsa, mas ela permitiu que ele a guiasse até o centro, ficando de frente para o celebrante. O tio de Helena deu um beijo falso em sua bochecha e recuou, juntando-se ao resto da família com uma expressão de dever cumprido. Eles achavam que o plano deles tinha dado certo. Achavam que os Antunes estavam em suas mãos.

​O celebrante pigarreou, abrindo a Bíblia e começando o discurso tradicional sobre o matrimônio, amor e fidelidade. As palavras dele ecoavam pela catedral, soando como uma piada de mau gosto para as três pessoas no centro daquele palco. Helena mal conseguia ouvir o que ele dizia; sua atenção estava voltada para o relógio de parede oculto atrás do altar. Faltavam menos de dois minutos para o momento crítico.

​- Marcos de Almeida - a voz do celebrante finalmente mudou de tom, entrando na parte dos votos solenes -, você aceita Helena Antunes como sua legítima esposa, para amá-la, respeitá-la, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da sua vida?

​Marcos olhou nos olhos de Helena através do véu, o sorriso se alargando. Ele nem sequer hesitou.

- Sim, eu aceito. Com todo o meu coração.

​Um sussurro de admiração correu pelos convidados. Marcos estufou o peito, pronto para o próximo passo.

​- E você, Helena Antunes... - o celebrante virou-se para ela - ... aceita Marcos de Almeida como seu legítimo esposo...

​- Não - Helena interrompeu, sua voz clara, firme e amplificada pelo microfone de lapela, ecoando com uma força assustadora por toda a igreja.

​O celebrante congelou. Marcos piscou, achando que tinha ouvido errado, e o sorriso em seu rosto vacilou. Um murmúrio chocado e imediato começou a se espalhar pelos bancos de convidados como um rastro de pólvora. Na lateral, Letícia deu um passo à frente, a testa franzida de confusão.

​- Helena? O que você está fazendo? - Marcos sussurrou, tentando disfarçar o pânico crescente, esticando a mão para segurar o braço dela. - É uma piada? Tem um monte de repórteres aqui...

​Helena deu um passo para trás, desvencilhando-se do toque dele com visível nojo. Com um movimento lento e teatral, ela ergueu as duas mãos e jogou o véu para trás, revelando um rosto que não tinha nenhuma gota de hesitação, apenas uma frieza mortal.

​- Eu não aceito me casar com um lixo oportunista - Helena disse, a voz ecoando nítida pelas caixas de som. Ela olhou para a cabine de som no fundo da igreja e deu um leve aceno com a cabeça. - Mas, antes de encerrarmos essa farsa, acho que todos os nossos convidados merecem saber o verdadeiro motivo do nosso casamento.

​No mesmo segundo, as imagens ao vivo dos noivos nos telões gigantes de LED desapareceram, sendo substituídas por uma tela preta que durou apenas um instante. E então, o vídeo gravado por Helena no décimo andar do hotel começou a rodar em alta definição, com o som perfeitamente conectado aos alto-falantes da Catedral Metropolitana.

​As risadas manhosas de Letícia e os gemidos explícitos invadiram a igreja sagrada. A voz de Marcos ecoou nítida, estrondosa e humilhante para quem quisesse ouvir: "Amanhã eu me caso com o dinheiro da família dela... Helena serve para assinar os cheques... Você é a única que me dá prazer de verdade".

​O caos absoluto se instalou na Catedral. Convidados se levantaram dos bancos, arquejando de choque. Os flashes dos fotógrafos da imprensa começaram a disparar loucamente em direção ao altar. O rosto de Marcos mudou instantaneamente de um bronzeado saudável para um tom cinzento de puro horror. Ele olhou para o telão, depois para os convidados, sentindo o chão sumir sob seus pés. Ao lado, Letícia cobriu a boca com as duas mãos, as lágrimas de humilhação e pânico borrando sua maquiagem enquanto os olhares de julgamento de toda a alta sociedade se cravavam nela.

​- Helena... apaga isso! Por favor, isso é um mal-entendido! - Marcos gritou, tentando avançar na direção dela, o desespero tomando conta de sua voz.

​Helena nem sequer piscou. Ela assistiu à destruição pública dos dois com um prazer gélido. Mas o show estava apenas na metade.

​De repente, um estrondo ecoou nos fundos da igreja. As imensas portas principais de madeira da Catedral foram abertas de par em par com força, batendo contra as paredes de pedra. A luz do sol da manhã invadiu o corredor central, silenciando o falatório dos convidados quase instantaneamente.

​Por entre as portas abertas, um homem alto, de ombros largos e vestindo um terno sob medida que exalava um poder absoluto, começou a caminhar pelo tapete vermelho com passos firmes e predatórios.

​Arthur Valente havia chegado. E o verdadeiro pacto estava prestes a ser selado diante do mundo.

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