
Outrora esposa tola, agora sua obsessão eterna
Capítulo 3
Karl acompanhou o olhar de Andrew, que se fixou em Cathryn, e franziu a testa. Havia algo de errado na presença repentina da mulher. Conveniente demais, o momento...
"Senhor Brooks, por favor, tenha cautela. Pode ser uma armadilha", murmurou Karl, em voz baixa.
A expressão de Andrew ficou ainda mais indecifrável. "Descubra o que a trouxe aqui."
Com um aceno de cabeça, Karl se retirou.
Sem reconhecer Andrew, Cathryn estava prestes a ir embora, mas a voz dele, carregada de sarcasmo, a chamou: "O que foi? Está tentando se fazer de difícil agora?"
Cathryn franziu a testa em confusão. "Você se enganou", ela retrucou.
Andrew parou na frente dela, com as mãos nos bolsos, e a encarou com desdém. "Que engraçado. Hoje de manhã, você fingiu que nada aconteceu entre nós na noite passada. E agora, horas depois, aparece diante de mim com a desculpa esfarrapada de um encontro casual, na tentativa de chamar minha atenção, hein?"
O coração de Cathryn falhou uma batida. Era ele. O homem da noite anterior, o que tirara sua virgindade.
Karl voltou apressado e inclinou-se para sussurrar no ouvido de Andrew: "O nome dela é Cathryn Moore Brooks. Ela é a filha mais velha de Richard Moore. A mãe dela cortou os pulsos e morreu há pouco tempo."
Andrew cerrou o maxilar e, pela primeira vez, desviou o olhar para a mão dela. Uma mancha vermelha se espalhava pela palma da mão dela e tingia o tecido do vestido. "Leve-a para se limpar", ordenou ele, em tom seco.
Levaram Cathryn para a casa de Andrew. Depois de um banho quente e de vestir roupas limpas, um pouco de cor finalmente voltou ao seu rosto.
Andrew estava largado no sofá e girava distraidamente um isqueiro prateado entre os dedos, sem tirar os olhos dela. "Então, me diga: como conseguiu enganar minha avó?"
Cathryn estava de pé à sua frente. "Nunca nem conheci sua avó. Agradeço o que fez, senhor Brooks, mas se não precisar de mais nada, já estou de saída."
Uma risada curta e aguda escapou de Andrew. Ela sabia o sobrenome dele, mas ainda assim fingia ignorância. Tudo bem. Contanto que ela não fosse uma marionete de Cara, ele não se importava com um joguinho. "Vamos fazer um acordo." Ele jogou o isqueiro sobre a mesa e a encarou fixamente.
Cathryn congelou. Um acordo? Sobre o quê? Ela não tinha mais nada, nem dinheiro, nem contatos. Por que um Brooks iria querer algo dela?
Ele deslizou um documento pela superfície de vidro. "Leia e assine."
Ela pegou o documento, cautelosa. "O que é isso?"
"Um acordo pré-nupcial", ele respondeu, cruzando uma perna sobre a outra, com toda a confiança e firmeza de um solteirão convicto.
Os olhos de Cathryn se arregalaram por um instante, e a surpresa se refletiu em seu rosto.
Com um sorriso zombeteiro, Andrew continuou, seus olhos brilhando: "Não é exatamente isso que você queria? Você sempre quis o sobrenome Brooks, não é?"
Cathryn cerrou o maxilar, com a irritação fervilhando dentro de si. "Você está enganado, senhor Brooks. Já tenho um marido."
Andrew se endireitou e diminuiu a distância entre eles, sua sombra a envolvendo na escuridão.
Um traço de cedro e fumaça pairava no ar, forte e limpo, fazendo o coração dela disparar.
Sua boca se curvou num sorriso provocador. "Se você fosse tão leal ao seu marido, por que não se recusou a passar a noite comigo?"
O calor subiu pelo pescoço de Cathryn. Ele estava bêbado na noite passada, lento para reagir. Se ela tivesse resistido mais, poderia ter escapado, mas não resistiu...
Andrew baixou a voz, seus dedos erguendo o queixo dela para que ele pudesse observar seu rosto. "Minha avó te escolheu por um motivo. Divorcie-se do seu marido e case-se comigo. Não lhe faltará nada."
Os olhos de Cathryn vacilaram. Ele parecia ter uma ideia equivocada sobre ela, e talvez, só talvez, ela pudesse usar isso a seu favor.
Cathryn reconheceu que o aviso de Jordyn fazia sentido. Sozinha, sua força era limitada. Com o sobrenome Brooks por trás dela, tudo poderia mudar. Ali estava um homem que exalava poder. Até sua casa gritava privilégio e influência. Ele não era apenas mais um herdeiro rico, mas alguém importante. Com sua mãe morta e todas as portas fechadas na sua cara, não havia mais nada a perder.
Endireitando os ombros, Cathryn o encarou de volta. "Tudo bem. Temos um acordo."
Ela folheou o acordo pré-nupcial, seus olhos percorrendo as linhas do texto jurídico, as palavras se misturando. Com um suspiro, ela o empurrou de volta para ele. "Leia em voz alta. Não vou ficar lendo tudo isso."
Andrew arqueou uma sobrancelha, contrariado. Ninguém nunca lhe pedia para fazer algo tão trivial. Normalmente, as pessoas se desdobravam para ler as coisas para ele.
"Tenho dislexia. Todas essas palavras me dão dor de cabeça", explicou Cathryn num tom neutro.
Ele hesitou, a suspeita se refletindo em seu rosto. Talvez ela nem soubesse ler. Mas então, ele deixou esse pensamento de lado, certo de que sua avó não escolheria alguém sem educação.
Andrew jogou o acordo de lado. "Você não precisa saber de todos os detalhes. Apenas três coisas são importantes." Ele ergueu um dedo e continuou: "Primeiro, este casamento durará apenas um ano. Quando o ano terminar, não importa o que aconteça, ele será encerrado."
Cathryn arqueou uma sobrancelha em surpresa. Apenas um ano? Isso era mais fácil do que ela esperava. "Estou de acordo", ela disse sem hesitar.
O olhar de Andrew se intensificou. "Segundo, se você engravidar, o bebê fica, mas você terá que ir embora. Você não poderá reivindicar a criança."
Os olhos de Cathryn se estreitaram. Frio. Mas ela já havia decidido não ter filhos com ele. "Entendido. E a terceira?"
Andrew se aproximou, sua voz baixa e definitiva. "Por último, você não terá meu coração. Não se dê ao trabalho de tentar o amor. Não espero nada de você, e você não deve esperar nada de mim."
Um lampejo indecifrável brilhou nos olhos dela, mas desapareceu tão rápido quanto surgiu. Claro, ele era atraente, intenso e imponente, mas para ela, não passava de mais um homem num mundo cheio deles. O amor não estava em sua lista de prioridades.
Sem hesitar, ela pegou a caneta e rabiscou seu nome. "Como desejar, senhor Brooks."
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