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Capa do romance Ouro e Sangue - Contrato com o mafioso

Ouro e Sangue - Contrato com o mafioso

Daniel, um poderoso chefe do tráfico, encontra o mapa de uma fortuna lendária. Para proteger o segredo, ele entrega o original à filha, Roberta, e cria uma isca perigosa. No centro de uma guerra sangrenta entre as facções Pantera Escarlate e Serpente Negra, a jovem torna-se o alvo principal. Leandro, líder da Serpente Negra, planeja usá-la para aniquilar rivais, mas a paixão por Roberta o faz mudar de lado, lutando para salvá-la em um mundo de crime.
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Capítulo 2

Roberta

Assim que eu vi aquele homem invadir e abrir o portão, tive que pensar rápido e me lembrei de um compartimento secreto que havia naquela casa. Isso certamente salvaria nossas vidas. Meu pai sabia que isso aconteceria cedo ou tarde, tanto que se precaveu nos trazendo para cá. Eu sempre tive que ser muito mais esperta do que as outras meninas devido à vida que ele sempre levou.

O pai de Roberta e Thaís ficou do lado de fora, tentando evitar a entrada de Érick, o líder da poderosa facção conhecida como Pantera escarlate. Todos os integrantes possuíam uma tatuagem para revelar suas identidades criminosas. Ele estava disposto a tudo para ter aquele mapa. Assim que o viu chegar, Daniel sabia que um deles acabaria morto.

— Não estou de brincadeira, Daniel, me entregue este mapa agora mesmo ou eu juro por Deus que cumprirei a minha promessa de entregar sua cabeça hoje mesmo ao cartel!

Daniel olhou para dentro da casa e sentiu que, mesmo que revelasse a ele onde o tesouro estava, certamente ele e as filhas seriam mortos. Esse motivo havia feito a escolha de tornar Roberta a guardiã daquele segredo.

Ele decidiu manter o silêncio para tentar preservar a vida de suas filhas, mesmo sabendo o que aquilo tudo custaria a ele.

Érick e ele trocaram vários socos, mas ao ter uma arma apontada para sua cabeça, Daniel não pôde fazer mais nada e foi agredido violentamente. Teve seu corpo arrastado para fora da casa, mas ele ainda não estava morto e Érick jogou água em seu rosto para acordá-lo.

Com a ajuda de um punhal com emblema da máfia, ele o torturou por horas, exigindo que contasse onde havia escondido aquele mapa e para quem havia sido entregue.

— Diga-me onde está e acabe de uma vez com o seu próprio martírio!

— Eu já disse que não estou com ele, Érick.

— Mentira, desgraçado!

Por mais forte que ele o atingisse, por mais que exigisse aos gritos que lhe dissesse o local exato, ele se negava, tornando sua sentença inevitável. Um pai jamais entregaria suas filhas nas mãos de um monstro como ele e, se encontrassem o paradeiro do tesouro, saberiam como se proteger dos inimigos.

Érick não suportou mais aquela afronta e, então, cortou sua garganta. Em seus últimos segundos, Daniel não pôde deixar de pensar em Roberta e Thais, que agora seriam o mais novo alvo caso descobrissem que ele havia revelado o segredo a sua primogênita.

Depois do que havia feito, Érick retirou um lenço branco de dentro de seu bolso e limpou calmamente o punhal sujo de sangue, guardando-o em seguida. Estava acostumado a tirar vidas, e aquele era apenas mais um que havia atravessado seu caminho tortuoso. Voltou até a casa e vasculhou todo aquele lugar, e ele ainda estava furioso por não conseguir seu objetivo, mesmo depois de ter gasto tanto tempo. Não havia conseguido encontrar sequer uma pista que o levasse a encontrar aquele mapa. Chutou uma cadeira, que caiu próximo de onde as garotas estavam escondidas na parte de baixo, fazendo com que um pouco de poeira as atingisse.

Ele se lembrou que Daniel tinha duas filhas, e a chave para aquele mistério poderia estar com elas. Certamente, ele varreria toda aquela cidade até encontrá-las. Após desistir de buscar naquele local, ele entrou no carro, deu vários socos no volante, telefonou para o seu subordinado e, com uma voz irritada, disse a eles que ainda não havia conseguido arrancar de Daniel o paradeiro do mapa e que acabara de matá-lo, deixando seu corpo para que o encontrassem e temessem o que estava por vir.

— Mande todos os homens atrás daquelas garotas, mesmo que seja no inferno. Eu quero que tragam as duas para mim!

— Roberta

Thaís estava mais apavorada do que eu e chorava o tempo inteiro. Meu pai havia mostrado aquele lugar embaixo daquela casa esquisita, onde poderíamos nos esconder caso alguma situação de perigo acontecesse. Ele já sabia que muito provavelmente isso aconteceria, e o perigo havia nos seguido até aqui.

— Por que estamos escondidas aqui? — perguntou Thais, cochichando.

Tapei a boca dela. Obviamente, não temos contado todos os detalhes sobre a vida dupla do nosso pai. Às vezes, eu sinto que ela sabe de alguma coisa, mas eu jamais admiti nada sobre isso para preservá-la. Não quero que fique com a impressão de que o nosso pai é um ser humano ruim, apesar de estar envolvido com coisas erradas há tantos anos. Fiquei esperando com ela naquele lugar até anoitecer, e já estávamos famintas.

Sei que aquele homem vai voltar, e eu gravei bem a cara dele. O fato é que não podemos mais esperar aqui. Estou apavorada só de pensar no que pode ter acontecido com o nosso pai, caso ele não tenha conseguido fugir daquele homem. Só depois de ficarmos no mais absoluto silêncio, eu forcei aquela tábua solta no piso que usamos para nos esconder. Ofereci minha mão para ajudar Thaís a sair. Caminhamos pela sala e passamos pela cozinha, mas assim que olhei para uma das cadeiras, vi algo que fez meu coração se partir em mil pedaços. Em um reflexo rápido, eu cobri os olhos da minha irmã.

— O que está acontecendo, Roberta?

Thaís se debateu até que eu não pude mais segurá-la e, naquele momento, ela viu o nosso pai morto e todo ensanguentado naquela cadeira... no chão, o desenho de uma aranha feito com o sangue dele.

— Papai, papai! — gritava ela.

Quase perdendo as minhas próprias forças, eu tive que mantê-la de pé e sair puxando-a pela mão, e corremos em meio à escuridão. Vi alguns sinais de lanterna ao longe e tenho certeza de que era aquele assassino procurando por nós duas para terminar o serviço. Eu podia ouvir quando eles engatilhavam suas armas e falavam nossos nomes pelas ruas desertas. Caminhamos pelas avenidas e eu encontrei um bueiro entreaberto e então, nós duas entramos. O mau cheiro era insuportável, mas seria impossível fugir de tantos homens assim vagando juntas.

Caminhando pelo esgoto e entre os ratos que passavam por nossos pés, comecei a ouvir música alta do lado de fora e por outra saída, resolvi subir com minha irmã e estava vendo um grande Festival de música do lado de fora e poderíamos usar todas aquelas pessoas como disfarce. Voltei para nossa antiga casa... mandei que Thaís pegasse o resto das coisas que havíamos deixado lá e, enquanto isso, eu fui para o lado de fora e desenterrei a caixa que meu pai havia pedido para guardar dias atrás.

Dentro havia algo que parecia ser um mapa e nele continha uma carta do meu pai dizendo que aquele tesouro pertencia a Murath, um poderoso traficante que havia deixado uma grande riqueza vários anos atrás. Papai havia me incumbido da missão de proteger aquele mapa de cair nas mãos erradas e, para fazer isso, não poderíamos mais permanecer neste país. Eu sabia que o meu pai só confiaria que pedíssemos ajuda a uma pessoa, Rafael era um amigo de seu passado e ele nos ajudaria naquele momento.

— Já pegou todas as suas coisas, Thaís?

— Sim, o que vamos fazer agora sem o papai? — Ela chorou e eu a consolei.

— Continuar fugindo para bem longe, mas antes disso, precisamos encontrar uma pessoa!

Paguei um Uber para que nos levasse até lá, chegamos batendo na porta já altas horas da madrugada e, felizmente, ele estava lá para nos socorrer. Assim que passamos pela porta, eu pedi desesperadamente para que ele a trancasse e então contei tudo que havia acontecido, e Thaís soube o que o nosso pai fazia, na verdade.

— Garotas, o que fazem aqui? — perguntou ele, surpreso.

— Por favor, sei que é muito estranho que tenhamos vindo aqui a essa hora da noite, mas o senhor entende que estamos em uma situação desesperadora! Falei resumidamente tudo o que tinha acontecido.

— Claro que eu entendo Roberta, mas pretendem fugir para onde?

— Iremos para Porto Rico, e essa será a nossa única chance!

Ele assentiu, foi para dentro de um dos quartos e voltou um tempo depois com dinheiro e o entregou em minhas mãos. Aos prantos, chorei e o abracei. Eu não queria expor o perigo de nos dar abrigo, e sei que se permanecêssemos ali mais alguns minutos, aqueles homens nos encontrariam. Thaís e eu fomos diretamente comprar as passagens.

Infelizmente, conseguimos apenas para uma espera de uma hora, que seria contada por mim a cada minuto. Ficamos abraçadas no saguão do aeroporto, torcendo muito para que nenhum daqueles homens aparecesse. Infelizmente, não conseguimos o voo e fomos forçadas a pegar uma rota clandestina para encontrar alguém chamado Kanne.

[...]

Para a infelicidade de Roberta e Thaís, Rafael telefonou imediatamente para Érick com a intenção de contar o paradeiro delas e para onde pretendiam ir.

— Certo, agradeço pela informação!

Respondeu Érick, sabendo que elas não poderiam se esconder dele por muito tempo.

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