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Capa do romance OS SETE DRAGÕES - Morning Star

OS SETE DRAGÕES - Morning Star

Nesta narrativa de fantasia e romance em uma realidade alternativa, o enredo foca no plano de união matrimonial entre o clã Inu youkai e o Clã dos dragões. No entanto, o caminho para o casamento é repleto de obstáculos significativos. A trama explora as diversas dificuldades, preconceitos enraizados e fortes objeções que surgem de ambos os lados, desafiando a realização desse vínculo e testando a determinação das linhagens envolvidas diante das crises.
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Capítulo 2

– Não! Recuso-me a casar.

– Kanji, reconsidere. É pelo bem do nosso clã.

– Não vou me casar com uma humana imunda.

– Nem mesmo que esse casamento lhe renda o trono de um rico reino no ocidente?

Ele fez silêncio. Por um segundo pensou um pouco nas palavras de seu pai, tentadoras palavras. Era o mais jovem de dois irmãos, não herdaria o reino de seu pai e, por se tratar de um mestiço, dificilmente, algum Clã Youkai oferecer-lhe-ia uma princesa. Não havia muitas escolhas para Kanji, mas seu orgulho o impedia de admitir isso. Takeo, com sua habitual firmeza, perguntou:

– O que me diz?

Kanji responde emburrado olhando para Takara, que observava a conversa sem maiores intromissões. A mulher apenas lhe lançou um olhar cúmplice, que apenas o filho perceberia:

– Não sei...

Takara, mãe de Kanji e segunda esposa de Takeo, assistia a conversa em silêncio com seu rosto impassível. Quase sempre, a rainha preferia não tomar parte nas discussões do pai com os filhos e, raramente, emitia opinião. A não ser quando o marido, já impaciente com a teimosia de sua prole, exigia a opinião dela.

Shuji, o irmão mais velho de Kanji, filho do primeiro casamento do rei, um Inu youkai completo e poderoso, ouvia a conversa atentamente, mesmo parecendo um tanto alheio à discussão, como se isso fosse possível a qualquer ser naquele castelo. Permanecia apenas sentado com seus olhos fechados e o rosto baixo, quando sentenciou para a surpresa de todos:

– Eu me caso com a princesa humana.

Todos o olharam, estavam surpresos, sem entender a reação do príncipe herdeiro do reino do Oeste. A verdade era que o ambicioso príncipe via um futuro muito mais promissor para si nas terras ocidentais do que no reino que herdaria naturalmente.

O reino, o qual falavam no oriente, era muito maior que o do Clã Inu Youkai, famoso pelos produtos que exportava e temido por seu poderio militar. Como no ocidente não havia youkai, apenas humanos, o príncipe observou uma ótima oportunidade de conquistar grande poder e domínio com tal casamento arranjado, assim deixaria o reino do Oeste para seu irmão caçula, que poderia fazer o que desejasse.

Ao ouvir aquela frase do enteado, o qual sempre tratou com o mesmo carinho que seu próprio filho, a rainha questionou, incrédula:

– Você tem certeza, meu querido? Você é o herdeiro de seu pai, não necessita dessa atitude.

– Eu sei.

– Então, Shuji? O que pretende?

Perguntou Takeo, começando a se impacientar com a atitude de ambos os filhos, o príncipe falou com sua habitual frieza:

– Apenas será melhor se eu assumir o trono do reino do ocidente.

– Por que você, e não eu?

Pergunta Kanji, aos gritos, já imaginando a lógica do irmão, que se achava superior por ser um youkai de sangue puro:

– Kanji, você acabou de dizer que não se casaria com uma humana imunda.

– Ele detesta os humanos mais do que eu.

Retruca o garoto ao ouvir a afirmação do pai, que se intromete no assunto. O mais velho apenas observa a reação do irmão sem dizer uma palavra, levantando-se da poltrona onde estava sentado próximo à madrasta e reafirma antes de sair da sala:

– Estou disposto a aceitar o casamento com a humana.

– Volte aqui, maldito...

Grita Kanji, enquanto o irmão desaparecia da sala de reunião. Takeo ficou surpreso com a atitude do filho mais velho, enquanto observava Kanji esbravejando em direção à porta. Entendeu perfeitamente a decisão de Shuji, realmente ele era o mais indicado para assumir o trono daquele reino longínquo, e se ele desposasse a princesa humana, acabaria por fim os problemas do Clã Inu e, no futuro, seriam o maior e mais poderoso Clã Youkai que existiria.

Takara aproximou-se de Kanji, tentando acalmá-lo com sua habitual docilidade:

– Filho, acalme se. Você não desejava se casar com a princesa.

– Mas, mãe...

– Mudou de ideia?

– Não! Não sei...

– Então deixemos que seu pai decida.

Disse ela, olhando para o marido que estava de pé parado, no meio da sala, com o olhar pensativo. A verdade é que ele concordava com seu primogênito e ainda achava Kanji muito imaturo para assumir tamanha responsabilidade, ele sempre preferiu que o mais jovem de seus filhos reinasse sobre o Oeste, apenas não podia fazer isso por respeito a seu primogênito. Vendo a atual situação, disse:

– Muito bem, se essa é a vontade de Shuji, não me oponho. Nem você, Kanji, se oporás. Não queria se casar e não vai. Vamos, minha rainha.

– Pai???

– Já decidi.

Disse Takeo enquanto saia, conduzindo sua esposa pelo braço, com um sorriso que apenas ela percebeu. Iria com certeza contar o que estava planejando para o futuro dos filhos e essa o apoiaria como sempre fizera. Não andaram muito pelo castelo até chegar a suntuosa varanda principal, com sua vista do jardim. Vendo-se sozinha com o marido, Takara questiona:

– Quando a comitiva real chega?

– Em dois dias, meu velho amigo deve vir trazendo as princesas.

– São duas?

– Sim, mas ele só pretende casar a mais nova, pelo que me disse. Porém, eu tenho algo em mente.

– Esse Clã, por acaso, seria o dos dragões?

– Exatamente, minha rainha.

– Já posso até imaginar o que me dirá.

Takeo riu com a expressão da mulher, que já sabia que as princesas não eram simples humanas como haviam dito. Ele falava com toda a certeza das filhas do Lorde Hideki Higurashi, seu antigo companheiro de batalhas. Certa vez, o marido havia contado sobre a estranha origem daquele guerreiro impiedoso de olhos azuis.

Dizia a lenda que o guerreiro invencível era descente de um temível Dragão, chamado de Shooting Star, o qual lhe rendera poderes comparáveis apenas aos grandes Dai-youkai, mesmo esse sendo um humano. Depois de passar muitos anos no Japão, lutando ao lado de Takeo e dos Inu Youkai, voltou para o reino de sua família, onde assumiu o trono e suas responsabilidades.

Takara podia prever que seu marido não desejava apenas as terras daquele próspero reino, mas também desejava ter em sua linhagem, o lendário poder dos descentes de tão famoso ser. Claro que nada garantiria que a princesa tivesse os poderes de seu pai, mas o rei Inu youkai queria ver pessoalmente.

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