
Os Segredos do Meu Ex-Marido Fraudulento
Capítulo 3
No dia seguinte, comecei a procurar um advogado.
Liguei para a minha melhor amiga, a Sofia. Ela ficou furiosa quando contei o que aconteceu.
"Aquele desgraçado! Finalmente você abriu os olhos, Lúcia! Eu te avisei sobre essa tal de Ana desde o início!"
"Eu sei, Sofia. Eu fui uma tola."
"Não, você não foi uma tola. Você estava apaixonada. Mas agora você precisa ser forte."
Ela me recomendou um advogado, Dr. Mendes, conhecido por ser implacável em casos de divórcio. Marquei uma consulta para a semana seguinte.
Enquanto isso, a vida em casa tornou-se um inferno.
Pedro me ignorava completamente. Ele chegava tarde, comia em silêncio e ia direto para o quarto de hóspedes. A casa, que antes era nosso lar, agora era um campo de batalha silencioso.
Uma noite, ele chegou em casa mais cedo do que o habitual. Ele parecia estranhamente calmo.
"Lúcia, podemos conversar?", ele disse, sentando-se à mesa da cozinha.
Eu me sentei em frente a ele, esperando por mais uma briga.
"Eu pensei sobre o que você disse", ele começou, evitando meu olhar. "Eu acho que exagerei. Nós não precisamos nos divorciar."
Fiquei em silêncio, esperando que ele continuasse.
"Eu amo você, Lúcia. Você é minha esposa. A Ana... ela é só uma amiga que passa por um momento difícil."
"Um momento difícil que já dura os três anos do nosso casamento?", perguntei, minha voz fria.
Ele suspirou. "Eu sei como parece. Mas eu vou mudar. Vou estabelecer limites com ela. Eu prometo. Por favor, nos dê outra chance."
Por um momento, uma parte de mim quis acreditar nele. A parte que se lembrava dos bons momentos, do homem por quem me apaixonei.
Mas então, o celular dele vibrou sobre a mesa. A tela se acendeu.
Era uma mensagem de Ana.
"Estou com saudades. A cama parece tão vazia sem você."
Pedro rapidamente pegou o celular e o virou com a tela para baixo, mas eu já tinha visto.
Levantei o olhar do celular para o rosto dele. Ele estava pálido.
"Estabelecer limites?", repeti, minha voz cheia de um sarcasmo amargo. "Sua 'amiga' sente sua falta na cama dela, Pedro."
Ele não conseguiu dizer uma palavra. A mentira estava exposta, nua e crua, entre nós.
"Não há mais chances", eu disse, levantando-me. "Meu advogado entrará em contato com você."
Deixei-o sentado na cozinha, com a cabeça entre as mãos.
Naquela noite, eu não senti tristeza. Senti alívio. Como se um peso enorme tivesse sido tirado dos meus ombros.
Eu estava finalmente livre.
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