
Os Pecados da Outra
Capítulo 3
Um rapaz alto, loiro de olhos azuis, atravessou o portão do presídio que acabara de se abrir para ele. Eram oito horas da manhã, e um frio envolvia aquele lugar. Um vento agitou os seus cabelos, que estavam um pouco grande, chegando até o colarinho da camisa azul que ele usava naquele momento.
Felipe era um rapaz bonito de vinte e cinco anos, atlético, de musculatura rígida, que ele não deixou perder durante o tempo em que esteve preso. Fazia sempre ginástica no presídio para manter a forma. Ele olhou para o céu naquele momento, respirando fundo, e soltando devagarzinho o ar de seus pulmões, e agradecendo a Deus pela liberdade. Deixou a mochila no chão e abriu os olhos, olhando para o céu, girando, sentindo o efeito da liberdade.
Um carro parou do outro lado da rua, e uma mulher alta, de cabelos negros desceu. O impacto em vê-la, fez Felipe parar de girar e seus olhares se encontraram.
Mas o seu olhar para ela, não era um olhar doce e nem suave, era um olhar frio, com mágoa e ressentimento.
— Eva...
— Não me olhe desse jeito pelo amor de Deus... Eu fiquei sem chão quando você foi condenado, não tiver forças para aguentar, e Glauber me estendeu a mão...
— Como você quer que eu a olhe, depois de ter me abandonado nesse lugar e ter... E ainda por cima ter se casado com outro? Você se casou com o homem que fez de tudo para que eu fosse condenado! Eu fui condenado por um crime que eu não cometi! Abandonou-me nesse lugar, casou-se com outro, e ainda por cima teve um filho com ele!
O desprezo por Eva era evidente em seu olhar.
— Eu te amo, Felipe, eu nunca te esqueci... Foi besteira o que eu fiz, eu sei... – ela estendeu a mão para tocar o seu rosto, mas ele se afastou bruscamente.
— Me ama tanto, que se casou com outro, assim que me enfiaram nesse inferno! – disse ele, agitando os braços em direção ao presídio. – Mas uma coisa eu lhe digo, eu vou descobrir quem matou Max.
Dizendo isto, ele colocou a mochila nas costas e começou a andar, ignorando por completo Eva.
— Vai voltar para Campos do Jordão, para a fazenda do seu irmão?
— Se vou ou não, isso não é problema seu.
— Eu levo você.
— Não... Obrigado, vá cuidar do seu marido e do seu filho...
As lágrimas começaram a descer pelo rosto de Eva...
— Seu irmão está morrendo, sabia?
Felipe virou-se para ela, com ar preocupado.
— Durante esse tempo todo que eu estive nesse lugar, ele nunca veio me ver, afinal eu sou o fruto do pecado, sou um bastardo que ele odeia e despreza!
Um carro parou ao lado de Felipe, o vidro foi aberto automaticamente e Augusto com um sorriso, perguntou:
— Quer uma carona, amigo?
Felipe sorriu, abrindo a porta do carro, e entrou.
— Ela veio... – disse Augusto.
— Quero distância dessa mulher...
— Se quiser ficar em minha casa, você sabe que as portas estarão sempre abertas para você.
— Obrigado, meu amigo, mas por enquanto eu resolvi ficar em Pedra Maior, mesmo sabendo que não serei bem recebido pelo meu irmão.
Augusto arrancou com o carro, Eva ficou para trás, e tornou-se mais distante, quando ele pisou fundo no acelerador.
— Eu não concordo com o jeito que Sandro trata você. Eu sou contra mais ainda ele se negar a deixar parte da fortuna dele você. Sabia que ele quer que encontremos a filha dele a qualquer custo? Ele não quer morrer, sem antes vê-la. Ele fez o testamento, deixando tudo para ela... Deixou uma pequena cláusula, dizendo que se Camila não for encontrada dentro de dois anos após a sua morte, ou se ela por azar, estiver morta, aí sim toda a fortuna dele fica para você. Mas eu tenho quase certeza de que a moça está viva, e que vamos conseguir encontrá-la, ou seja, você não herda nada!
— Eu não quero o dinheiro dele, Augusto. Que Camila faça bom proveito da grana do pai.
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