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Capa do romance Os dois lados da mesma moeda - Monspie

Os dois lados da mesma moeda - Monspie

Viver no limite e encarar o perigo de perto sempre foi o vício do protagonista, que encontrava prazer na adrenalina de situações extremas e letais. No entanto, sua perspectiva sombria muda drasticamente ao encontrar Samir. Ela se torna sua luz e a razão fundamental para ele valorizar a própria vida. Agora, em meio ao caos do crime, ele nutre o desejo profundo de abandonar o risco para construir um futuro e uma família ao lado de seu grande amor.
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Capítulo 2

"Já matei alguns sentimentos, mas foi em legítima defesa."

— Zack Magiezi

Estou em um lugar meio sem cor. Caminho por um campo que creio ser de alguma mansão. — De repente meu coração acelera, custo a perceber, mas estou correndo.

— Não, não, não. — Grito em negação.

O estranho é que não sou eu quem estou falando, mas ouço a voz em um alto-falante, não, é como se eu estivesse dentro de uma sala com uma acústica elevada.

A verdade é que sabia onde estava, qual era a data de hoje e exatamente o que aconteceria. Me encontrava preso dentro do meu eu do passado, notei enxergar através dos olhos como um hospedeiro ou um espírito possuído em um corpo, mas era só isso, não tinha o controle de nada.

Como gostaria de voltar no tempo e ajudar meu amigo a impedir aquela tragédia que ficara marcada em nossas mentes para todo sempre.

Avistei um homem e corri até ele para pedir ajuda. Ao tocar em seu braço o mesmo imediatamente virou fumaça e uma névoa me cobriu. Em pouco tempo a cena mudou de foco como em um filme péssimo onde as câmeras se deslocam sem sentido algum. Estou de volta ao campo. Encaro minhas mãos que estão sujas de sangue, fecho meus olhos e sinto um peso sobre elas como se estivessem amparando alguém. Meu coração me traía, deixei de senti-lo em meu peito porque o mesmo agora estava em minha garganta e o pânico me consumia por completo. Sabia o que segurava, porém, não queria rever essa cena novamente e que atualmente me faz visitas anuais, marcadas pelo dia fatídico. Sempre na data do aniversário da Lis, habitualmente, o mesmo sonho. Lutei com meu subconsciente para me acordar desse pesadelo e em um movimento lento percebi a cabeça indo ao encontro do que eu não queria ver.

— Por favor! — grito para mim — Não olhe para ela.

Tentei o inevitável, mas já era tarde demais, os meus olhos encaravam o corpo da minha irmã caçula sem vida. — Morgan — Meu eu do passado, olha mais adiante e visualiza o Baby ainda menino com a Elise nos braços. De repente, estou fora de mim ainda jovem, observando o local de cima com a cena de quatro corpos próximos um do outro. Meu tio, Izadora, Lis e a minha irmã, todos mortos. Entretanto, a minha dor aumenta incessantemente quando vejo Oli, limpando o sangue das suas mãos desesperadamente.

— Ele fez tudo que podia. — balbuciei — E eu? Fui o covarde que saiu correndo abandonando tudo de mais importante que tinha na minha vida!

Minha família.

Um vento forte sopra me levando para longe, meu corpo entra em um tornado que me transporta ao centro dele a toda velocidade me erguendo para o alto, assim que me vi fora do mesmo acreditei que veria o sol como nos filmes. Hm, vi três caixões sendo sepultados. Foi breve e a imagem ainda mais curta do que os cinco segundos que o YouTube te obriga a assistir às porcarias das propagandas. Pisquei e fui sugado pelo mesmo moinho de vento que dessa vez me levava ao encontro do chão e como em um pesadelo perverso acordei me debatendo na cama.

— Porra! — berrei me sentando. Respiro fundo tentando alinhar meus pensamentos — outra vez — Suspiro sentindo a brisa que vinha da janela arrepiando minha pele úmida.

Permiti meu corpo colidir contra a cama molhada de suor. Encaro o teto e reconheço o lugar. Não demora muito mamãe invade o quarto extremamente angustiada.

— Mons, filho! — a mulher nova demais para idade que tem alisa meu rosto — Novamente né, meu príncipe?

— Essa porra mãe, toda vez a mesma coisa! — choramingando sendo bajulado por ela — Como cheguei aqui?

Pergunto, já que não faço ideia de como consegui chegar em sua casa.

— Você tem a chave meu filho, acordei com seus gritos e vim para cá correndo e pelo seu cheiro vejo que bebeu, como sempre. — O tom de voz muda para um rosnado e logo uma mão pequena vai direto para minha cabeça.

— Onde está aquela mãe amorosa de um minuto atrás Brienna? — a questiono já que está me batendo — Para mãe, por favor.

— Me chame por meu nome novamente que quebrarei seus dentes. — me ameaça — Brienna, onde já se viu? Tenha mais respeito.

Exasperada se levanta e sai apressada.

— Será que todas as mães são assim? Enfim, vou tomar um banho. — Me levanto e vou para o banheiro do meu antigo quarto.

Debaixo da água morna tento relaxar meus músculos tensos.

— Mais um ano que vivenciei a cena mais triste da minha vida.

Após um banho rápido coloco uma calça e decido pernoitar na minha mãe. Sinto o cheiro do café e como em um desenho animado dos anos 90 fui puxado pelo aroma da bebida que muito em breve estará descendo por minha garganta. Assim que chego à cozinha imensa da minha mãe encontro a mulher chorando com uma xícara entre os dedos. Brienna é muito jovem para a idade que tem e com seus cabelos negros por alguma tinta que usa para camuflar os fios brancos tem uma aparência muito jovial, branca de olhos negros e fios longos, quem não sabe sua idade a colocaria na faixa dos 50. Caminho para perto dela me sentindo culpado, já que foi por minha causa que ainda está acordada.

— Desculpa mãe, não quis te acordar. — sentindo-me culpado beijo seus cabelos cheirosos — Me perdoa.

— Tudo bem, colocarei um pouco de café para você. — levanta para me servir e não demora nada já estamos bebendo nosso café as 03:00 AM — Mons pare de beber meu filho, por favor.

— Eu não bebo mãe. — Confesso.

Estou falando a verdade, o único dia que faço isso é hoje, o dia de falecimento da Morgan e das meninas. Provo da bebida quente e exageradamente forte.

— Mãe, sem açúcar! — Exclamo já que está muito amargo.

— Bebe tudo se não já sabe. — sou ameaçado — Hoje tenho uma audiência muito importante.

— Amanhã estarei de volta a Bagram. — comento vendo sua cara de preocupação — Mãe essa é a última.

— Eu sei, Antoni me falou. — encolhendo os ombros desabafa — Jantamos ontem e comentou que está se aposentado. Filho. — faz uma pausa em seguida segura minha mão — Vamos voltar para casa, sinto falta dos meus meninos, sou a única figura materna que eles têm e o Baby. — respira fundo fazendo uma careta lembrando do meu primo — Esse, vive se metendo em problemas e precisa de mim por perto, já que é o pior de todos vocês.

— Não quero voltar para a Suíça, mas você pode ir. E-er você está saindo com meu general mamãe? — Tento sondar.

— Não saio de Nova York sem você. — afirma — Ficaremos aqui juntos então.

Dou-lhe um beijo na bochecha e procuro algo para comer. Faço um lanche e volto a dormir, ficarei com ela até minha viagem de amanhã.

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