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Capa do romance Obsessão do mafioso.

Obsessão do mafioso.

Barbara vê seu mundo ruir após perder seu porto seguro. Para financiar uma cirurgia vital, ela aceita um empréstimo do temido pai de Diego, um poderoso líder da máfia. Presa a essa dívida, ela é forçada a trabalhar em um bordel, mergulhando em um jogo perigoso de traições e lealdades incertas. O que Barbara ignora é que ela sempre foi o objeto de obsessão desse mafioso cruel, sendo a única capaz de amansar sua frieza e transformar seu destino sombrio.
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Capítulo 1

No quarto do hospital era um microcosmo, de luz fluorescente e cheiro de desinfetante. Mas desta vez estou feliz por estar aqui!

Minha coluna ainda doía, mas a dor era uma amiga constante.

Minha família passou anos vendendo o que podia para continuar com meu tratamento e agora, na ultima não tinha mais o que vender, ou como pagar, parecia o fim, mas a Carol conseguiu um empréstimo e enfim víamos a luz no final, ou melhor o inicio da minha vida. Iria ser uma pessoa ‘normal’, sem operações, sem cadeiras de rodas!

A operação, uma esperança vendida a peso de ouro, prometia uma chance de escapar da prisão metálica que me prendia desde a infância

Três meses haviam se passado desde a cirurgia, que abriu caminho para o futuro que eu tanto ansiava.

Minha mãe entra no quarto, com os olhos inchados

No entanto, as notícias que se seguiram foram um golpe devastador. Carol, minha única amiga, minha confidente e protetora, partiu de maneira trágica e suspeita.

O azul do céu além da janela perdeu seu brilho, e o futuro que se delineava agora estava obscurecido pela sombra da perda.

"Barbara, filha, precisa ser forte. A dor em todos nós sempre vai existir, mas temos que fazer tudo para superar a perda da Carol. Ela sempre enfrentou tudo por ela e por você. Precisa ir ao velório ou nunca irá se perdoar por não ter se despedido"

Disse minha mãe, os olhos refletindo sua própria tristeza.

A dor nas palavras de minha mãe encontrou eco na minha alma.

Eu sabia que não podia fugir da realidade. Era preciso encarar a despedida amarga e dar adeus à única pessoa que acreditou em mim quando o mundo me via como defeituosa.

Levantei-me da cama com cuidado, sentindo as dores persistentes da cirurgia.

Vesti um vestido preto, que minha mãe trouxe, tornou-se não só um ritual ou tradição, e sim uma escolha instintiva que refletia não apenas o luto, mas também a escuridão que me envolvia naquele momento.

Rodei minha cadeira de rodas para fora do quarto, onde meus pais aguardavam para levar-me ao velório.

O local estava impregnado de tristeza e pesar quando chegamos.

As condolências dos "amigos" de Carol pareciam vazias, um eco distante que mal atingia meu coração entorpecido pela dor, nem as frases falsas que continuariam ao meu lado me afligiam.

Apenas um fato me trouxe de volta a realidade.

Os membros insensíveis de um grupo cruel, Ingrid, Diego e os outros entrando no salão onde a minha querida era velada, lançavam olhares de desdém enquanto eu tentava ignorar as provocações, focando na despedida que queria proporcionar à minha prima.

Mas ver Ingrid com cabelos negros que caíam em cascata pelos ombros, seus olhos, em sua tonalidade azul profundo, muitas vezes emanavam uma frieza penetrante. com uma expressão que oscilava entre a indiferença e o sarcasmo. Sua postura era altiva, sempre assumindo uma atitude de superioridade em relação a mim. Inteligente e calculista, ela não hesitava em utilizar suas habilidades verbais afiadas para ferir os meus sentimentos.

Para mim ela sempre foi a encarnação do mal, a proximidade dela do caixão, foi demais precisei sair para fora do salão para respirar fundo.

Depois de algum tempo os vejo vier em minha direção.

O grupo cruel, que me maltratavam, chamando-me de ‘Barbie defeituosa’, aproveitaram a oportunidade para intensificar suas provocações.

Tentei afastar , mas a encarnação foi mais rápida e se aproximou já lançando seu veneno.

- Olha a Barbie defeituosa enfim está como merece, sozinha e com dor!

Nunca respondi a uma ofensa antes, e quando pensei em fazer algo aconteceu me deixando surpresa, pois sempre ouvi minha prima dizer que o Diego era o pior de todos...

- Some Ingrid! Quero que preste atenção pois falarei só esta vez, a quero longe da Barbara. Ela não pode ser tocada por nem um de vocês! E você Barbara sua prima odiaria te ver aqui com a Ingrid, volta para seu velório em outro momento conversaremos.

Eu jamais irei falar com ele... Pensando isso fui rodando minha cadeira para dentro.

O céu estava cinza e nublado, como se a tristeza daquele dia tivesse tomado conta até mesmo do clima.

O cemitério, normalmente silencioso, era agora um lugar cheio de soluços abafados e suspiros pesados.

Eu estava ao lado do caixão, meu olhar fixo na última despedida para minha prima e única amiga, Carol.

O peso da dor esmagava meu peito, tornando cada respiração uma tarefa árdua.

O vento frio cortava minha pele, mas a frieza externa não se comparava ao gelo que se espalhava por meu coração.

A perda de Carol era como um soco, uma realidade dolorosa que eu não estava preparada para enfrentar.

O padre conduzia as palavras finais, oferecendo consolo e esperança, mas tudo parecia distante para mim.

Eu estava imersa em minha própria dor, mal percebendo as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

A sensação de estar sozinha no mundo era avassaladora, e o luto me envolvia como uma sombra gélida.

Enquanto o caixão era baixado na terra, uma tontura repentina me atingiu.

O solo parecia mover-se sob minha cadeira de rodas, e minha visão embaçada indicava que algo estava errado.

O luto misturava-se à angústia, transformando-se em uma mistura sufocante que ameaçava me levar.

Um zumbido persistente ecoava em meus ouvidos quando tentei respirar fundo para manter a compostura.

No entanto, a intensidade da dor emocional era avassaladora.

Um aperto agudo em meu peito anunciou o desmaio iminente.

Subitamente, tudo ao meu redor parecia distorcido e distante.

As vozes dos presentes tornaram-se um murmúrio distante, as flores se misturavam em cores borradas. Tentei me apoiar na cadeira, mas a dor lancinante da cirurgia da perda me tomou.

O desmaio me envolveu como um abraço sombrio, levando-me para longe da dura realidade do enterro.

Quando recobrei a consciência, estava deitada em um banco próximo ao local do enterro.

Os murmúrios distantes se transformaram em vozes mais nítidas, preocupadas com minha condição.

A dor da perda permanecia, mas o desmaio temporário proporcionou um breve refúgio da realidade cruel que me aguardava. Aos poucos, ergui-me, apoiando-me no banco. Meus olhos cansados ainda refletiam a tristeza, mas agora também carregavam uma determinação silenciosa. Eu não estava apenas lutando contra a dor física, mas contra o fardo emocional que a vida lançara sobre meus ombros. O enterro de Carol, marcado por desmaios e dor, era apenas o começo de uma jornada mais sombria que se desenrolaria diante de mim.

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