
O Último Suspiro e o Primeiro Despertar
Capítulo 3
A campainha tocou pontualmente às nove da manhã.
Fui abrir a porta. A minha mãe, a Laura, e a Clara estavam do lado de fora, a sorrir.
"Feliz aniversário, minha querida!" disse a minha mãe, abraçando-me com força.
Clara entregou-me um presente embrulhado.
"Parabéns, mana."
O seu sorriso era doce, mas os seus olhos eram frios. Eram os mesmos olhos que eu vi no carro.
Forcei um sorriso.
"Obrigada. Entrem, o pequeno-almoço está quase pronto."
Sentámo-nos à mesa. Pedro serviu café a todos, agindo como o marido perfeito.
A minha mãe não parava de falar sobre os preparativos para o meu jantar de aniversário naquela noite.
"Convidei toda a família, Sofia. Vai ser uma grande festa."
"Mãe, talvez seja melhor não," comecei a dizer, mas Pedro interrompeu-me.
"Claro que vamos fazer. A Sofia merece a melhor festa de sempre."
Ele piscou-me o olho, mas eu só senti um arrepio.
Clara colocou a mão no braço de Pedro de uma forma demasiado familiar.
"O Pedro tem razão. Temos de celebrar."
Observei-os. A forma como se olhavam, os toques subtis. Era óbvio, agora que eu sabia o que procurar.
Como pude ser tão cega?
Depois do pequeno-almoço, a minha mãe insistiu que eu e a Clara fôssemos às compras.
"Vão comprar um vestido bonito para a festa desta noite. É por minha conta."
Eu não queria ir, mas recusar levantaria suspeitas.
"Está bem, mãe."
No centro comercial, Clara puxou-me para uma loja de luxo.
"Este ficaria perfeito em ti, Sofia."
Ela mostrou-me um vestido vermelho, caro e vistoso. O mesmo vestido que eu estava a usar quando fui atropelada.
O meu sangue gelou.
"Acho que não. É demasiado chamativo."
"Não sejas tonta. É o teu aniversário, tens de brilhar."
Ela empurrou o vestido para as minhas mãos.
"Vai experimentá-lo."
No provador, olhei para o meu reflexo. A mulher no espelho parecia assustada e perdida.
Respirei fundo. Eu não era mais essa mulher.
Saí do provador, a segurar o meu próprio telemóvel, que tinha levado comigo.
"Tens razão, Clara. É perfeito."
Comprei o vestido. Mas não era para brilhar. Era para lhes dar uma falsa sensação de segurança.
Eles pensavam que o seu plano estava a funcionar na perfeição.
Não sabiam que eu já conhecia o final.
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