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Capa do romance O trato da vida

O trato da vida

Determinada a ascender socialmente, Lía aposta todas as suas fichas em um matrimônio estratégico com Nicolás. Ela busca o luxo e o poder que apenas um bilionário pode oferecer, enquanto ele esconde suas próprias motivações por trás dessa união de conveniência. No entanto, o acordo pragmático entre os dois perde o sentido quando sentimentos reais começam a surgir. À medida que as aparências se desfazem, eles descobrem que o amor pode ser a maior surpresa do contrato.
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Capítulo 1

Lía olhou para o contrato à sua frente com a mesma determinação com que havia enfrentado cada passo importante de sua vida. A luz suave do entardecer iluminava o cômodo, criando uma atmosfera acolhedora no escritório de Santiago, mas não era o brilho do sol que a mantinha focada. Era a promessa de estabilidade, de poder, de finalmente pertencer a um mundo que sempre observara à distância. Uma assinatura, pensou, e seu futuro estaria garantido.

O contrato não era uma simples formalidade. Era a porta de entrada para uma nova vida e, ao mesmo tempo, uma corrente invisível que a prenderia a uma existência que ela jamais imaginara - mas que agora não podia mais recusar. Tinha trabalhado demais para chegar até ali, jogado todas as suas cartas para construir uma vida melhor, e agora que a oportunidade se apresentava diante dela, não podia falhar.

A caneta repousava em sua mão como uma ferramenta de mudança. Tão simples e tão definitiva. Cada letra que escrevesse seria uma decisão irrevogável, mas ela sabia que não podia hesitar. Se queria ascender à alta sociedade, se queria o poder, o dinheiro, a vida com que tanto sonhara, esse era o preço.

Lía levantou os olhos e viu Santiago de pé diante dela. Ele, como sempre, estava impecável, vestido com um terno escuro que acentuava sua elegância natural. Não havia nada em seu rosto que sugerisse que aquela era uma decisão difícil para ele. Santiago fizera da cautela sua bandeira, e naquele momento, seu olhar fixo nela não revelava nada. Nada que ela não pudesse interpretar como uma promessa do que ambos esperavam obter com aquele acordo.

- Tem certeza disso? - perguntou ele, com a voz baixa e tranquila, como se já soubesse a resposta. A pergunta pairou no ar, mas não havia necessidade de confirmação.

Lía não respondeu de imediato. Seus olhos percorriam a linha da assinatura no fim do contrato, aquelas palavras que pareciam pequenas, mas que representavam a base de tudo o que ela queria construir. Um contrato que não só lhe oferecia um lugar na elite, mas também segurança e tranquilidade em todos os aspectos de sua vida. Em troca de um compromisso que, embora formal, não precisava ser profundo nem emocional.

Era um acordo de conveniência. Ambos sabiam disso.

Santiago, com a paciência que lhe era característica, deu um passo em sua direção. Seus movimentos eram sempre controlados, sem espaço para improvisos. Observou o contrato por um momento e depois a olhou novamente, seus olhos escuros refletindo a calma com que parecia lidar com todas as situações.

- O que fizer depois disso não é problema meu, Lía. Apenas garanta que tudo continue conforme o combinado. Nós... não precisamos nos complicar. - disse, mantendo uma postura firme, mas ao mesmo tempo distante.

Lía sentiu vontade de responder, mas em vez disso, assentiu lentamente, convencida de que tudo o que ele dizia era verdade. Não precisavam se complicar. Haviam chegado a um acordo mútuo e, enquanto cumprissem suas partes, tudo ficaria bem. Não havia espaço para emoções naquele pacto. Tratava-se apenas de cumprir um papel, de fazer o que se esperava deles. E se conseguissem fazer isso, ambos sairiam ganhando.

- Eu entendo perfeitamente, Santiago. Não estou em busca de amor, nem de complicações - disse, com a voz firme. Apesar de sentir uma leve pressão no peito, o medo não era suficiente para impedi-la. Não podia recuar agora.

Santiago observou suas mãos enquanto ela pegava a caneta. Sua atitude permanecia inalterada, e o silêncio entre eles era confortável, quase ritualístico. Assim como ela, ele compreendia que suas vidas seguiriam um curso previsível, sem surpresas. E era exatamente isso que ambos desejavam: estabilidade, uma vida tranquila, mas sem sobressaltos.

- Então, vamos assinar o contrato. - A ordem de Santiago foi tão clara e direta quanto o restante de suas palavras. Lía não hesitou. Pegou a caneta, molhou-a na tinta e assinou com uma caligrafia clara, sem vacilos. O som da caneta sobre o papel foi o único indício de que algo importante estava acontecendo.

Quando a tinta secou, Lía voltou a olhar para Santiago. Pela primeira vez durante toda a reunião, permitiu-se um pequeno sorriso. Um sorriso frio, calculado, mas também libertador. Finalmente havia conseguido o que tanto desejara: o acesso a um mundo que sempre cobiçara. A alta sociedade, a vida sem preocupações, o poder que vinha com o sobrenome de um homem influente. Não precisaria mais se preocupar com seu futuro, pensou.

- Bem-vinda à sua nova vida, senhora de García. - A voz de Santiago rompeu o silêncio, mas não era uma frase carregada de emoção ou romantismo. Apenas uma declaração formal. Lía assentiu, já acostumada àquela distância, àquela ausência de emoção em seu tom.

- Obrigada, senhor García. - respondeu de forma automática, sem deixar que suas palavras soassem emotivas demais. Estava perfeitamente consciente de que não era uma mulher que se deixava levar por sentimentos desnecessários. Restava apenas cumprir seu papel e esperar que tudo saísse conforme o planejado.

O acordo estava feito, mas os sentimentos de ambos continuavam um mistério. Lía não conseguia evitar uma leve inquietação ao pensar no futuro, mas sabia que nada poderia mudá-lo. Esse casamento seria apenas uma fachada, uma forma de entrar no círculo fechado que sempre desejara. Nenhum dos dois esperava que as coisas fossem além de um simples acordo. No fundo, ela sabia que nunca se apaixonaria por Santiago. Era um homem distante demais, calculista demais. E ela mesma tinha seus próprios objetivos, seus próprios medos que preferia não enfrentar.

Santiago deu um passo atrás, como se a assinatura não tivesse mudado nada em sua vida. Apenas mais um trâmite. Mais um item na longa lista de tarefas para garantir seu futuro. Seu olhar permanecia o mesmo - frio e distante - mas com um toque de respeito que Lía não pôde ignorar. Não era um respeito por ela como pessoa, mas pela imagem que ele sabia que ela representava. A esposa perfeita. O acessório ideal para sua vida pública.

Ambos sabiam que o que haviam assinado não passava de uma fachada. Um contrato legal, uma promessa vazia de sentimentos, mas cheia de benefícios para os dois. Lía teria tudo o que sempre sonhou: pertencer a esse mundo de luxo e elegância. Santiago, por sua vez, manteria sua imagem intacta e evitaria ser visto como o homem solitário, aquele que não conseguira formar uma família.

Ambos sabiam o que esperavam um do outro. Nenhum esperava mais. E, no entanto, no fundo, algo começava a nascer. Um fio invisível que os unia, algo que nem eles sabiam ainda como lidar.

Lía guardou a caneta com delicadeza, olhando para o contrato mais uma vez. O silêncio voltou a preencher o ambiente, mas dessa vez, o peso da decisão parecia mais intenso do que nunca.

Santiago quebrou o silêncio, como sempre, com calma:

- Nos vemos no baile de amanhã. - disse. Era um convite, mas também uma instrução. Como se já estivesse preparado para assumir o papel de marido, mesmo sem senti-lo de fato.

Lía assentiu, sorrindo levemente, embora sua mente estivesse a mil por hora. Amanhã seria mais um passo. Um passo em direção ao mundo que sempre desejou. E, no entanto, não conseguia deixar de se perguntar se o futuro que havia traçado seria realmente tão simples quanto imaginava.

- Até amanhã, Santiago. - respondeu. E, embora suas palavras fossem corteses, sua mente estava distante. Sabia que o acordo era apenas o começo. E, ainda que seus corações não estivessem envolvidos, algo começava a se formar entre eles. Algo que nenhum dos dois havia previsto.

Com essa última palavra, ambos deixaram o cômodo. A mansão de Santiago, tão grande e fria, parecia tão vazia de emoções quanto seus próprios corações. Mas o acordo estava selado, e agora só restava cumpri-lo.

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