
O Silêncio Que Afogou Um Amor
Capítulo 3
Dois dias depois, recebi alta do hospital.
Meu corpo estava fraco, mas minha mente estava clara.
Fui para casa para pegar minhas coisas. A casa que dividi com Pedro por cinco anos agora parecia um lugar estranho.
Havia fotos nossas em todos os lugares. Sorrindo na praia, abraçados no Natal, cortando nosso bolo de casamento.
Parecíamos felizes. Talvez já tivéssemos sido.
Fui para o quarto que tínhamos preparado para o Lucas.
O berço estava montado, as paredes pintadas de um azul suave com nuvens brancas. Pequenas roupas de bebê estavam dobradas na cômoda.
Meu coração se apertou tanto que tive que me apoiar na porta.
Pedro não estava em casa. Melhor assim.
Comecei a colocar minhas roupas em uma mala. Meus movimentos eram mecânicos, robóticos.
Então, ouvi a porta da frente se abrir.
"Sofia?"
Era a voz de Pedro.
Fiquei parada, de costas para a porta do quarto.
Ele apareceu na entrada, o rosto cansado e preocupado.
"O que você está fazendo?"
"Estou indo embora, Pedro."
"Indo embora? Para onde? Não seja ridícula. Nós podemos superar isso."
"Nós? Não existe mais 'nós'."
"Claro que existe! Nós somos casados! Eu sei que você está magoada, eu também estou. Perdi meu filho também, sabe?"
Aquelas palavras me atingiram.
Virei-me para encará-lo, os olhos secos.
"Você não o perdeu, Pedro. Você o jogou fora."
"Isso não é verdade! Eu não sabia que era tão sério!"
"Eu disse que a água estava subindo. Eu disse que estava com medo. Você escolheu ignorar."
Ele passou as mãos pelo cabelo, um gesto de frustração que eu conhecia bem.
"A Eva precisava de mim! Ela estava sozinha e desesperada!"
"E eu? O que eu era? Um inconveniente?"
"Sofia, por favor. Vamos conversar. Não tome decisões precipitadas."
Ele deu um passo em minha direção. Eu recuei.
"Não me toque. Já decidi. Quero o divórcio."
O rosto dele se endureceu. A preocupação foi substituída pela raiva.
"Divórcio? Você está falando sério? Depois de tudo o que passamos?"
"Especialmente por causa de tudo o que passamos."
"Você não pode fazer isso. E o nosso futuro?"
"Que futuro, Pedro? O futuro que eu queria morreu com o meu filho."
Fechei a mala. O som do zíper foi alto e final no silêncio do quarto.
Passei por ele, sem olhar para o seu rosto.
Ele agarrou meu braço.
"Você não vai a lugar nenhum."
"Me solta, Pedro."
"Nós vamos resolver isso."
"Não há nada para resolver. Acabou."
Puxei meu braço com força. O olhar dele era uma mistura de raiva e súplica.
Não me importava mais.
Saí da casa sem olhar para trás.
Você pode gostar





