
O Segredo no ADN
Capítulo 2
O médico entregou-me o relatório de ADN.
"O bebé não é do seu marido."
A sua voz era calma, mas as palavras atingiram-me com força.
O papel nas minhas mãos tremia. Eu olhei para ele, depois para o meu marido, Pedro, que estava ao meu lado.
Ele arrancou o relatório da minha mão, os seus olhos percorreram o papel rapidamente.
"Não é meu?"
A sua voz era baixa, quase um sussurro.
"Como é que isto é possível, Lúcia? Nós estamos casados há três anos."
Eu não consegui responder. O choque paralisou-me.
Eu nunca o tinha traído. Nunca.
Então, como podia o bebé não ser dele?
A minha sogra, a Dona Clara, que estava sentada no sofá, levantou-se de repente.
Ela arrebatou o relatório das mãos do Pedro.
"Deixa-me ver isso."
Ela leu o resultado e um sorriso de desprezo espalhou-se pelo seu rosto.
"Eu sabia. Eu sempre soube que tu não eras uma boa mulher."
Ela atirou o papel à minha cara. As bordas afiadas arranharam a minha bochecha.
"Lúcia, sua desavergonhada. Engravidaste de outro homem e tentaste fazer o meu filho de parvo?"
"Eu não o fiz," a minha voz saiu trémula. "Pedro, acredita em mim. Eu nunca faria uma coisa dessas."
Pedro olhou para mim, os seus olhos cheios de uma dor e confusão que eu nunca tinha visto.
"Então explica-me isto, Lúcia. Explica-me este papel."
"Eu não sei," eu disse, as lágrimas a começarem a formar-se. "Tem de haver um erro. Um engano no hospital."
"Um engano?" A minha sogra riu-se, um som áspero e desagradável. "O único engano aqui és tu. Uma fraude."
Ela virou-se para o Pedro, a sua voz cheia de veneno.
"Pedro, meu filho, tens de te divorciar dela. Agora mesmo. Não podemos ter esta vergonha na nossa família."
Pedro não disse nada. Ele apenas continuou a olhar para mim, a sua expressão a endurecer a cada segundo.
"Pedro..." eu implorei.
"Vamos para casa," ele disse finalmente, a sua voz fria como gelo.
Ele não esperou por mim. Virou-se e saiu do consultório, com a mãe a segui-lo de perto, lançando-me um último olhar de triunfo.
Eu fiquei ali, sozinha, com o relatório de ADN no chão aos meus pés.
O meu mundo tinha acabado de desmoronar.
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