
O Segredo do Subchefe: A Fuga de uma Noiva da Máfia
Capítulo 2
Laura POV:
Os pedaços quebrados do pássaro jaziam espalhados no mármore branco impecável. Era mais do que madeira. Era a última promessa do meu pai, um símbolo de uma lealdade que o matou e me aprisionou.
"Oh, meu Deus, me desculpe!", Sofia ofegou, mas seus olhos continham um brilho triunfante que ela mal disfarçava. Ela se abaixou, fingindo juntar os pedaços, e então soltou um grito agudo. "Ai! Eu me cortei."
Ela ergueu o dedo, uma minúscula, quase invisível, gota de sangue brotando.
Todo o comportamento de Dante mudou. A fria indiferença que ele me mostrava desapareceu, substituída por uma fúria sombria e protetora. Ele se ajoelhou ao lado de Sofia, pegando sua mão como se ela fosse feita de vidro.
"Você está bem?", ele murmurou, sua voz mais suave do que eu jamais ouvira.
Algo dentro de mim, algo que esteve silencioso e quebrado por três anos, finalmente estourou.
"Ela está mentindo", eu disse, minha voz trêmula, crua com uma fúria que eu não sabia que estava enrolada dentro de mim. "Ela fez de propósito. Verifique as câmeras de segurança, Dante."
Dei um passo à frente, e Sofia se encolheu contra ele, seus olhos arregalados de falso medo. "Dante, ela está me assustando."
Isso foi tudo o que precisou.
Eu dei um tapa nela. O som foi como um tiro na cobertura silenciosa.
A cabeça de Dante se virou para mim. Seu rosto era uma máscara de incredulidade que rapidamente se endureceu em pura ameaça. Ele viu meu desafio. Um insulto à sua autoridade, em sua casa, na frente de sua futura noiva.
"Você se atreve?", ele sussurrou, a palavra um rosnado baixo.
Ele se ergueu em toda a sua altura, uma sombra imponente de raiva. Ele caminhou em minha direção, e eu me preparei. Ele ergueu a mão — a mesma mão que me segurou e me machucou e me prometeu um futuro. Por um segundo, eu vi o golpe chegando. Uma humilhação pública e final.
Mas ele parou, sua mão pairando a centímetros do meu rosto. A violência em seus olhos era pior do que qualquer golpe físico.
"Nunca mais encoste nela", ele rosnou, sua voz carregada de uma promessa letal. "Saia."
Eu não precisei ouvir duas vezes. Peguei minha bolsa e fugi, sem nem olhar para trás, para os destroços da memória do meu pai em seu chão. No corredor, as portas do elevador se abriram. Ao entrar, tive um último vislumbre dele, de costas para mim, limpando gentilmente o dedo de Sofia com seu lenço.
A chuva fria de São Paulo me atingiu no momento em que pisei na rua. Encharcada em segundos, arrastei minha mala pela calçada, a memória uma torção cruel em meu estômago. Lembrei-me de quando tinha treze anos, quando um grupo de garotos mais velhos de um território rival me encurralou. Dante, com apenas dezesseis anos, apareceu do nada. Ele quebrou o nariz de um garoto e o braço de outro, postando-se sobre mim como um demônio guardião. "Ninguém toca no que é meu", ele rosnara então.
Agora, eu não era mais dele.
Os dias seguintes foram um borrão de luto e determinação sombria. Fiquei no pequeno apartamento que a pensão do meu pai pagara e comprei uma passagem. Só de ida. Para a Austrália. Para o Juliano.
A porta do meu apartamento se arrebentou, estilhaçando o batente.
Dante estava lá, seu rosto uma máscara de fúria fria. A chuva pingava de seu casaco preto no piso desgastado. Ele avançou sobre mim, me empurrando contra a parede até minha cabeça bater no gesso.
Sua mão se fechou em volta da minha garganta, não o suficiente para me sufocar, mas o suficiente para me manter cativa. Seus olhos estavam selvagens.
"Onde ela está?", ele exigiu, sua voz um ronco baixo e perigoso.
Eu o encarei, perplexa. "Quem?"
"Não se faça de idiota comigo", ele rosnou, seu aperto se intensificando. "Sofia. Ela sumiu. Deixou um bilhete dizendo que você a ameaçou, que você disse para ela desaparecer se quisesse o seu bem."
Ele se inclinou, seu rosto a centímetros do meu. "Então vou te perguntar mais uma vez. Onde ela está?"
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