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O Secretário

Débora, uma executiva de sucesso, decide contratar um secretário para gerenciar sua vida pessoal, inspirada por uma ideia divertida. No entanto, sua busca toma um rumo inesperado quando Christopher Traig surge para a vaga. O impacto é imediato e avassalador, transformando a relação profissional em um dilema emocional. Embora ele a trate com extrema dedicação, o amor parece fora de alcance, deixando Débora vulnerável à sedução e aos desejos de seu próprio coração.
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Capítulo 3

Christopher empenhou-se com afinco para que a festa fosse um sucesso. A decoração, as listas de compras, os empregados e os outros preparativos foram meticulosamente estudados e organizados.

— Se a sua criatividade para projetos de arquitetura for igual à sua organização, não faltarão convites para trabalhar nas me¬lhores firmas. Pense nisso, acho que vou contratá-lo eu mes¬ma... — Débora comentou, ansiosa para ver se ele já havia re-considerado sua posição.

— Já sou seu empregado — Christopher respondeu, com uma expressão amarga, desviando o olhar.

Na verdade, Débora não queria mais vê-lo como seu empre¬gado. Aliás, desde os primeiros dias de convivência percebeu que gostaria de tê-lo como amigo. Claro que era delicioso deixar-se cuidar por uma pessoa tão fascinante... Era uma experiên¬cia nova. Nem mesmo seus pais foram capazes de lhe dedicar tempo e atenção como ele fazia.

— Sabe, Christopher... Eu não vejo você como meu empregado.

— Mas eu sou. Fui contratado para fazer por você tudo o que uma mulher faz por seu marido, lembra-se?

— É verdade, mas marido e mulher podem se dar muito bem sem que um deles aja com superioridade.

— Alguém tem que ter a palavra mais forte, tomar as decisões...

— Não concordo. Na minha opinião, cada momento e úni¬co e a vida está cheia deles. Às vezes, um pode dominar melhor uma situação, às vezes, outro. Não acho que os papéis devam ser predeterminados.

Ele não disse nada, mas estava claro que não concordava com aquele ponto de vista. Débora então concluiu que, se um dia Christopher se casasse, o líder seria ele. Mas se escolhesse uma companheira como ela... Não, ela não conseguiria se submeter a uma relação machista.

— Se o seu espírito de liderança é tão forte assim, não en¬tendo como é que se submeteu a trabalhar aqui em casa.

— Nós fizemos um acordo. Nunca quebrei um contrato.

— Quer dizer que tudo faz parte de um acordo? Inclusive a maneira carinhosa como me trata, as conversas, a dedicação?

Christopher encarou-a e tomou-lhe o rosto com as mãos pa¬ra em seguida beijar-lhe os lábios suavemente.

— Débora, eu...

— Sim, Christopher?

Ela jamais vira aquele brilho nos olhos dele. Havia alguma coisa, um mistério naqueles olhos azuis. Agindo como se esti¬vesse travando uma batalha contra si próprio, ele se afastou bruscamente.

— Está na hora de você se arrumar para a festa. Eu também preciso me aprontar para um compromisso.

Christopher saiu, deixando-a atônita. Agora Débora não ti¬nha mais dúvidas. Ele lhe escondia alguma coisa e aceitara o emprego por motivos que ela desconhecia.

O estranho comportamento tinha, com certeza, algo a ver com Andrew Dominick e com a maneira reticente com que admitira conhecê-lo. E se ele tivesse sido contratado como um espião in¬dustrial? Depois que a Dominick Empreendimentos ganhara o Prêmio, esta hipótese não estava totalmente fora de cogitação.

Contudo, não tinha tempo de pensar no assunto agora. Lo¬go a casa estaria cheia de convidados. E para estar deslumbrante, Débora escolheu uma roupa simples, mas perfeita para a ocasião: um vestido de cetim turquesa justo que delineava suave¬mente as curvas do corpo.

Depois que se vestiu examinou-se no espelho. Caía-lhe mui¬to bem! Agora só faltava caprichar na maquilagem e pôr um belo par de brincos. Desta vez, nenhum colunista social teria motivos para criticá-la.

Os garçons já circulavam apressados e as copeiras arruma¬vam os últimos vasos quando Débora desceu. A casa já respi¬rava um clima de festa.

Quando Débora inspecionava os últimos detalhes, a campai¬nha tocou. Ela se examinou no espelho do hall pela última vez, antes de atender a porta. Ao abri-la seu sorriso sumiu dos lábios.

— Ah, Débora querida, como vai?

— Boa noite, sr. Hedges — respondeu secamente. — Eu não o esperava...

— Eu sei que não. Aliás, sei também que depois da minha última matéria você quer me ver longe, não é? Mas o jornalista que você convidou não pôde comparecer, então eu aproveitei a oportunidade...

— O senhor sabe que tenho razões de sobra para não querê-lo aqui.

— Lamento muito se não escrevi o que você queria ler. Te¬nho porém, um compromisso com meus leitores e com a ver¬dade. Mas, não se preocupe, estou aqui para fazer uma repor¬tagem, nada mais...

Débora teve vontade de expulsá-lo dali. Como alguém con¬seguia ser tão cínico? Mas qualquer atitude drástica seria um prato cheio para ele.

Nesse instante chegaram Paul Price e a esposa, dois dos ju¬rados do Prêmio WBG. Débora respirou aliviada pela oportu¬na interrupção.

— Sr. Price, que prazer em vê-lo!

— Por favor, me chame de Paul. Agora que o julgamento terminou, espero que nos tornemos amigos.

— Lógico. E bom contar com pessoas como você, só espero que não me acusem de coação — brincou ela.

Débora contou-lhe sobre sua alegria em desenvolver o proje¬to do Centro Empresarial, falou bastante sobre o local escolhi¬do e o desenrolar das obras. Os dois passaram um bom tempo conversando.

Quando a sala já estava repleta de convidados, ela circulou entre um grupo e outro, cumprimentando a todos.

Fez questão de ignorar a presença de Inky Hedges. De um canto da sala, ele não perdia nenhum de seus movimentos. Na certa estava farejando mais um escândalo.

— Se um olhar matasse, Inky Hedges já estaria morto — co¬mentou Garth, surpreendendo-a por trás.

— Você não está tão errado assim — respondeu ela, acei¬tando a taça de champanhe que ele lhe ofereceu. — Gostaria que este sujeito sumisse da face da terra.

— Não fale assim. Não se esqueça do poder da imprensa.

— É por isso que eu ainda não o mandei embora. Mas você parece aflito. Por acaso está procurando alguém?

— Sim, seu novo empregado. Pela voz, tenho certeza de que já o conheço.

— Esta noite ele está de folga.

Mesmo com essa informação, Garth saiu direto em direção a um rapaz que ele supôs ser Christopher. Débora divertiu-se com o embaraço que iria criar para si mesmo.

Garth estava tão aflito e Débora sabia a razão. Ele a amava e não via a hora de conhecer aquele que supunha ser seu rival.

Saindo dali, Débora resolveu verificar se ainda tinha vinho branco suficiente no bar. Quando ia saindo de trás do balcão, deparou-se com Inky Hedges que quase a comprimiu contra a parede.

— Quer me dar licença, por favor? — pediu ela, evitando-Ihe o olhar.

— Oh, sinto muito, é que a sala está muito cheia.

— Bem, parece que o senhor quer conversar comigo.

— Eu tentei lhe falar durante a noite toda, querida. Gosta¬ria de saber a sua opinião sobre o jovem Monroe estar na pre¬sidência da companhia rival à sua. Creio que já sabe que Darcy Monroe deixou o cargo depois do derrame.

— Sim, eu li alguma coisa a respeito — respondeu ela, ten¬tando entender onde ele queria chegar. — Ainda não tive opor¬tunidade de conhecê-lo, portanto não posso lhe dar minha opinião.

— Ora, Débora, não me venha com essa. O boato que você e o jovem Monroe estão juntos já corre pela cidade inteira.

— Você deve estar enganado, eu...

— Raramente me engano, querida, meus espiões trabalham muito bem.

Débora deu uma risada nervosa. Mais uma palavra e ela cha¬maria o segurança para expulsar Inky dali. Mas antes que dis¬sesse qualquer coisa ele continuou:

— Eu sei que Traig Monroe está morando nesta casa. Sei tam¬bém que anda para cima e para baixo com o seu carro. Isso você não vai poder negar, minha cara.

Ao ouvir o nome de Monroe, Débora perdeu a ação. Sempre que alguém se referia àquela família não costumava chamá-los pelo nome, mas sim como o velho Monroe e o jovem Monroe. Era coincidência demais que o segundo nome de Christopher fosse o primeiro do filho de Darcy Monroe. De repente, uma luz veio-lhe à mente.

Como pudera ser tão ingênua? Se Andrew Dominick estives¬se vivo e soubesse que um Monroe estava morando com ela, ele a expulsaria de casa. Agora as coisas começavam a clarear.

Inky Hedges estudava-lhe as reações, mas ela logo se refez do choque e esforçou-se para manter a calma.

— Bem, agora que o senhor já sabe, acho que seria inútil continuar escondendo a verdade.

— Quer dizer que as suspeitas são verdadeiras?

— Eu não disse isso. Bem... não se preocupe, logo você vai ler as novidades aa coluna de Dolores Hartmann.

— Você vai dar exclusividade a ela? Não entendo. Vocês não eram inimigas mortais?

— Pois é, este é o mundo dos negócios.

— É verdade. Mas tenho o pressentimento de que esta sua história com Traig Monroe é muito mais complicada do que aparenta ser. Mesmo que Dolores tenha a exclusividade, você não pode me impedir de fazer investigações. Parece-me muito estranho que o primeiro e segundo colocados no concurso este¬jam morando juntos. Ainda mais, quando as duas famílias são rivais nos negócios.

Inky Hedges fez uma pausa para terminar o drinque, sem ti¬rar os olhos dela.

— Acho que já entendi toda a trama. Talvez vocês tenham feito um acordo. A Dominick encarrega-se das obras, mas quan¬do o orçamento ultrapassar os custos estipulados, a Monroe en¬tra como consultora e ganha sua porcentagem. Certo?

— Sr. Hedges, desta vez o senhor passou dos limites. Por favor, queira sair já de minha casa.

— Está certo... está certo. Eu já estava mesmo de saída. Bem, até logo a todos.

Depois que ele saiu, as pessoas passaram a encarar Débora em meio a um silêncio constrangedor. Maggie aproximou-se dela e puxou-a para um canto.

— Aquela víbora! O que foi que ele lhe fez desta vez?

— Ele está querendo armar um escândalo; não acredita que ganhamos o prêmio lealmente.

— Então, ele está trabalhando à toa. Estive conversando com alguns juizes há pouco e eles comentaram que a vitória da Do¬minick foi mais que merecida.

Há pouco menos de uma hora, Débora sequer duvidava da legalidade da vitória. Mas ela não sabia que um Monroe a esta¬va enganando.

Como se tivessem combinado, logo após a saída de Inky Hed¬ges, os convidados foram se despedindo um a um, deixando Débora sozinha no imenso salão. Apenas as arrumadeiras ainda circulavam, recolhendo os restos da festa.

Ao ficar sozinha, Débora sentou-se numa poltrona e com o olhar perdido na taça de champanhe tentou entender os fatos que a pegaram de surpresa naquela noite.

Christopher Traig, ou Traig Monroe, a enganara. No princí¬pio, o relacionamento deles era puramente comercial, mas aos poucos fora se transformando em algo bem mais íntimo.

Mas como acreditar que ele estivera mentindo o tempo to¬do? O interesse que ele demonstrava por ela não era falso. Não podia ser!

Débora desejou que tudo aquilo não passasse de um pesade¬lo. Agora não podia mais mentir para si mesma: havia se apai¬xonado por ele. Jamais esqueceria o dia em que sentira as mãos fortes acariciando-lhe o corpo, a sua presença fascinante preenchendo-lhe o vazio da vida.

Deus! Que plano ele estava arquitetando? Se queria prejudicá-la, já havia conseguido. Ela já estava sofrendo.

— Acorde, Débora, é melhor ir para o quarto.

Ela demorou para entender o que se passava. Estava deitada no sofá, o copo de champanhe sobre a mesinha e Christopher ajoelhado a seu lado.

— Você não está se sentindo bem?

— Estou sim — respondeu ela, ainda meio sonolenta. — Não precisa se preocupar. Traig Monroe.

— Então você já sabe? Ainda bem!

— Ainda bem? Isso é tudo o que tem a dizer?

— Eu não sabia como ia lhe contar. Faz tempo que estava ensaiando para falar sobre isso.

— Você acha mesmo que acredito no que está dizendo?

— E por que não? É a pura verdade.

— Bem, então, é a primeira vez que está sendo sincero.

— Sei que mereço ouvir isso. Teria sido simples se eu não tivesse me apaixonado por você...

— Oh, não. Por favor, não precisa fazer drama. Seu papel de marido arrependido é plenamente dispensável. Só gostaria de saber por que fez isso.

— Precisava de provas contra você...

— Provas? Ganhamos aquele prêmio porque merecemos.

— Você acha leal roubar projetos de um concorrente?

— Como assim? Onde você quer chegar?

Traig foi até a porta de vidro e ficou de costas para ela, olhan¬do para o jardim de inverno.

— Comecei a trabalhar para você para encontrar provas de que Garth Dangerfield havia sido contratado em troca dos pro¬jetos do Centro Empresarial.

Débora teve a impressão de ainda estar dormindo. Como se não bastasse ter descoberto a verdadeira identidade de Christopher, ele ainda acusava seu melhor funcionário de deslealdade.

— Isso é loucura!

— Você não sabia que Garth trabalhou para nós?

— Sim mas...

— Ele lhe contou por que foi despedido?

— Garth disse que você tinha ciúmes por que ele se dava mui¬to bem com seu pai.

— E ele também lhe falou que trabalhava em benefício pró¬prio, aproveitando-se da doença de meu pai?

— Não, claro que não — disse, confusa.

— Ele não seria tão tolo não é? Mas foi o que aconteceu. Quando voltei de viagem e fiquei a par dos negócios, descobri o jogo dele e o despedi. Resolvemos não processá-lo na época e, agora, ele me dá o troco por deixá-lo impune. Roubou meu projeto e conquistou o prêmio.

— Para mim chega, já ouvi o bastante e não acredito numa única palavra. Saia daqui, saia da minha vida para sempre!

— Você não vai se livrar de mim assim tão facilmente. Nos lemos um contrato.

— Não. Ingrid é a responsável pelo contrato. Está certo, mas ela assinou sob ordens suas.

— Por que está fazendo isso comigo? — perguntou ela, já sem forças para continuar a discutir.

— Já lhe disse, preciso encontrar as provas.

— Por que não me procurou de outra forma? Talvez tivés¬semos chegado a um acordo...

— Você não me receberia.

— É verdade, talvez não mesmo.

— Foi o que pensei. Eu estava com Ingrid, contratando umas pessoas para a firma, quando você ligou pedindo uma "pessoa muito especial". Então eu disse que me candidatava ao empre¬go e que nós havíamos combinado uma brincadeira.

— E o que pretende fazer agora? Vai pedir para os juizes reexaminarem tudo?

— É muito tarde para isso. Além do mais, Garth levou to¬das as cópias do meu projeto e não tenho como provar.

— Então pelo que pude entender, você pretende ficar aqui até conseguir todas as provas.

Traig assentiu com um sinal de cabeça.

Débora lembrou-se, então, do que Inky Hedges lhe dissera a respeito da participação da firma de Traig Monroe como con¬sultora. Mas, para inclui-la no projeto, ela teria que estourar o orçamento ou o prazo. E faria de tudo para evitar isso.

Subitamente, ela teve uma idéia que desmoralizaria qualquer Monroe.

— E se eu desistisse do projeto em seu favor?

— Não tinha pensado nisso.

— Ora, não seja cínico. É claro que tinha. Você não conse¬guiu ganhar o prêmio honestamente e agora está pensando nu¬ma forma de recuperá-lo. Pois pode ter certeza de uma coisa, sr. Christopher Traig Monroe, ou qualquer que seja o seu no¬me, o seu plano não vai dar certo.

— Por que não checa minhas informações com Garth?

— É isso que você quer, não é? Não satisfeito de ter estra¬gado minha vida com sua presença nesta casa, agora quer se intrometer na minha vida amorosa também? Meu pai tinha ra¬zão. Não se pode confiar num Monroe.

— Fugir da verdade é bem típico de um Dominick. Você não quer enfrentar Garth com medo que ele confirme tudo o que lhe disse.

Traig já ia saindo da sala quando ela o chamou, não o deixa¬ria com a última palavra.

— Aonde é que você vai?

— Vou sair antes que esta discussão tome rumos perigosos.

— Nós temos ainda um contrato como você mesmo disse, não é mesmo? Isto significa que ainda sou sua patroa. Pensan¬do bem, suas obrigações ainda não terminaram.

—- Certo — respondeu ele, procurando controlar-se — A se¬nhora precisa de mais alguma coisa? Débora disse a primeira coisa que lhe veio à mente.

— Prepare-me um banho.

Assim que ele saiu, ela deixou-se cair no sofá. Precisava reu¬nir forças para continuar a enfrentar Traig. Na verdade, não queria tomar banho àquela hora da noite, mas o faria só para lhe provar quem é que estava com a palavra.

E, com tristeza, pensou mais uma vez no pai. Andrew Do¬minick tinha razão, qualquer membro da família Monroe só trazia problemas e Traig era, sem dúvida, o pior deles.

Como pudera ser tão ingênua acreditando que aquele rapaz atraente e provocante seria apenas seu empregado? Por que não seguira a sua intuição? Desde o princípio pressentira que uma situação absurda daquelas não iria dar certo.

Mas as palavras de Traig continuaram martelando na sua ca¬beça. Não tinha fundamento acusá-la de ter roubado os proje¬tos do Centro Empresarial. E certamente ele mentira ao falar sobre a saída de Garth da Monroe Investimentos. Desmorali¬zar seu melhor funcionário fazia parte do plano.

— A água já está quente — anunciou Traig.

Débora olhou para ele, entristecida com a situação. Estava se dando bem com Christopher e secretamente alimentara a es¬perança de tornar aquele relacionamento mais íntimo.

Agora, tinha de enfrentar a realidade: Traig Monroe estava ali para derrotá-la, não para amá-la. Olhando para ele, teve von¬tade de chorar e gritar toda sua raiva. No entanto, não lhe da¬ria o prazer de vê-la arrasada. Levantou-se e passou por ele de cabeça erguida.

Quando percebeu que Traig a seguira até o quarto, Débora planejou uma vingança. Faria com que ele sofresse as conse¬qüências de tê-la enganado.

Com movimentos lentos e sensuais, desabotoou o casaco, de¬pois a saia, deixando-os cair no chão. Espreguiçou-se languidamente e tirou a blusa de seda, deixando os seios à mostra.

Notou, satisfeita, que Traig estava tenso, esforçando-se ao máximo para não abraçá-la e sentir-lhe a pele macia. Ela dese¬jou ter coragem de desfazer os laços que prendiam a calcinha e ficar inteira nua na frente dele. Mas se não conseguisse man¬ter sob controle o desejo que se formava entre eles e se entre¬gasse à paixão, o seu plano de vingança de nada valeria.

Então, ela virou-se, despiu-se totalmente e sem olhar para trás entrou rápido na banheira. Quando ele aproximou-se com o óleo, ela ordenou:

— Primeiro os ombros e as costas, por favor.

Débora sentiu as mãos quentes tocarem-lhe o corpo e procu¬rou não demonstrar o efeito mágico que elas lhe causavam. Traig estava nervoso, a respiração ofegante.

— Você não está se sentindo bem? — perguntou ela, como se não soubesse que ele desejava tocar seu corpo de outra maneira.

— Ora, não se faça de boba. Você pensa que encontrou uma maneira de se vingar, não é?

— .E não encontrei?

— Pode ser. Acontece que está contando com a sorte.

— Por quê?

— Eu poderia tomá-la nos braços agora, carregá-la até a cama e amá-la durante a noite toda. E você não faria nada para me impedir.

— Você não faria isso! — respondeu ela, irritada.

— Não, você tem razão. — Traig levantou-se e enxugou as mãos'— Você pode pensar o pior de mim, mas asseguro-lhe que nunca amei ninguém à força. Sou um homem como outro qualquer. Por isso, enquanto ainda consigo me controlar, aconselho-a a sair daí e vestir o robe. Precisamos ter uma conversa.

— Vamos conversar sobre o quê?

Débora não teve resposta, pois Traig saíra deixando-a sozi¬nha. O que ele estaria planejando desta vez?

Antes da festa, pouco antes de ele sair, Traig dissera que pre¬cisava contar-lhe mais a seu respeito. Falara também que gos¬tava dela. Só de pensar nesta possibilidade, Débora sentiu o cor¬po todo estremecer. Mas era melhor não se deixar iludir. Antes de mais nada, ele era um Monroe, um traidor.

Imersa em pensamentos, ela terminou de se enxugar e, de re¬pente, sentiu uma tontura. Talvez tivesse exagerado no cham¬panhe ou talvez fosse muita emoção para uma noite só.

Mas, aos poucos, a sensação de fraqueza e mal-estar foi to¬mando conta do corpo todo. Com medo de perder os sentidos, ela tentou chegar até a porta. Foi inútil, suas pernas não obe¬deceram ao comando.

— Christopher!

Onde estaria ele? Sua visão ficou turva e ela desmaiou, cain¬do pesadamente no piso frio do banheiro.

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