
O Sacrifício Final de Uma Esposa
Capítulo 2
Elara fez uma mala na manhã seguinte. Suas mãos tremiam enquanto jogava roupas em uma valise. Ela tinha que sair. Tinha que tirar Jade daquele hospital e levá-la para um lugar seguro, longe de Diana Fontenelle e do homem que seu marido havia se tornado.
Ela ligou para um advogado, um amigo da faculdade. A conversa foi breve e brutal.
— Você assinou um contrato pré-nupcial, Elara — disse o advogado, a voz tingida de pena. — Tudo está no nome do Alex. O apartamento, os carros, as contas bancárias. Se você for embora, vai embora sem nada.
— Eu não me importo com o dinheiro — disse Elara, a voz tensa. — Eu me importo com a minha irmã. Preciso tirá-la de perto deles.
— Tenha cuidado, Elara. Essas pessoas são poderosas.
Ela desligou o telefone no momento em que Alex entrou. Ele viu a mala na cama. Não pareceu surpreso. Parecia cansado.
Ele segurava uma pequena caixa de veludo.
— Não vá — disse ele. Abriu a caixa. Dentro havia um colar de diamantes, uma peça tão extravagante que parecia obscena. — Diana se sente péssima com o que aconteceu. Ela queria que você ficasse com isto.
Elara encarou o colar, depois ele.
— Você acha que isso conserta as coisas? Você acha que uma joia compensa eles quase terem matado minha irmã?
— É um gesto — disse ele, a voz baixa. — Ela quer consertar as coisas.
— Eu vou embora, Alex. Vou pedir o divórcio.
Ele pousou a caixa e caminhou em direção a ela. Ele se movia com uma graça preguiçosa que não escondia o poder contido em seus músculos.
— Você não vai a lugar nenhum.
— Você não pode me manter aqui.
— Não posso? — ele perguntou suavemente. — Você não tem dinheiro. Nem emprego. Para onde você vai? Como vai pagar pelos cuidados médicos da Jade? É muito caro, Elara. E as contas não vão parar de chegar.
Ele estava certo. Ela estava presa. Sua vida como violoncelista profissional havia sido suspensa por ele, por sua carreira. Ela era completamente dependente dele, e ele sabia disso.
— O que você quer de mim? — ela sussurrou, a luta se esvaindo dela.
— Quero que você fique. Quero que seja minha esposa. — Ele estendeu a mão para tocar seu rosto, e ela se encolheu. Sua mão caiu. A dor em seus olhos era real, mas parecia apenas mais uma ferramenta de manipulação.
— Não me toque.
— Elara, por favor. Apenas... dê um tempo. Podemos superar isso.
— Superar o quê? Você deixar os capangas da sua chefe espancarem minha irmã e depois ameaçar a vida dela?
— Diana é frágil — ele argumentou, sua voz assumindo aquele tom familiar e defensivo. — Ela sofre. Aquele tiro... mudou tudo para ela.
Elara riu, um som áspero e quebrado.
— E o meu sofrimento? E o da Jade? Isso não importa nem um pouco?
Ele desviou o olhar, incapaz de encará-la. O silêncio foi sua resposta.
No dia seguinte, a ligação veio. Era a assistente de Diana.
— A Sra. Fontenelle não está se sentindo bem — disse a voz seca. — Ela acha sua música muito calmante. Ela solicita que você venha à mansão e toque para ela.
Não era um pedido. Era uma ordem.
— Eu não posso — disse Elara. — Minha irmã...
— Alex está ciente da situação. Ele já concordou em seu nome.
Quando Elara olhou para Alex, ele apenas assentiu.
— Vá. Isso a fará se sentir melhor.
Ela foi. Não tinha escolha.
Diana estava recostada em uma chaise em sua vasta e estéril sala de estar, uma imagem de beleza trágica. Alex estava ao seu lado, a mão repousando possessivamente em seu ombro. A visão fez o estômago de Elara se contrair.
— Elara, querida — Diana ronronou, sua voz como seda e veneno. — Obrigada por vir. Tenho sentido tanta dor.
Elara não respondeu. Desembalou seu violoncelo, seus movimentos rígidos e robóticos. Suas mãos pareciam objetos estranhos.
— Toque algo para mim — ordenou Diana.
Elara começou a tocar. A música era oca, desprovida da paixão que ela antes derramava em cada nota. Era apenas som.
— Mais sentimento, querida — disse Diana depois de alguns minutos, um sorriso cruel brincando em seus lábios. — Toque como se fosse de verdade. Toque até seus dedos sangrarem.
Os olhos de Elara dispararam para Alex. Ele estava lá, o rosto impassível, uma estátua esculpida em culpa e traição. Ele deu um leve, quase imperceptível aceno de cabeça. *Faça*.
Então ela tocou. Tocou mais forte, mais rápido, as cordas cortando as pontas macias de seus dedos. Ela ignorou a ardência, a dor crescente em suas mãos e pulsos. Uma hora se passou. Depois duas.
A música tornou-se frenética, dissonante. Seus dedos estavam em carne viva, a pele se abrindo. Pequenas gotas de sangue apareceram nas cordas, manchando a madeira de seu amado violoncelo.
— Pare — disse Diana finalmente, a voz tingida de diversão.
As mãos de Elara caíram ao seu lado, trêmulas e ensanguentadas. Ela não sentia as pontas dos dedos.
Diana se levantou e se aproximou, inspecionando as mãos de Elara com uma curiosidade clínica.
— Oh, querida. Olhe só. Você as arruinou. — Ela olhou para Alex. — Ela realmente te ama, para fazer isso por mim.
A mandíbula de Alex estava tensa, mas ele não disse nada. Ele observou enquanto Diana pegava um pano e limpava o sangue do violoncelo, seus movimentos lentos e deliberados.
— Eu acho — disse Diana, olhando para Elara com olhos frios e triunfantes — que este instrumento é precioso demais para você agora. — Ela passou uma unha bem-feita sobre as cordas, que haviam sido encomendadas especialmente e eram conhecidas por sua aspereza. Foram projetadas para volume, não para conforto. — Alex, seja um amor e cuide disso para mim.
Alex pegou o violoncelo do suporte. Ele caminhou até a lareira sem uma palavra e, com um único movimento violento, espatifou o instrumento contra o mármore. A madeira se partiu, o braço quebrando com um som como um osso se partindo.
Elara assistiu à morte de sua música, à morte de sua paixão, e não sentiu nada além de um vasto e frio vazio.
Alex voltou para o seu lado.
— Ela está se sentindo melhor agora — disse ele, a voz um murmúrio baixo. — Viu? Valeu a pena.
Ele pegou as mãos ensanguentadas dela nas suas, seu toque gentil agora, uma paródia grotesca de um marido atencioso.
— Vou te levar para casa. Vou limpar isso para você.
Elara olhou para suas mãos arruinadas, para os destroços de seu violoncelo na lareira. Olhou para o rosto de Alex, para o homem que acabara de assistir seu mundo ser destruído para o conforto de outra mulher.
— Por quê? — ela perguntou, a voz mal um sussurro.
— Para pagar a dívida — disse ele, como se fosse a única resposta que importasse. — Temos que pagar a dívida.
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