Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Retorno Implacável da Herdeira Injustiçada

O Retorno Implacável da Herdeira Injustiçada

Clara Mendes viveu dez anos como pária, acusada de um crime que não cometeu. Durante a festa dos pais, seu irmão CEO e a noiva dele, a real culpada, a humilham publicamente. Diante do desprezo familiar e do silêncio cúmplice de seus pais, Clara decide dar um basta à farsa. Sem lágrimas, ela abandona o evento e liga para um homem chamado Almeida. Determinada a recuperar seu futuro, ela busca ajuda profissional para iniciar sua vingança implacável.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

Durante dez anos, eu fui o escândalo vivo da minha família. Depois de ser incriminada por um crime que quase destruiu nossa empresa, fui transformada na pária, forçada a servir às mesmas pessoas que roubaram meu futuro.

Na festa de 40 anos de casamento dos meus pais, a humilhação atingiu seu ápice. Meu irmão, o CEO que construiu sua carreira sobre a minha ruína, estava no palco.

"Será que você não consegue fazer uma única coisa sem causar um desastre?", ele sibilou para mim na frente de todos. "Por uma noite, só por uma noite, você pode tentar não ser um completo e absoluto estorvo?"

A noiva dele, a verdadeira arquiteta da minha queda, observava com um sorriso vitorioso. Minha mãe olhava horrorizada — não com a crueldade dele, mas com a cena que eu estava causando. Meu pai simplesmente se virou, decepcionado.

Todos eles já tinham escolhido seus lados há muito tempo, e eu não estava em nenhum deles.

Depois de uma década absorvendo o desprezo deles por um crime que não cometi, algo dentro de mim finalmente quebrou. A culpa, a vergonha, o silêncio — era tudo uma mentira que eu não estava mais disposta a viver.

Mas eu não chorei. Eu não gritei.

Eu saí daquele salão com calma. Peguei meu celular. Disquei um número que encontrei na internet.

Uma voz rouca atendeu. "Almeida."

"Meu nome é Clara Mendes", eu disse, minha voz mais clara e forte do que tinha sido em anos. "Eu preciso contratar você."

Capítulo 1

Ponto de Vista: Clara Mendes

A festa de aniversário era uma aula de crueldade disfarçada de boas maneiras, e eu era a principal atração. Por dez anos, eu desempenhei meu papel: a pária da família, a arquiteta fracassada, a lembrança viva de um escândalo que quase despedaçou a Construtora Mendes. Minha penitência, como meu irmão mais velho Arthur chamava, era uma vida inteira de servidão silenciosa na empresa que um dia eu deveria ajudar a liderar.

Esta noite, no quadragésimo aniversário dos meus pais, não era diferente. O grande salão de festas da mansão deles brilhava com lustres de cristal e sorrisos falsos. Eu estava no fundo, um fantasma em um vestido simples, com as mãos firmemente entrelaçadas para impedi-las de tremer.

Arthur, CEO e salvador da família, estava no palco. Ele era bonito, arrogante e irradiava o tipo de confiança de quem nunca precisou duvidar do próprio valor. Ao seu lado, sua noiva, Camila Novaes, resplandecia. Ela o olhava com uma adoração tão perfeitamente ensaiada que poderia ter sido praticada por meses. Para todos os outros, ela era a mulher doce e solidária que apoiou Arthur e o ajudou a reconstruir tudo. Para mim, ela era a arquiteta da minha ruína.

"Quarenta anos", a voz de Arthur ecoou pelos alto-falantes. "Um testemunho de força, lealdade e integridade. Valores que são a base desta família e da Construtora Mendes."

Seus olhos, frios e cortantes, se voltaram para mim por uma fração de segundo. Foi um olhar deliberado, pontual, um lembrete de que eu era a exceção àquela regra. O salão estava quente, mas um calafrio familiar percorreu minha pele.

Camila se inclinou para o microfone depois dele, sua voz uma melodia suave e enjoativa. "E eu sou tão, tão abençoada por me juntar a esta família incrível. Uma família que conhece o significado do perdão e das segundas chances."

Seus olhos encontraram os meus, e um sorriso minúsculo e vitorioso brincou em seus lábios antes de desaparecer. Era só para mim. Uma punhalada sutil e particular.

Mais tarde, enquanto eu tentava discretamente reabastecer uma bandeja de taças de champanhe — uma das minhas muitas tarefas não oficiais —, Caio, meu irmão mais novo, se aproximou. Ele era um adolescente quando o escândalo estourou, e sua opinião sobre mim havia sido moldada inteiramente pela narrativa de Arthur.

"Tenta não derrubar isso, Clara", disse ele com um sorrisinho, pegando uma taça. "Não queremos outra bagunça cara nas nossas mãos, queremos?"

Seus amigos riram. Meu rosto ardeu em chamas, mas mantive minha expressão neutra. Eu aprendi há muito tempo que qualquer reação, fosse raiva ou lágrimas, apenas os alimentaria. Eu simplesmente assenti e continuei minha tarefa.

A humilhação final veio durante o corte do bolo. Era uma obra imponente de sete andares, um testemunho do amor da minha mãe por exibições extravagantes. Quando a equipe do buffet o trouxe, uma das rodas do carrinho prendeu na beirada de um tapete. A estrutura inteira balançou perigosamente.

Eu era a pessoa mais próxima. Sem pensar, me lancei para frente, minhas mãos disparando para firmar o carrinho. Consegui impedir que ele tombasse, mas no processo, minha manga roçou na lateral, borrando uma linha da cobertura branca e imaculada.

Um suspiro coletivo percorreu o salão.

Não era nada. Uma pequena imperfeição. Mas no teatro da minha família, era uma catástrofe.

Camila foi a primeira a falar, sua voz carregada de falsa preocupação. "Ah, Clara. Está tudo bem, querida. Acidentes acontecem." Ela fez parecer que eu tinha empurrado de propósito.

O rosto de Arthur se fechou em uma nuvem de fúria que eu conhecia bem. Ele se aproximou, o maxilar travado. Ele não olhou para o bolo; ele olhou para mim.

"Pelo amor de Deus, Clara", ele sibilou, sua voz baixa, mas audível no silêncio repentino. "Será que você não consegue fazer uma única coisa sem causar um desastre? Por uma noite, só por uma noite, você pode tentar não ser um completo e absoluto estorvo?"

As palavras me atingiram com mais força que um soco. Estorvo. Bagunça. Desastre. Os rótulos com os quais eles me marcaram por uma década.

Minha mãe parecia horrorizada, não com a crueldade de Arthur, mas com a cena que eu estava causando. Meu pai simplesmente se virou, sua expressão era de um cansaço decepcionado. Eles só queriam paz, mesmo que fosse construída sobre os escombros do meu espírito em pedaços.

Algo dentro de mim, uma corda que eu mantive esticada por dez anos, finalmente arrebentou. Os anos engolindo desaforos, absorvendo o desprezo deles, vivendo com uma culpa que não era minha — tudo veio à tona em uma onda silenciosa e sufocante.

Olhei para o rosto furioso de Arthur, para a compaixão de plástico de Camila, para a cegueira deliberada dos meus pais. Eu vi todo o ecossistema tóxico que vinha me envenenando lentamente.

Eu não disse nada.

Simplesmente coloquei a taça de champanhe que segurava em uma mesa próxima com um clique silencioso. Virei-me, de costas retas, e saí do salão. Eu não corri. Andei com uma calma que parecia estranha e libertadora.

Eu podia sentir os olhos deles nas minhas costas, uma mistura de choque e irritação. Eles provavelmente esperavam que eu me dissolvesse em lágrimas no meu quarto, para aparecer na manhã seguinte com um pedido de desculpas, pronta para retomar meu papel.

Mas enquanto eu caminhava pelo ar frio da noite em direção à pequena casa de hóspedes na propriedade onde eu morava, eu não estava pensando em desculpas.

Peguei meu celular. Minhas mãos estavam perfeitamente firmes agora. Abri o aplicativo do meu banco e olhei o saldo. Era o que restava das minhas economias secretas, dinheiro que eu juntei meticulosamente ao longo dos anos com o salário miserável que eles me pagavam. Não era muito, mas era meu.

Abri o navegador de internet. Não digitei "terapeuta" ou "novo emprego".

Digitei: "Melhor detetive particular de São Paulo".

Uma lista de nomes apareceu. Um se destacou, não por seu site chamativo, mas por seu slogan direto e sem rodeios: "A verdade custa caro. Mentiras custam mais."

Ricardo Almeida.

Pressionei o botão de ligar. Tocou duas vezes antes que uma voz rouca e cansada atendesse.

"Almeida."

Meu coração martelava contra minhas costelas, um pássaro selvagem lutando contra sua gaiola. Pela primeira vez em dez anos, não era de medo. Era de uma chama aterrorizante e eletrizante de esperança.

"Meu nome é Clara Mendes", eu disse, minha voz mais clara e forte do que tinha sido em anos. "Eu preciso contratar você."

Você pode gostar

Capa do romance A Cor do Nosso Reencontro
9.4
Em Valverde do Sul, Ísis Buonavitta e Giorgio Cezario tentam superar um amor juvenil interrompido por pressões familiares. Dez anos depois, Giorgio é um CEO pragmático noivo da interesseira Soraya, enquanto Ísis volta como artista para abrir sua galeria. Ao descobrir que o imóvel dos seus sonhos pertence ao ex-namorado, antigos sentimentos ressurgem. Entre o luxo corporativo e a arte, eles testam se o destino pode pintar um novo capítulo para ambos.
Capa do romance A Noiva Duplicada
8.4
Mia, uma atriz endividada, aceita o risco de se passar por Lara, uma herdeira que fugiu do próprio casamento. O plano era breve, mas os dias viram meses sob o teto do frio e perspicaz Hector. Enquanto finge ser a esposa ideal, Mia enfrenta chantagens e a constante ameaça de ser descoberta pelo marido controlador. Entre mentiras e uma paixão proibida, ela deve decidir se foge da farsa ou encara as consequências de um amor que nasceu de uma traição familiar.
Capa do romance Mentiras Doces Contadas por Você
9.7
A vida dela era marcada pela monotonia até o destino colocar um homem irresistível em seu caminho. O que parecia ser um encontro de sorte logo se revela um jogo perigoso, pois ele demonstra ser um aproveitador audacioso que vira seu mundo de cabeça para baixo. A maior reviravolta surge quando ela descobre a verdadeira identidade desse estranho: ele é o renomado e poderoso CEO de quem todos falam. Agora, nada será como antes nessa trama de enganos.
Capa do romance O Arrependimento Do Meu Ex-Marido: Demasiado Tarde
7.9
Raelyn Hayes viveu três anos de um casamento gélido com o bilionário Hugo Gordon. Ao descobrir que ele e sua melhor amiga, Raina, são amantes e que ela foi apenas um escudo para proteger o romance proibido deles, seu mundo desmorona. Hugo confessa que se casou por conveniência, mas exige que ela doe sangue para salvar a rival. Raelyn impõe uma condição íntima antes de assinar o divórcio, buscando libertar-se dessa farsa cruel e recomeçar sua vida longe da traição.
Capa do romance o CEO Nicolas Rossi Entre o Amor e a Máfia
8.4
Nicolas Rossi, novo Don da máfia e CEO, planeja restaurar sua família através de um casamento estratégico entre sua meia-irmã, Bianca, e o rival Riccardo. Contudo, ao conhecê-la, Nicolas é dominado por uma paixão proibida. Mesmo entregando-a ao noivo, a descoberta de um segredo muda tudo. Ele a rapta no altar, desafiando a máfia italiana e rompendo a paz. Agora, o casal enfrentará um inimigo furioso, priorizando o amor em um mundo onde o poder é a lei.
Capa do romance O destino quis assim.
9.0
Lupita vive de forma inconsequente até buscar um propósito e o amor real que só via em sonhos. O inesperado ocorre quando sua fantasia ganha vida em Frederic, seu novo professor. Ele é um homem misterioso que, embora também sonhasse com ela, tenta afastá-la para protegê-la de seu passado sombrio. Entre obsessão e rejeições dolorosas, uma conexão inevitável os une. Ambos devem enfrentar medos e segredos para viver esse sentimento predestinado.