
O retorno da lenda esquecida
Capítulo 3
No mesmo instante, um brilho prateado cortou o ar.
A lâmina de uma faca de cozinha voou pelo ar, cravando-se profundamente na mesa com um som estrondoso.
Mateus estremeceu e rapidamente puxou a mão de volta, chocado.
Aproximando-se, Kayce falou em um tom baixo e mortalmente sério. "A mão que ousou tocar minha esposa—arranque-a você mesmo."
Todos da Família Morris ficaram paralisados no lugar.
Kayce sempre fora o quieto. Eles pensavam que ele era do tipo que desaparecia quando surgiam problemas.
Ninguém conseguia entender que ele era o que tomava a frente agora.
Mateus torceu os lábios em um sorriso zombeteiro. "O que você acabou de dizer? Vai em frente, diga de novo. Acho que não ouvi direito."
Kayce repetiu, sua voz ainda mais fria, "Eu disse, a mão que tocou minha esposa—arranque-a você mesmo."
Os bandidos começaram a gritar, cercando Kayce com ameaças e xingamentos.
Mateus se aproximou, seu olhar ardendo de raiva. "Você realmente não sabe com quem está mexendo, sabe? Falando comigo assim, você assinou sua própria sentença."
Um riso leve e desdenhoso escapou de Kayce. "Apenas mais um marginal se achando importante. Não consegue lidar com isso sozinho? Eu faço por você."
Um estranho frio percorreu o peito de Rosalyn. Embora seus sentimentos estivessem confusos, um calorzinho cresceu dentro dela, despertado por Kayce defendendo-a.
"Você realmente acha que é alguma coisa, hein?" Mateus rugiu, pegando a faca da mesa e avançando em direção a Kayce. "Vou acabar com você agora mesmo!"
O horror varreu os rostos dos Morris.
"Cuidado!" Rosalyn gritou.
Em vez de recuar, Kayce se inclinou para o ataque, agarrando o pulso de Mateus no meio do movimento. Ele atingiu o cotovelo de Mateus com força com seu braço livre.
O som repugnante de osso quebrando encheu o ar enquanto o braço de Mateus se dobrava em um ângulo anormal, um osso branco áspero rasgando a carne.
Com um estrondo agudo, a faca caiu no chão.
Mateus caiu no chão, gritando de dor insuportável.
Ao seu redor, o resto da gangue ficou paralisado, muito atordoado para reagir.
Sem um pingo de hesitação, Kayce varreu seu olhar sobre eles e disse: "Caiam fora."
Acostumados a intimidar os indefesos, esses homens desmoronaram no momento em que enfrentaram alguém realmente perigoso.
Apressando-se para ajudar Mateus, alguns deles avançaram, arrastando-o em silêncio.
Atônita, a Família Morris observou enquanto tudo virava de cabeça para baixo. Nenhum deles conseguia entender a súbita mudança de Kayce.
Era difícil acreditar que este era o mesmo Kayce inútil que eles sempre desprezaram.
Quebrando o pesado silêncio, Kayce disse: "Kevin, pare de andar com canalhas como essa."
Suas palavras trouxeram todos de volta à realidade.
O rosto de Kevin ficou vermelho de raiva, e ele retrucou: "Desde quando você acha que pode me dizer o que fazer?"
Apesar de ter acabado de ser humilhado por um bandido, Kevin não mostrava medo de Kayce.
Kayce zombou, "Engraçado como você não era tão corajoso quando eles estavam intimidando Rosalyn."
Com os lábios apertados, Rosalyn disse: "Dê um tempo a ele. Ele ainda é jovem. É natural ter medo."
Mas Kevin já estava na casa dos vinte. Era uma desculpa fraca e todos sabiam disso.
Se Rosalyn tinha um defeito, era como ela mimava Kevin demais.
Com um profundo franzir de testa, Jenessa disse: "Resolver um problema não lhe dá o direito de nos dar ordens. Você não tem lugar para dizer a Kevin o que fazer."
Deixando escapar um suspiro profundo, Sebastião disse: "Entrar assim foi tolice. Havia maneiras melhores de lidar com isso. Será que brigar era realmente a resposta?"
"Isso mesmo," Jenessa disse asperamente. "Você acabou de fazer inimigos de bandidos de rua. E se eles aparecerem e destruírem o lugar? Como vamos manter o negócio vivo?"
Um riso silencioso escapou de Kayce, mas ele manteve seus pensamentos para si mesmo.
Não importa o que ele fizesse, ele sempre estaria errado aos olhos de Jenessa e Sebastião.
"Você tem ideia de com quem acabou de se meter?" Kevin disse furiosamente. "O irmão de Mateus é o capitão da equipe de segurança da mina sob Oliver Davies!"
Na terra rica em carvão de Aresphis, Oliver Davies era como um rei entre os homens. Sua equipe de segurança da mina era praticamente um exército privado que todos na cidade temiam.
"O irmão de Mateus trabalha para Oliver?" O rosto de Jenessa ficou pálido. "Deus nos ajude... estamos ferrados."
Seu olhar cortou direto para Kayce. "Você começou essa confusão. Você vai resolver isso. Nos deixe fora disso."
Com um tom calmo, Kayce respondeu: "Relaxa. Não vou arrastar vocês para isso."
Houve um tempo em que até os magnatas mais ricos abaixavam a cabeça na presença dele. Por que um bandido rico o abalaria agora?
Rosalyn lançou um olhar infeliz para seus pais e irmão. "Chega!"
Kayce tinha agido por causa dela. De alguma forma, ela se viu ao lado dele sem hesitar.
As coisas tinham tomado um rumo tão amargo que Sebastião e Jenessa desistiram e decidiram encerrar o dia. Trabalhar era a última coisa em suas mentes.
Como sempre, os Morris escapuliram. Kayce ficou para lidar com a bagunça.
Para eles, as tarefas eram o fardo dele.
Nada mudou hoje também. Kevin e o casal Morris desapareceram sem dizer uma única palavra.
Mas esta noite foi diferente. Pela primeira vez, Rosalyn ficou para ajudar.
Ela se inclinou sobre uma mesa, limpando-a, quando um pingente escapou de sua camisa.
O pingente era uma cruz de madeira esculpida, de um vermelho profundo com um acabamento suave, brilhando estranhamente sob a luz.
Ela o usava todos os dias.
Antes, Kayce nunca prestou muita atenção. Mas agora, com suas memórias restauradas, ele sabia exatamente o que era.
A escultura era feita de Witherwood—uma variedade rara e venenosa de sândalo que crescia nas profundezas da selva.
Ela emitia um tipo de gás nervoso. A exposição prolongada poderia levar a danos nos nervos.
Kayce ficou chocado ao perceber que Rosalyn estava usando algo tão perigoso.
Quebrando o silêncio, ele disse casualmente: "Rosalyn, você realmente não deveria mais usar esse colar."
Ela levantou a cabeça, pega de surpresa. "O que há de errado com ele?"
"A madeira é perigosa," disse Kayce. "Se você a mantiver por perto, pode te machucar sem que você perceba."
Rosalyn riu baixinho. "Eu me sinto bem. Melhor do que bem."
Claramente, ela achava que ele estava sendo ridículo.
Desta vez, a voz de Kayce se tornou séria. "Estou falando sério. Você precisa parar de usá-lo."
"Chega!" A frustração brilhou nos olhos de Rosalyn. Ela bateu o pano na mesa. "Eu pensei que concordamos em nos deixar em paz. Isso escapou da sua mente?"
Um pesado suspiro escapou de Kayce. "Tudo bem. Não vou mencionar isso de novo."
"Talvez você já tenha adivinhado que alguém especial me deu isso. Mas isso ainda não lhe dá o direito de se intrometer."
Sem dizer mais nada, Rosalyn se virou e foi embora.
Desde o início, Rosalyn via o casamento deles como uma simples transação. Ela lhe deu um lugar para ficar, e em troca, Kayce a ajudou a ganhar um apartamento.
Em sua mente, não havia nada mais entre eles.
Ultimamente, no entanto, ela tinha sentido uma mudança. Os sentimentos crescentes dele a assustavam, e toda vez que ele mostrava afeição, ela se afastava antes que pudesse se aprofundar.
Antes de hoje, Kayce teria corrido atrás dela sem pensar duas vezes. Mas hoje, ele não fez isso.
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