
O Retorno da Fênix
Capítulo 3
O rosto de Joana se contorceu em uma expressão de dor e incredulidade. As lágrimas, que antes eram um truque, agora pareciam genuínas, alimentadas pelo pânico.
"Isso é mentira!" ela gritou, sua voz embargada. "Maria, como você pode dizer uma coisa dessas de mim? Na frente de toda a nossa família! Eu sempre te admirei, sempre quis ser como você!"
Ela desceu o último degrau e se aproximou de Maria, tentando parecer uma vítima frágil e injustiçada.
"Eu não sei o que tem nesse pen-drive, deve ser um mal-entendido. Por favor, irmã, não faça isso. Você vai estragar o seu próprio lançamento."
Era uma performance magistral. Alguns parentes já começavam a olhar para Maria com desconfiança, sussurrando entre si sobre como a pressão poderia afetar a mente de uma pessoa.
Mas a Maria renascida era imune ao veneno da manipulação.
"Você não me admira, Joana. Você me inveja", respondeu Maria, com uma calma assustadora. "Você sempre quis o que era meu. Minha voz, meus fãs, meu contrato. E você estava disposta a me destruir para conseguir tudo isso."
Maria olhou para o sistema de som profissional que a gravadora havia instalado na sala para uma primeira audição exclusiva do álbum.
"Você diz que é mentira? Ótimo. Vamos ouvir, então. Vamos todos ouvir a 'obra de arte' que você criou."
Ela se moveu em direção ao equipamento de som, pronta para conectar o pen-drive.
Joana entrou em pânico total. Ela se jogou na frente de Maria, tentando bloquear seu caminho.
"Não! Para! Você não pode fazer isso!"
"Por que não?", desafiou Maria, seus olhos fixos nos de sua irmã. "Se não há nada a esconder, qual é o problema?"
Joana agarrou o braço de Maria, suas unhas cravando na pele.
"Você está louca! Vai se arrepender disso!"
Foi nesse momento que uma voz masculina, firme e irritada, cortou o ar.
"Maria! O que diabos você pensa que está fazendo?"
Daniel, o noivo de Maria, abriu caminho entre os convidados. Ele era o produtor musical em ascensão, cuja carreira decolara graças à sua associação com Maria. Ele olhou para a cena – Maria parecendo agressiva, Joana chorando desconsoladamente – e imediatamente tomou partido.
"Solte sua irmã agora mesmo!", ele ordenou, puxando o braço de Maria com força. "Você perdeu o juízo? Olhe o que você está fazendo com ela!"
Ele envolveu Joana em um abraço protetor, lançando a Maria um olhar de pura reprovação.
"Eu não acredito nisso. Depois de todo o trabalho que tivemos neste álbum, você decide ter um ataque de ciúmes e estragar tudo? Joana só queria te ajudar."
Na vida passada, a traição de Daniel tinha sido uma das facadas mais dolorosas. Vê-lo defender Joana com tanta convicção, mesmo antes de a ruína dela se concretizar, era a prova de que ele nunca esteve verdadeiramente ao seu lado.
"Você não sabe de nada, Daniel", disse Maria, com desprezo.
"Eu sei que você está agindo como uma criança mimada e cruel!", ele retrucou, sua voz aumentando. "Se você não parar com esse circo agora mesmo, pode esquecer o nosso casamento. Nenhuma gravadora vai querer uma artista instável e escandalosa, e eu certamente não vou querer uma esposa assim."
A ameaça pairou no ar, pesada e feia. Ele estava usando o futuro deles, a reputação dela, tudo, para chantageá-la e fazê-la recuar. Os convidados prendiam a respiração, observando o drama se desenrolar como se fosse uma novela.
Maria olhou para o rosto de Daniel, o homem a quem um dia prometera seu coração, e sentiu apenas um frio gelado. A ameaça dele não a assustava. Pelo contrário, apenas fortalecia sua determinação.
Ela não ia recuar. Não desta vez.
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