
O Retorno da Ex-Namorada Vingativa
Capítulo 3
No dia seguinte, a hostilidade de Lucas e Camila se tornou mais sutil, mas não menos perigosa. Enquanto eu passava por eles no corredor, Lucas se inclinou e sussurrou, a voz baixa o suficiente para que apenas eu ouvisse.
"Sabe, Sofia, algumas pessoas simplesmente não têm sorte. Não importa o quanto tentem, o destino delas é o fracasso. Tenha cuidado com o que você bebe antes de provas importantes."
A ameaça velada me atingiu como um soco no estômago. Minhas unhas se cravaram na palma da minha mão com tanta força que senti a pele ceder. Ele estava falando sobre o vestibular da minha vida passada.
A memória voltou com uma clareza nauseante. Na noite anterior ao exame, Lucas apareceu na minha casa. Ele disse que queria me desejar boa sorte, que ainda se importava comigo como amigo. Ele me trouxe uma bebida energética especial, uma que ele mesmo havia preparado, dizendo que me ajudaria a ficar acordada e focada. Eu, a tola ingênua, acreditei nele.
Bebi tudo.
Na manhã seguinte, acordei com uma dor de cabeça terrível e uma confusão mental que me impedia de pensar direito. Durante o exame, as palavras nas páginas se embaralhavam. Eu não conseguia me concentrar, não conseguia lembrar as fórmulas mais simples. Fui reprovada por uma margem mínima. Mais tarde, descobri que a bebida estava batizada. Ele havia me drogado.
E quem conseguiu a última vaga no curso de design de moda, a vaga que deveria ter sido minha? Camila.
A peça final do quebra-cabeça se encaixou. Lucas não apenas me sabotou, ele fez isso para beneficiar sua nova namorada. Eles planejaram tudo juntos.
Respirei fundo, forçando o tremor a parar. Olhei para Lucas, que esperava uma reação de pânico. Em vez disso, encontrei seu olhar com uma frieza que pareceu surpreendê-lo.
"Obrigada pelo conselho, Lucas. Vou me lembrar disso," eu disse, com a voz firme.
Virei as costas e continuei andando, mas meu coração batia descontrolado. A raiva era uma chama fria dentro de mim. Ele não era apenas um traidor manipulador, ele era estúpido. Achar que a mesma artimanha funcionaria duas vezes? Achar que eu era a mesma garota indefesa? Ele e Camila estavam tão consumidos por sua própria ganância e arrogância que não conseguiam ver o que estava bem na frente deles: eu não iria cair de novo. Desta vez, eu estava pronta. Minha vingança não seria barulhenta ou dramática. Seria metódica, silenciosa e absoluta.
Enquanto eu me afundava nos estudos, Lucas e Camila mergulhavam de cabeça em sua própria destruição. Lucas, acreditando que já tinha a aprovação garantida por se lembrar das questões do vestibular da vida passada, abandonou completamente os estudos. Ele passava as noites em claro, não para estudar, mas para jogar online ou sair com Camila.
Ele começou a matar as aulas do período da noite, as mais importantes para a revisão final. Em vez de estar na sala de aula, ele estava em shoppings, comprando presentes caros para Camila. Um dia era um par de tênis de edição limitada, no outro, o último modelo de celular. O dinheiro, eu sabia, vinha de sua mãe, Dona Clara, que o mimava e acreditava em cada mentira que ele contava sobre seu "progresso excepcional" nos estudos.
A reputação de Lucas na escola começou a declinar rapidamente. Ele, que antes era visto como um aluno popular e promissor, agora era o cara que fazia exibições de mau gosto no pátio e andava com um grupo de repetentes e desordeiros.
Não demorou muito para que as consequências oficiais aparecessem. Uma manhã, o nome dele foi lido no sistema de som da escola.
"O aluno Lucas Andrade, da turma 302, está recebendo uma advertência formal por excesso de faltas não justificadas nas aulas noturnas e por comportamento inadequado nas dependências da escola. Solicitamos a presença dos pais ou responsáveis na diretoria."
A humilhação pública pareceu não afetá-lo. Pelo contrário, ele parecia se orgulhar dela. Para seu novo círculo de amigos, aquilo era um distintivo de honra.
Eu o vi mais tarde, no corredor, rindo com seus novos companheiros. Camila estava ao seu lado, mas seu sorriso não chegava aos olhos. Ela parecia mais preocupada com a imagem deles do que com a atitude dele.
Uma tarde, eu estava descendo as escadas da biblioteca, com os braços cheios de livros, quando dei de cara com eles no patamar. Lucas estava bloqueando a passagem, com um sorriso zombeteiro.
"Olha só, a futura operária de fábrica," ele disse, alto o suficiente para que outros alunos ouvissem. "Estudando tanto para quê, Sofia? Algumas pessoas nascem para brilhar, outras para viver na sombra."
Seus amigos riram. Camila acrescentou, com a voz pingando veneno: "Deixe-a em paz, Lucas. Ela precisa se esforçar muito. Afinal, inteligência não é para todos."
Eles esperavam que eu explodisse, que chorasse, que lhes desse a reação que eles tanto queriam.
Eu apenas os olhei, um por um. Meu olhar passou por Lucas, por Camila e por seus amigos risonhos. Eu não disse uma única palavra. O silêncio era mais poderoso do que qualquer insulto que eu pudesse proferir.
Abaixei a cabeça, não em submissão, mas para focar no meu caminho. Dei um passo para o lado, contornando-os como se fossem obstáculos irrelevantes na minha frente, e continuei a descer as escadas.
O silêncio que deixei para trás foi pesado e desconfortável. As risadas morreram. Eu não precisava brigar com eles. Eles estavam ocupados demais destruindo a si mesmos. Tudo que eu precisava fazer era continuar em frente, um passo de cada vez, em direção ao futuro que eles me roubaram. E desta vez, ninguém me impediria.
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