
O Retorno da Ex do CEO
Capítulo 3
POV Verônica
— Mamãe, deixe-me ficar aqui por alguns dias! — Eu pedi, quase implorando.
Ela tragou o cigarro lentamente, deixando a fumaça escapar de seus lábios com uma tranquilidade fria. Eleonora andou pela sala de estar, onde móveis provençais faziam a decoração parecer uma revista de luxo. O robe branco de cetim que ela vestia resvalava graciosamente por entre suas canelas enquanto se movia.
— Sinto muito, mas não posso. — respondeu ela, colocando o cigarro pela metade no cinzeiro de prata.
— É só por uma semana. Logo, falarei com o David na reunião com o advogado. Tenho certeza de que ele mudará de ideia. — Eu insisti, tentando parecer confiante, mesmo sentindo meu mundo desmoronar.
— Sério? — Ela levantou uma sobrancelha bem feita com um toque de sarcasmo em sua voz. — Olha a foto que a minha amiga enviou. — Virou a tela do celular em minha direção. — Acho que seu marido já arrumou uma substituta.
David posou para uma foto ao lado de uma linda mulher que usava o primeiro colar de diamante que ele me deu quando nos casamos. Eu mal podia acreditar no que via. Aquela mulher era Chiara Berlusconi. Ela fingiu ser minha amiga por meses e dizia que David era apenas como um irmão de consideração. Tudo não passou de uma grande mentira. Talvez David e Chiara já estivessem juntos antes dele me expulsar de casa.
— Incompetente! — A voz de Mark ecoou pela sala assim que ele entrou, o seu tom estava carregado de desprezo. — Todos estão dizendo que seu casamento com David acabou.
— Já te devolvi o dinheiro. — Eu tentei responder com firmeza, mas minha voz falhou.
— Estúpida! — Ele vociferou, ainda mais irritado. — Saia da minha casa.
— Preciso de um lugar para passar a noite.
— Não, você não vai ficar aqui. — Ele aumentou ainda mais a voz, aprumando-se em sua postura robusta e dominante.
Apesar de ter quase trinta anos, Mark era jovem, atlético, e apreciava mulheres mais velhas e elegantes, como Eleonora.
— Por favor, mãe! — Meu olhar suplicante se deteve na mulher que permanecia sentada no sofá.
— Vá embora, Verônica. — Ela repetiu as palavras de David, mas com uma frieza cortante.
— Como pode fazer isso comigo, mamãe? — As lágrimas ardiam em meus olhos, enquanto a dor de anos se acumulava. — Primeiro, você me largou com meu avô no Brasil depois que meu pai morreu e agora, você está me deixando de lado outra vez!
— Você não é minha filha, Verônica. — A voz dela se alterou, cheia de amargura. — Seu pai era caminhoneiro, e um dia ele trouxe você para casa depois que sua mãe biológica não quis você. Perdi cinco anos de vida cuidando de uma criança que nunca foi minha filha. Agora que sabe a verdade, dê um fora daqui. — Enxotou-me sem piedade.
— Então, foi por isso que a senhora me deixou no Brasil com o meu avô? — Perguntei, as palavras quase engasgadas na garganta.
— Claro, aquele velho te adorava, e eu queria viver minha vida!
Saí do Brasil aos dezoito anos para encontrar Eleonora na Itália. Eu queria ajuda para cuidar das despesas médicas do meu avô, que estava com câncer, mas acabei entrando em um acordo com dois pilantras que destruíram a minha vida.
De longe, Mark passou a mão na barba bem feita. Um sorriso cruel surgiu em seu rosto enquanto ele ouvia a discussão.
— Já chega, pode ir embora, Verônica. — Eleonora se levantou, cortando qualquer laço que ainda pudesse existir. — Preciso dar atenção ao meu marido. — E foi ao encontro de Mark.
Nunca senti tanto rancor pela mulher que um dia acreditei ser a minha mãe.
Ao sair da propriedade de Mark Santoro, pedi a um jardineiro que chamasse um carro. Quando cheguei ao ateliê, tirei a aliança de casamento do dedo e a entreguei ao motorista para pagar a corrida.
Na manhã seguinte, abri o ateliê, mas nenhum cliente apareceu. Esperei dias, fiz algumas propagandas nas redes sociais, mas logo descobri que muitas clientes estavam falando mal das roupas que produzi.
Antes, eu mal tinha espaço na agenda, mas depois da separação, não havia mais nada que eu pudesse fazer para manter o ateliê funcionando. Tive que demitir minhas funcionárias e fechar o estabelecimento.
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POV David
No dia do divórcio, eu só queria assinar os papéis e sair daquela sala que me sufocava. Não fiz questão de olhar na cara da minha ex-mulher. Meu estômago embrulhou quando cruzei a porta, e então, Chiara que veio ao meu encontro.
— Podemos fazer as malas para a viagem. — A voz melíflua de Chiara indagou.
— Primeiro, vamos passar uma semana em Miami e depois, ficaremos alguns dias na minha casa de veraneio em Ibiza.
Chiara segurou o meu braço quando entramos no elevador. Ainda falávamos sobre o roteiro da viagem quando uma voz conhecida chamou:
— Espere, David!
Verônica tentou nos alcançar quando as portas do elevador estavam se fechando. Antes que minha ex-mulher se aproximasse, eu entrelacei os meus dedos aos de Chiara. Quando ergui os meus olhos, tive um rápido vislumbre do rosto petrificado Verônica.
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POV Verônica
Chiara segurava a mão de David e ainda teve a audácia de acenar para mim antes de desaparecer pelas portas que se fechavam. As lágrimas de ódio brotaram nos meus olhos. Pensei em descer as escadas e acabar com aquela talarica, mas ao pensar no bebê em meu ventre, eu desisti.
Arrasada, voltei para a sala onde assinei os papéis do divórcio e peguei as coisas que o advogado de David me entregou.
— A senhora assinou regime de separação de bens na data do casamento, portanto, o que cada um de vocês possuía antes da união permanece de posse exclusiva das partes. — Ele explicou, formal.
— Não posso ficar com o carro?
— O senhor Caccini deu o Audi A1 de presente para a amiga dele, mas depositou uma quantia de cinquenta mil euros na sua conta bancária.
Isso mal dava para cobrir as dívidas do meu ateliê. Como eu pagaria os salários das funcionárias, os fornecedores e o aluguel da loja?
— E quanto às minhas roupas, os meus sapatos e meus acessórios? — Perguntei, tentando manter alguma dignidade.
— O assistente do senhor Caccini deixou algumas malas com seus pertences. Vou pedir para minha secretária conduzi-la até a sala onde estão as suas bagagens.
— E quanto ao meu bebê? Estou grávida!
— Já falou com o senhor Caccini sobre isso? — Havia um tom de surpresa na voz do advogado
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