
O Renascimento da Princesa
Capítulo 3
Enquanto me preparava para sair, chamei Lúcia. Ela entrou, o rosto ainda iluminado pela excitação da notícia.
"Senhora, precisa de algo?"
"Sim, Lúcia. Você tem sido uma empregada leal e dedicada", comecei, observando a expressão dela se tornar presunçosa. "O Príncipe Lucas precisará de mais pessoal para ajudá-lo agora que a casa terá mais responsabilidades. Pensei em você."
Os olhos dela se arregalaram. "Eu, senhora?"
"Sim. Quero que você sirva diretamente ao príncipe. Ele precisa de alguém de confiança ao seu lado, e eu confio em você."
Na minha vida anterior, Lúcia me traiu por muito menos. Ela envenenou minha comida a mando de Clara, tudo por um par de brincos de ouro e a promessa de se tornar a criada chefe de Clara quando ela se tornasse a senhora da casa. Lúcia era ambiciosa e gananciosa, e eu usaria exatamente isso contra ela. Colocá-la ao lado de Lucas era o mesmo que colocar uma espiã no campo inimigo, uma espiã que pensava estar trabalhando para o outro lado.
Lúcia ficou em êxtase, mas tentou disfarçar.
"Oh, senhora, não sei se sou digna... Meu lugar é ao seu lado, especialmente agora que está grávida."
Que bela atuação.
"Bobagem", eu disse com um aceno de mão. "Cuidar do príncipe é cuidar de mim. E, com sua ambição, sei que você fará um bom trabalho."
A palavra "ambição" a fez hesitar, mas ela rapidamente a interpretou como um elogio.
"Farei o meu melhor para não decepcionar nem a senhora nem o príncipe!" ela disse, fazendo uma reverência profunda.
"Ótimo. Fale com o mordomo. Diga que é uma ordem minha."
"Sim, senhora! Obrigada, senhora!"
Ela saiu, praticamente flutuando. observei suas costas, um sorriso frio se formando em meus lábios. Sim, Lúcia, vá. Aproxime-se do poder. Quanto mais perto você chegar, mais dura será a queda.
Cheguei à casa da minha família adotiva. A casa era grande, mas sempre pareceu fria para mim. Dona Isabel, minha mãe adotiva, estava na sala de estar, bordando com outras damas da sociedade.
Quando me viu, seu rosto não demonstrou alegria, apenas uma leve irritação pela interrupção.
"Sofia. O que a traz aqui a esta hora?"
"Mãe", eu disse, forçando um sorriso caloroso e fazendo uma reverência. "Vim trazer boas notícias."
Ela me olhou com desdém. Para ela, eu sempre seria a bastarda que manchava o nome da família, um lembrete constante de um erro do passado de meu pai adotivo. Ela só me tolerava porque meu casamento com a realeza trouxe prestígio.
"Fale de uma vez. Não vê que estou ocupada?"
As outras damas olhavam com curiosidade. Respirei fundo e anunciei, com a voz cheia de uma felicidade que não sentia:
"Estou grávida."
Houve um silêncio chocado na sala, seguido por um murmúrio de parabéns das outras damas. Dona Isabel, no entanto, apenas apertou os lábios. Vi uma centelha de algo feio em seus olhos – inveja. Inveja porque eu, a bastarda, estava conseguindo o que sua amada filha Clara havia jogado fora.
"Grávida?", ela repetiu, a voz gélida. "Tem certeza?"
"Sim, mãe. O príncipe ficou muito feliz."
A menção de Lucas a fez se recompor. Ela forçou um sorriso fino.
"Bem... isso é... uma bênção. Você deve se cuidar."
Era a resposta mais fria que uma mãe poderia dar, mas era exatamente o que eu esperava.
"Onde está Clara?", perguntei, inocentemente. "Queria compartilhar a notícia com ela também."
"Clara não está se sentindo bem. Está descansando em seus aposentos", disse Dona Isabel, a voz subitamente protetora.
Claro que ela estava. Na minha vida anterior, no momento em que soube da minha gravidez, Clara de repente ficou "doente" de arrependimento e inveja.
Enquanto isso, na mansão do príncipe, eu podia imaginar a cena. Lucas, em toda a sua glória, chegando para ver Clara. Ele lhe contaria a notícia da minha gravidez, não como uma alegria compartilhada, mas como uma demonstração de seu próprio valor, uma forma de dizer: "Veja o que você perdeu".
E Clara, mestre em manipulação, usaria sua "fragilidade" e seu "amor perdido" para puxá-lo de volta, plantando as sementes da discórdia que floresceram tão tragicamente na minha vida passada.
"Que pena", eu disse, minha voz cheia de uma falsa preocupação. "Espero que ela melhore logo."
A mãe de Lúcia, que também trabalhava como cozinheira na casa de Dona Isabel, passou por nós naquele momento. Ao me ver, ela abriu um sorriso largo e presunçoso.
"Princesa Sofia! Ouvi dizer que minha Lúcia foi promovida a serva pessoal do príncipe! A senhora é tão generosa! Minha filha é uma menina de sorte!"
Ela falou alto o suficiente para que todas as damas ouvissem. Dona Isabel franziu a testa, claramente irritada com a ousadia da empregada e com a notícia. Eu era a senhora da casa do príncipe, e minhas decisões, como promover uma criada, eram um lembrete de meu poder, um poder que ela sentia que deveria ser de Clara.
Eu sorri para a mãe de Lúcia.
"Sua filha é competente. Ela merece."
O olhar de Dona Isabel tornou-se ainda mais gélido.
O palco estava montado. As peças estavam se movendo.
Desta vez, eu não esperaria passivamente pelo meu destino. Eu o construiria com minhas próprias mãos, usando a ganância, a ambição e a inveja de todos eles como meus tijolos e argamassa.
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