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Capa do romance O Remorso Dele, Minha Liberdade Impagável

O Remorso Dele, Minha Liberdade Impagável

Após perder o bebê e quase morrer em um incêndio causado pela negligência do marido, fui vítima de envenenamento e um acidente planejado que me deixou aleijada. Augusto assistiu minha queda final antes de eu me lançar ao mar para escapar de criminosos. Sobrevivi, me reconstruí e encontrei um novo amor. Agora, ele ressurge em meu noivado, oferecendo fortuna e arrependimento. Ele descobrirá que seu dinheiro jamais apagará as cicatrizes de sua crueldade extrema.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Alina

Eu pisquei, as luzes fluorescentes do quarto do hospital se transformando em uma névoa branca e dura. Minha cabeça latejava, uma dor surda atrás dos meus olhos. Eu estava de volta. De novo. Me mexi, um gemido escapando dos meus lábios. Meu corpo parecia pesado, lento, como se eu tivesse sido arrastada pelo concreto.

Augusto sentava-se ao lado da minha cama, o rosto abatido, uma sombra de barba por fazer escurecendo sua mandíbula. Seus olhos, geralmente afiados e penetrantes, estavam vermelhos e cansados. Por uma fração de segundo, quase acreditei que ele estava preocupado.

"Você realmente me assustou, Alina", ele disse, a voz rouca de fadiga. Mas a preocupação foi rapidamente tingida de acusação. "Por que você não tomou seu remédio? As enfermeiras disseram que você recusou. Você tem alguma ideia de como isso foi perigoso?"

Ele mencionou Helena. "Helena também ficou muito preocupada com você. Ela até se ofereceu para ficar, mas eu insisti que ela descansasse pelo bebê." Suas palavras eram uma alfinetada sutil, um lembrete de quem realmente importava, de quem era verdadeiramente frágil. Ouvi a culpa subjacente em seu tom, uma acusação silenciosa de que eu estava sendo difícil, egoísta.

"Suas promessas não significam nada, Augusto", eu disse, minha voz mal passando de um sussurro. Minha garganta parecia arranhada, minha boca seca. "Significam?"

Ele não respondeu. Seu silêncio era ensurdecedor, confirmando cada dúvida, cada medo. Ele desviou o olhar, a mandíbula se contraindo.

A porta rangeu ao abrir, e Helena entrou, uma visão em um roupão de seda esvoaçante, o rosto pálido, mas artisticamente maquiado para transmitir fragilidade. Ela agarrou o estômago dramaticamente, os olhos arregalados de falsa preocupação. "Oh, Alina, você acordou! Eu trouxe um pouco de caldo para você. Augusto disse que você não estava comendo." Ela estendeu uma tigela fumegante, a mão tremendo ligeiramente.

Eu recuei, me afastando. O cheiro do caldo, geralmente reconfortante, agora fazia meu estômago revirar. "Não posso", murmurei, minha voz quase inaudível. "Tenho alergias graves. Você sabe disso. É muito forte. Preciso de algo simples."

O rosto de Helena se contraiu. Ela soltou um gemido suave, agarrando o estômago com ainda mais força. "Oh, o bebê!", ela chorou, afundando na cadeira ao lado de Augusto. "Minha cabeça está girando. Todo esse estresse..."

Augusto estava instantaneamente ao lado dela, o braço em volta dela, o olhar carinhoso. "Helena, meu amor, você não deveria ter se esforçado. Apenas descanse. Alina está apenas sendo difícil." Ele me lançou um olhar frio. "Alina, não seja ridícula. Isso vai te fazer bem. Helena fez ela mesma."

"Eu te disse, sou alérgica a comidas fortes agora! Pode me deixar gravemente doente", protestei, minha voz subindo em frustração. Meu corpo parecia fraco, mas uma faísca de raiva se acendeu dentro de mim. Ele estava descartando minhas necessidades médicas genuínas pela performance dramática dela.

Sua mandíbula se contraiu. "Alina, não seja infantil. Você precisa comer." Ele pegou a tigela de Helena, a mão firme enquanto a levava aos meus lábios. "Abra a boca."

"Não!", gritei, virando a cabeça. "Você está tentando me matar, Augusto? É isso?" As palavras saíram, cruas e dolorosas. Lembrei-me do incêndio, da espera agonizante, de sua escolha de salvá-la. Seria esta outra escolha? Outra maneira de me apagar?

Ele agarrou meu queixo, forçando minha cabeça a encará-lo. "Pare com essa bobagem!", ele rosnou, os olhos brilhando com uma luz perigosa. Ele enfiou a colher de caldo, grosso e oleoso, na minha boca. Eu engasguei, meu estômago se rebelando instantaneamente. Uma onda de tontura me invadiu, minha visão embaçando. Meu peito se apertou, uma sensação de queimação se espalhando pela minha garganta.

Augusto, sempre o parceiro dedicado, imediatamente voltou sua atenção para Helena, cujos soluços teatrais estavam aumentando. "Pronto, pronto, meu amor", ele acalmou, acariciando o cabelo dela. "Ela está apenas com ciúmes. Não deixe que ela te perturbe. O bebê precisa de você calma."

"Augusto", engasguei, minha voz mal passando de um sussurro. Meus pulmões queimavam, lutando para puxar o ar. "Meu remédio! Eu... eu preciso do meu remédio para alergia! Agora!"

Ele me lançou um olhar fugaz, um lampejo de preocupação em seus olhos. Ele começou a se virar, mas Helena soltou um grito agudo. "Oh, Augusto! Minha bolsa... acho que minha bolsa estourou! Oh, a dor!" Ela desabou contra ele, o rosto contorcido em agonia exagerada.

A atenção de Augusto voltou para Helena, um pânico frenético substituindo a preocupação passageira por mim. "Helena! O quê? Chame o médico! Traga uma maca!" Ele a pegou nos braços, saindo correndo do quarto, gritando ordens para as enfermeiras perplexas.

Fiquei sozinha, ofegante, minha garganta se fechando. Meu peito queimava, um fogo ardente se espalhando pelos meus pulmões. Minha visão se estreitou, o cinza se aproximando das bordas. Meu remédio. Eu precisava dele. Agora.

Procurei a pequena bolsa onde guardava meus remédios de emergência para alergia. Meus dedos, fracos e trêmulos, lutaram para abri-la. Finalmente, consegui tirar o familiar inalador azul. Levei-o aos lábios, pressionando o botão. Nada. Estava vazio. Peguei o pequeno frasco de pílulas, minha mão tremendo incontrolavelmente. Abri a tampa, derramando o conteúdo no lençol branco imaculado. Meus olhos se arregalaram de horror.

Não eram meus comprimidos. Eram tranquilizantes. Os pequenos comprimidos brancos que eu reconhecia da mesa de cabeceira de Augusto, mais fortes do que qualquer coisa que eu já tivesse tomado. Meus remédios para alergia haviam sumido, substituídos por algo destinado a me manter quieta, dócil.

Um pavor gelado se infiltrou em meus ossos, mais frio que qualquer gelo. Eles queriam me matar. Ou, pelo menos, fora do caminho. Helena. Augusto. A percepção me atingiu com a força de um golpe físico. Eles estavam tentando me envenenar. O caldo, a medicação trocada. Tudo fazia um sentido aterrorizante e doentio.

Um grito gutural rasgou minha garganta, um som nascido de puro e absoluto terror. Meu mundo girou, a escuridão se aproximando rapidamente. Meu corpo convulsionou, meus sentidos se desligando. Senti-me caindo, caindo em um abismo de nada.

A última coisa que ouvi foi um grito frenético da porta. "Ela está convulsionando! Chamem um médico! RÁPIDO!"

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