Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Rei do Meu Bairro

O Rei do Meu Bairro

Randal e Diana vivem realidades opostas, marcadas por destinos que jamais deveriam se cruzar. Enquanto ele nutre um desejo antigo por ela, a jovem nunca imaginou incluí-lo em sua vida. Como herdeiros das famílias Pontes e Reis, eles enfrentam uma rivalidade histórica que proíbe qualquer aproximação. Agora, os dois precisam decidir se o que sentem é forte o suficiente para desafiar tradições e quebrar as regras rígidas que governam o bairro onde cresceram.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

As filhas de Benedito Pontes chamavam atenção de todas as formas, fosse pela beleza, inteligência ou pelo talento.

Diana despertava a curiosidade alheia em todas as atrativas, mas se diferenciava categoricamente da irmã do meio, Jéssica, apelidada de vermelha pelo pai por ter um gênio apimentado. Diana era tímida, introspectiva, nunca estava no chamado "fervo'' de eventos escolares ou atividades do bairro sem a presença dos pais. Dito e Leila sabiam como proteger as filhas dos "olheiros" de Roseiral.

Em uma manhã de domingo, Tio Roni, o conhecido diretor do Clube Comunidade Em Movimento estendia um folheto entre as grades do portão dos Pontes.

-O índice de aprovação nos vestibulares é muito alto, só no ano passado, oito alunos nossos foram aprovados com boa colocação.

Diana costumava atender as pessoas somente pela grade. Ela pegou o folheto para ler e não percebeu a aproximação de Luana, irmã caçula de nove anos que parou ao seu lado com curiosidade e de seu pai atrás de si.

-E aí, meu velho amigo. - Roni o cumprimentou -Estou convidando sua menina pra fazer o cursinho pré-vestibular na Comunidade.

-Boa tarde, Roni, ela já está matriculada no centro da cidade, muito obrigado.

Diana franziu o cenho erguendo o rosto, mas uma leve pressão das mãos do pai em seus ombros a manteve imóvel.

Ela não estava matriculada em nenhum cursinho.

-É mesmo, Ditão?- Roni sorriu parecendo saber o mesmo que ela. - Tá bom então, temos outros cursos também, modalidades de esporte, lazer, como pode ver no folheto, Diana.

Jéssica apareceu naquele momento, toda agitada.

-Quero fazer teatro, a Josy disse que a professora de lá fez novela.

Dito a encarou muito sério.

-Nem pensar!

-Ela apareceu só uma vez. - Luana riu da irmã.

-Fica quieta Lu, não me atrapalha! Tem dança lá também, eu quero fazer! - Jéssica foi até o pai. - Por favor pai, a Jô já está matriculada lá.

-Você e a Josy podem ter crescido juntos, mas não nasceram grudadas.

-Ah Pai...

-Não, e já tá decidido.

Minutos depois, a família estava reunida à mesa de café.

- Não é para nenhuma das três aceitarem convites dos cursos da Comunidade, lá não é lugar para vocês...

Jéssica fez uma careta.

- Que exagero!

-Você sabe muito bem quem é o dono desse clube.

Benedito se dirigia a ela, irritado.

-Só porque o filho do rei frequenta lá, não quer dizer que é deles, pai.- Jéssica defendeu.

Diana parou de mastigar e encarou a irmã.

-O filho do Rei... Randal Reis? - perguntou intrigada.

Jéssica a olhou com desdém.

-Sim, aquele que te livrou do Pedro covarde, sabiam que o garoto mudou até de escola por vergonha da surra?

-O imóvel do Clube pertence a eles, o Roni é só a fachada para atrair o pessoal do bairro.

-E se for? Qual o problema? O Randal é tricampeão interclubes, representando nosso bairro. Agora ele treina no Clube para o Regional.

- Garota! - Dito alterou a voz. - Eu já disse, não quero filha minha naquele antro de réu primário, secundário, que seja! Não quero vocês lá, entendeu?

Jéssica apertou os lábios.

-Pois quando eu fizer dezoito…

-Quando fizer dezoito, pode até arranjar outra casa pra morar, se quiser! - Dito a cortou, seco.

Cheia de revolta, Jéssica deixou a mesa a passos duros.

Leila suspirou recostando-se na cadeira.

-Ah, essa menina…

-Acho que terei que conversar com o Roni, tá muito pau mandado daquela gente!

-Não tem que falar com ninguém, Dito, a Diana já entendeu e a Jéssi vai entender também. Vamos continuar só cuidando das nossas meninas, sem ter contato algum com eles… Por favor...

Benedito sustentou o olhar da esposa.

-Tá bom… - ele concordou e sorriu - Mas pelo menos essa conversa toda deu idéia pra uma coisa boa… - ele olhou para Diana - Essa semana vou fazer a matrícula da Di em um cursinho, tem realmente um no centro da cidade próximo ao meu trabalho. Você quer, filha?

A expressão no rosto de Diana foi de espanto, em seguida a de alegria.

-Sim… Vai me ajudar muito…

-Né? Você vai comigo fazer a matrícula.

Xxx

-Então nós vamos fazer a matrícula amanhã, você deveria fazer também.

Dia seguinte na sala de aula, Diana falava empolgada ao amigo Augusto que colocou a cadeira ao seu lado antes da chegada do professor.

-Meu pai quer me matricular no clube do bairro, tem um bom desconto na mensalidade. - o menino respondeu chateado. - Eu queria estudar na cidade com você...

- O tio Roni foi em casa para me oferecer uma vaga lá, mas meu pai não aceitou.

Augusto ajeitou os óculos.

-Seu pai não gosta dele… - ele interrompeu ao ver alguém parar diante deles.

Era nada menos que Randal Reis. Ele ficou bem de frente à carteira de Diana e com a mochila pendurada em um dos ombros olhava para os dois com expressão curiosa.

Ao vê-lo, Diana ajeitou sua cadeira mais próxima a de Augusto. Atitude que fez os lábios do filho do Rei curvarem num meio sorriso antes dele se afastar.

-Todo mundo tá dizendo que ele tá a fim de você, depois da surra que deu naquele cara...

Augusto sussurrou.

-Todo mundo tá doido.

Diana o imitou e o garoto riu chamando a atenção de Randal que sentou em seu canto olhando para os dois.

-Será que ela tá a fim dele?

Marcão questionou percebendo onde estava sua atenção.

Randal franziu o cenho. Desde que entrou naquela escola sempre via Diana na companhia daquele garoto. Nunca percebeu nada sério entre os dois, mas aquela aproximação constante do filho de uma das professoras da escola com ela, às vezes o aborrecia. Ele era o único cara que Diana deixava se aproximar.

- Fizeram até um meme deles no grupo da sala, o desenho dos dois transando em cima de livros.

Marcão recebeu um olhar cintilante.

-Quem postou?

-A… sabe que nem sei.

- Se não vi, então fui bloqueado…

Randal voltou os olhos para o casal à frente. Observou Diana bem à vontade ao lado de Augusto, talvez aquele moleque fosse a quem ela mais confiasse por ali.

A festa junina escolar unificada.

Ela acontecia no campinho do bairro por ser grande suficiente para a participação das escolas.

Era um dos eventos que a família Pontes gostava de frequentar, mas Diana evitava dançar em quadrilhas desde que saiu do jardim. Nunca mais participou de ensaios onde os alunos de sua sala tinham que interagir. Naquele dia da festa ela estava mais descontraída, vestida de macacão jeans com uma mini blusa de manga comprida que mostrava parte de sua barriga, uma vestimenta simples, mas que destacava suas curvas no jeans colado. Os cabelos soltos como uma coroa de cachos castanhos.

Com os pais trabalhando na barraca do seu Formiga, Diana assistia ao lado de Luana à apresentação de Jéssica.

Em todas suas participações, a irmã usava vestido caipira curto e um short do mesmo tecido. Provocante, recebia assovios dos que assistiam à dança. Josy também preferia usar vestido curto, conquistou esse direito na quinta série quando não quis mais se vestir como o restante dos meninos da quadrilha, pois já vestia roupas femininas no dia a dia. A participação de Jessica e Josy era uma atração à parte, capaz de delirar os espectadores com seus rebolados e passos variados misturados a dança.

Após a apresentação delas, Diana e Luana foram até a barraca de cachorro quente.

-Olá, por favor, um completo?

Luana pediu debruçando no balcão, balançando as pernas. Enquanto Diana tomava suco distraída olhando a última quadrilha que ia se apresentar. Riu ao ver o Marcão de sua sala prendendo Mirela e Letícia ali no meio e levando-as para o outro lado do campo, onde ficava a cadeia de madeira. Ele estava todo caracterizado de xerife.

-E sua irmã, vai querer também?

Aquela voz…

Diana se voltou e deparou com o atendente.

Randal do outro lado do balcão, de boné branco como os demais ali dentro, a olhava com aquele meio sorriso provocador. Então reparou na barraca. Ela representava o Clube Comunidade. Se o pai as visse ali…

-Nada… A gente vai comer outra coisa!

Diana pegou a irmã pelo braço e a puxou dali.

-Mas o que foi?

Luana perguntou sendo levada às pressas.

-Tem que escolher outro lanche, aquele pertence à família do Rei. Sabe que o pai não gosta deles.

- Afi Di, é só ali que tem cachorro quente…

-Sim, cada barraca tem sua especialidade, sem concorrência.

Luana olhou para trás. O rapaz as observava parecendo furioso.

-Então, ele deve ser o Randal… Bem que achei seu rosto conhecido, ele parece bem maior da última vez que o vi…

Diana voltou-se para a irmã.

-E de onde conhece ele? Você estuda em outra escola! - perguntou diminuindo os passos, já estavam bem afastadas da barraca.

Luana a encarou.

-Da nossa rua, ué! Ele passava lá com os cachorros nos finais de semana e ficava vendo a gente jogar bola, depois sumiu, nunca mais apareceu.

-Sim, ficou fora daqui durante dois anos e agora voltou e está na minha sala.

-Ele realmente bateu em um cara pra te defender?

Luana olhou para Diana cheia de curiosidade.

-Bem… Parece que sim…

-Nossa… Já pensou se vocês namoram? O pai morre.

- Que besteira!

-É nada, você pode se apaixonar por ele, sabia? E ele já deve estar por você, pra quebrar a cara de um garoto pra te defender.

- Ele só fez isso porque se acha o maioral do bairro por ser filho de quem é. Ele faria isso por qualquer garota.

- Pode ser… Mas ele te olhou de um jeito lá na barraca...

- Ah, vamos comprar seu lanche! Pode ser de churrasco?

Diana puxou novamente a irmã que riu de sua reação.

Enquanto a levava, girou a cabeça para trás e viu Jéssica debruçada no balcão da barraca do clube. Ficou boquiaberta com a ousadia da irmã sendo que os pais estavam ali por perto.

Jéssica não disfarçava o encantamento diante do filho do Rei. Enquanto empacotava os pedidos, ele a olhava de queixo erguido, olhos altivos e insondáveis sobre ela.

-Ei garotinha?

Alguém bateu no balcão a sua frente. Uma senhora jovem e bonita.

-Acho que seu pai não gostaria de vê-la aqui então vá caçar lanche em outro lugar!

Jéssica abriu a boca surpresa.

-Eles estão ajudando na barraca do tio Formiga… Não vão sair de lá tão cedo…

Jéssica justificou sem entender porque aquela mulher a olhava com antipatia.

-Escuta aqui, eu sei que seu pai proibiu vocês de chegarem perto do Randal, então obedece ele tá? Senão vou lá na barraca avisar quem fica ciscando pro lado do meu filho.

Tomada de vergonha e indignação Jéssica correu dali.

-Pra que tudo isso, dona Kátia, eu já disse que não tenho medo do Seu Dito.

-Essa menina… É mesmo verdade o que falam dela, viu como estava aqui feito uma boba te encarando? - Kátia o olhou firme - Promete pra mim que não vai se meter com ela…

- Quem estava aqui encarando o meu homem?

Uma garota vestida de cowgirl surgiu entre os clientes. Kátia sorriu para a bela amiga de sala da qual Randal pertencia antes de se afastar por dois anos. A turma se formou e ele teve que voltar para terminar o último ano.

-Oi sumida! Seu homem uma vírgula! - Kátia abraçou e beijou a face do filho - Só meu!

- Continua ciumentona, né tia?

- Sempre, fia e ó... - Kátia indicou os próprios olhos - De olho em vocês, sirigaitas.

Ela se afastou para atender os clientes, sob a gargalhada de Vanessa.

-E aí, lindo? Vai ficar só aí dentro trabalhando? Vamos dançar…

A jovem sugeriu, mas Randal estava distraído, olhava para a barraca de churrasco a alguns metros dali, estava tão movimentada quanto a deles. Leila e Dito pareciam muito ocupados ajudando o seu Formiga.

-Sim… Tô preso demais aqui…

Ele murmurou deixando a amiga confusa.

Diana e Luana comiam o lanche de churrasco que os pais serviam enquanto seu Formiga e esposa estavam na parte de preparação. Ele na churrasqueira e ela colocando a carne nos pães. A barraca estava lotada de gente esperando para ser atendida, por isso precisaram da ajuda dos amigos.

-Ei Diana, vem dançar!

Augusto se aproximou e a puxou para a pista.

Ela teve que deixar seu pão com Luana que gostou de ficar com dois lanches.

A dança era uma música caipira mixada com funk que agitava a pista no centro do campinho. Os dois riam com os movimentos propositalmente desengonçados de Augusto, já Diana não arriscava tanto. Depois de alguns minutos ali, alguém se aproximou deles, usava chapéu de cowboy e tinha no peito estrela de xerife.

-Mandaram te prender.

Diana riu reconhecendo o jovem alto e forte dos fundos de sua sala, Marcão.

-Sério?

-Sim, é a sua vez de ir pra cadeia.

- Ah… Mas a gente tá dançando...

Augusto reclamou desapontado vendo Marcão a levar para longe.

A cadeia ficava na parte reservada às barracas de brincadeiras, longe das de alimentação. Era feita de ripas imitando grade de celas, mas com frestas bem estreitas que não davam para ver quem estava preso.

-Aninha, você tem dez minutos aí dentro, só sai antes se alguém pagar a soltura, ok?

-Ok...

- Eu pago!

Augusto gritou se aproximando.

Marcão entortou a boca.

-Vai ter que esperar dez minutos, Guto.

-Mas você disse que pode pagar pra soltar antes!

-Falei errado, cara, desculpa aí. Vai dar um rolê e depois vem soltar ela, tá bom? - Marcão abriu a porta e empurrou Diana de leve para dentro, fechando em seguida e cruzou os braços encarando bem sério Augusto. O menino bufou e se afastou.

Diana voltou-se para a cela e seu sorriso descontraído rapidamente se desfez…

Não estava sozinha.

Havia um casal sentado contra a parede de frente à ela, observando-a.

A moça parecia confusa e curiosa.

Já o rapaz...

Com os braços apoiados sobre os joelhos e mastigando um pirulito, ele começou a medi-la tão lentamente, parecendo desnuda-la só com o olhar. Havia um misto intenso de fascínio e perversidade nos olhos escuros que a perturbaram de imediato quando finalmente cruzaram com os dela.

Meu Deus! Randal Reis...Mas o que ele fazia ali?

Seu coração disparou.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A PERDIÇÃO DO MAGNATA
8.4
Presos em um elevador, meu caminho cruzou com o de Emmett. Eu ia a um banco de esperma, decidida a ser mãe aos trinta e cinco anos, mas o atraente magnata propôs algo audacioso: ele substituiria o doador anônimo. O acordo era simples, pois o empresário não queria obrigações familiares. No entanto, assim que engravidei, tudo mudou. O homem que evitava a paternidade revelou um lado inesperado, transformando nosso pacto em algo muito mais profundo.
Capa do romance A Vinicultora Rejeitada e o Rei do Luxo
8.4
No Douro, Juliette viveu um romance puro com Benjamin, um homem sem memória. Contudo, ao recuperar o passado, ele a despreza, tornando-a sua amante e priorizando a rica Sofia. Após ser humilhada pela sogra, abandonada para morrer e forçada a salvar sua rival, Juliette decide fugir. Um acidente de comboio coloca Jonathan Contreras em seu caminho, transformando a dor da traição na chance de reescrever seu destino e iniciar uma nova e poderosa lenda.
Capa do romance Contrato com um gângster
8.0
Ao salvar um estranho ferido, a Dra. Lívia Ricci acaba presa ao impiedoso Enrico, o sottocapo da máfia. Forçada a um casamento de fachada, ela se torna prisioneira do homem que agora controla seu destino. Contudo, o acordo sofre uma reviravolta quando ele descobre que Lívia é filha do seu maior inimigo. Entre o ódio por vingança e uma obsessão avassaladora, Enrico deve decidir se destrói a mulher que deveria odiar ou se a protegerá de tudo.
Capa do romance Império e Corações Partidos
9.4
Traída por seu noivo Marcos e pela própria irmã, Sofia, uma empresária de sucesso vê seu mundo desmoronar no pátio da empresa que ergueu. Ao descobrir que sua família planeja um golpe para tomar seu império, ela percebe que sempre foi usada como fonte de lucro. Cansada de ser subestimada e ferida por quem deveria amá-la, ela decide dar um basta. Em um ato de rebeldia e estratégia, ela busca por um acompanhante de luxo para iniciar sua vingança.
Capa do romance Me Ame
9.3
No dia do casamento da irmã, Sigrid acaba no altar com George. Após flagrarem seus parceiros juntos, George a força ao matrimônio para salvar a família dela da falência. O que era um contrato frio transforma-se quando ela nota a ternura dele, tornando-se o centro de seu mundo. Sigrid começa a aceitar esse amor, mas a descoberta de um segredo sombrio por trás do acordo nupcial ameaça destruir a felicidade que ela acreditou ter encontrado.
Capa do romance Minha querida princesa
7.9
Forçada por seus familiares a uma união indesejada, Melissa se vê presa a Brian Long, o implacável e gélido CEO do Grupo Long. Conhecido como o homem mais influente do País Z, ele esconde uma personalidade arrogante e cruel por trás de seu poder. No entanto, o surgimento de um sentimento genuíno promete transformar essa relação. Será que um amor profundo será capaz de derreter o gelo no coração do bilionário e mudar o destino desse casal?