
O Reencontro do Amor Perdido
Capítulo 3
A cirurgia foi um sucesso. Um sucesso aterrorizante.
Quando tirei as últimas bandagens, o rosto no espelho não era mais o de Mariana.
Era o rosto da Sra. Rocha.
Cada curva, cada linha, cada pequeno detalhe. Era uma cópia perfeita. Um trabalho de mestre.
O meu trabalho de mestre.
Mariana tocou o próprio rosto, os olhos brilhando com uma alegria maníaca.
"Perfeito," ela sussurrou. "É absolutamente perfeito."
Ela riu, um som alto e triunfante que ecoou pela sala de recuperação.
"Eu consegui, Sofia! Eu consegui!"
Nossos pais entraram na sala naquele momento. Minha mãe ofegou, cobrindo a boca com as mãos. Meu pai ficou de queixo caído.
"Mariana? É você, minha filha?" minha mãe perguntou, incrédula.
"Não, mamãe," Mariana disse, virando-se para eles com um sorriso radiante. "Sou a Sra. Rocha."
Meu pai foi o primeiro a se recuperar do choque. Um sorriso ganancioso se espalhou por seu rosto.
"Incrível! Minha filha, você é uma gênia!" ele exclamou, olhando para Mariana com adoração. "O Sr. Rocha vai te cobrir de joias, de luxo! Nós estamos feitos! Estamos ricos!"
Minha mãe correu para abraçar Mariana, chorando de felicidade.
"Nossa menina! Sempre soubemos que você iria longe! Você vai nos dar a vida que sempre sonhamos!"
Eles a cercaram, paparicando-a, elogiando sua beleza, sua audácia.
Eu fiquei parada no canto, observando a cena grotesca. Eles não perguntaram por mim. Não agradeceram pelo meu trabalho. Eles nem mesmo olharam na minha direção.
Para eles, eu era invisível. Uma ferramenta a ser usada e descartada.
"Não se esqueçam de quem é o Sr. Rocha," eu disse, minha voz cortando a celebração deles. "Ele construiu um império sendo mais esperto e mais cruel que todos os seus inimigos. Vocês realmente acham que podem enganá-lo com um rosto novo?"
Meu pai se virou para mim, o rosto vermelho de raiva.
"Cale a boca, Sofia! Você está com inveja, é isso! Inveja do sucesso da sua irmã!"
"Ela está certa em uma coisa," Mariana disse, me olhando com desprezo. "O Sr. Rocha é esperto. Mas eu sou a esposa dele agora. Ele estava desesperado sem mim. Ele vai acreditar no que quiser acreditar."
Minha mãe me empurrou com força.
"Pare de estragar o momento, sua ingrata! Mariana está fazendo isso por todos nós! Você devia estar de joelhos, agradecendo a ela!"
Eu tropecei para trás, o ombro doendo com o impacto. A dor não era nada comparada à frieza nos olhos deles.
Mariana já agia como a dona do mundo. Ela pegou seu celular, que era um modelo novo, caríssimo.
"Olhem o que eu comprei com o cartão dela," ela disse, mostrando uma galeria de fotos de bolsas de grife, sapatos e joias. Ela havia esvaziado as contas bancárias da verdadeira Sra. Rocha antes mesmo de assumir seu rosto.
"Isso não é nada," ela continuou, presunçosa. "Quando eu voltar para a mansão, terei acesso a tudo. A fortuna dos Rocha será nossa."
Meu pai e minha mãe olhavam para as fotos com os olhos arregalados, a ganância escorrendo por seus rostos.
Eles acreditavam piamente. Acreditavam que Mariana, com seu rosto roubado e sua alma podre, tinha vencido.
Eles a viam como a Sra. Rocha.
A herdeira de um império.
Eles eram tolos. Cegos pela ganância.
E a queda deles seria espetacular.
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