Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O Recomeço do Nosso Amor

O Recomeço do Nosso Amor

Sofia Almeida vê seu mundo ruir com uma doença terminal. Ao reencontrar Diogo Monteiro, seu grande amor, ele está noivo da ardilosa Leonor. Desesperada, Sofia usa chantagem para tê-lo por perto, mas recebe apenas desprezo e humilhação pública. Após ser traída e morta, ela renasce como Mariana Costa. Enquanto Diogo lida com a culpa e a verdade sobre o passado, o destino os une novamente. Será que esse amor resistirá às cicatrizes de uma vida de dor?
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

No dia seguinte, sentia-me como se um camião me tivesse atropelado.

A ressaca era brutal, mas a dor emocional era pior.

Decidi ir a uma galeria de arte no Chiado, precisava de me distrair.

Enquanto observava um quadro abstrato, senti um olhar sobre mim.

Virei-me discretamente.

Diogo.

Ele estava do outro lado da sala, a observar-me.

Sozinho.

O coração deu um salto no peito.

Ele desviou o olhar rapidamente quando os nossos olhos se encontraram.

Mas eu tinha visto. Ele estava a observar-me.

Isso significava alguma coisa? Ou era só a minha imaginação fértil?

Criei coragem e fui até ele.

Se queria executar o meu plano, precisava de ser ousada.

"Perdido em pensamentos, Diogo?"

Ele sobressaltou-se ligeiramente.

"Sofia. Outra vez?" Havia um tom de cansaço na voz dele.

"Parece que Lisboa é pequena demais para nós os dois."

Ele não sorriu.

"O que queres?"

"Precisamos de conversar. A sós."

Olhei em volta. A galeria estava relativamente calma.

"Há um gabinete privado ali," apontei. "Podemos falar lá."

Ele hesitou por um momento, depois anuiu com relutância.

"Cinco minutos. É tudo o que tens."

Entrámos no pequeno gabinete.

O ar ficou pesado, carregado de tensão.

"Então?" disse ele, cruzando os braços.

Respirei fundo. Era agora ou nunca.

Tirei o telemóvel da mala.

Abri a galeria de fotos.

Mostrei-lhe.

Eram as nossas fotos. Íntimas. Da época em que namorávamos.

Sorrisos, abraços, beijos.

Momentos de felicidade pura, congelados no tempo.

E depois, o vídeo.

Um vídeo que ele certamente não gostaria que viesse a público.

Um vídeo que podia arruinar a imagem dele, os negócios do pai dele.

"O que é isto?" A voz dele era um sussurro rouco.

Os olhos dele estavam fixos no ecrã, a incredulidade a dar lugar ao pânico.

"Chantagem, Sofia? É a isto que te rebaixaste?"

A voz dele voltou, agora carregada de desprezo.

"Desespero, Diogo. Chama-lhe o que quiseres."

O meu coração batia descontroladamente. Eu estava a jogar com fogo.

"És nojenta." Ele cuspiu as palavras.

Aquelas palavras doeram. Mais do que eu gostaria de admitir.

Mas mantive a minha postura.

"Podes achar o que quiseres. Mas sabes que isto pode destruir muita coisa. A tua reputação. O teu noivado com a menina Leonor. Os negócios imobiliários do teu pai, que dependem tanto da imagem da família Monteiro."

Eu sabia onde lhe tocar.

Vasco Monteiro era obcecado com a imagem pública.

Um escândalo destes seria devastador.

Ele passou as mãos pelo cabelo, um gesto de frustração.

"O que é que tu queres?" perguntou, finalmente.

"Quero que passes os meus últimos meses comigo."

Ele olhou para mim, confuso. "Últimos meses? Estás a gozar, certo?"

"Não estou a gozar, Diogo. Estou doente. Muito doente."

Decidi omitir a gravidade. Não queria a pena dele. Queria o tempo dele.

"Quero reviver o que tivemos. Quero que me dês isso."

Ele riu, um riso amargo. "E achas que te vou dar isso por causa disto?" Apontou para o telemóvel.

"Sim. Acho."

Ele ficou em silêncio por um longo momento, a ponderar.

Finalmente, suspirou.

"Está bem, Sofia. Tu ganhaste."

Um alívio agridoce percorreu-me.

Eu tinha conseguido. Mas a que custo?

"Mas que fique bem claro," continuou ele, os olhos frios. "Isto não significa nada. Faço-o para proteger a minha família e a Leonor. Não por ti."

Assenti. Era o que eu esperava.

Aproximei-me dele.

O cheiro dele, o mesmo cheiro que me assombrava os sonhos.

Levei a mão ao rosto dele, acariciando-lhe a barba por fazer.

"Senti a tua falta," sussurrei.

Ele afastou-se bruscamente.

"Não te atrevas, Sofia. Combinámos uma coisa. Não tentes transformar isto noutra."

A rejeição dele era como um murro no estômago.

De repente, uma dor aguda atravessou-me o abdómen.

Curvei-me, a mão a pressionar a barriga.

A aplasia medular. Os seus sintomas cruéis.

"O que foi?" perguntou ele, um laivo de preocupação na voz.

"Nada. Apenas uma cólica." Menti.

Ele olhou para mim com desconfiança.

"Tenho de ir. A Leonor está à minha espera."

Ele virou-se e saiu do gabinete, deixando-me sozinha com a minha dor e a minha vitória amarga.

O meu plano estava em marcha.

Mas eu sabia que o caminho seria doloroso.

Uns dias depois, recebi um telefonema de Beatriz, a minha mãe.

A voz dela era tensa, como sempre que falava comigo.

"Sofia, o Vasco vai dar um jantar cá em casa no sábado. Para apresentar oficialmente a Leonor à família. Tens de vir."

Um convite que soava mais a uma ordem.

"Mãe, não sei se é boa ideia."

"Não discutas, Sofia. É importante para o Vasco. E para mim. Comporta-te."

Desligou sem esperar pela minha resposta.

A relação com a minha mãe sempre fora distante.

Ela priorizava a estabilidade financeira e o estatuto social acima de tudo.

Casar com Vasco Monteiro fora a sua maior conquista.

Pouco importava o sofrimento que isso causara a mim e a Diogo.

O jantar foi tão tenso como eu esperava.

A casa dos Monteiro era luxuosa, mas fria.

Vasco, o meu padrasto e pai de Diogo, era um homem pragmático, focado nos negócios.

A conversa à mesa era superficial, cheia de falsas cortesias.

Diogo estava sentado à minha frente, ao lado de Leonor.

Ele evitava o meu olhar.

Leonor, por sua vez, analisava-me com um sorriso dissimulado.

Beatriz tagarelava sobre futilidades, tentando manter uma aparência de normalidade.

Constança não estava presente, claro.

Durante o jantar, Diogo fez algo inesperado.

Eu tinha um pedaço de marisco no prato que parecia duvidoso.

Ele esticou o garfo e removeu-o discretamente.

"Este não parece bom," murmurou, sem me olhar nos olhos.

Um pequeno gesto. Quase impercetível.

Mas o meu coração acelerou.

Seria um resquício do antigo Diogo?

Ou apenas educação?

A minha tia Amélia, irmã de Beatriz, uma solteirona amarga, decidiu animar a noite.

"Então, Sofia, querida," disse ela, a voz estridente. "Ainda não arranjaste um marido? Com essa tua reputação, não deve ser fácil. Dizem por aí que colecionas homens como quem coleciona cromos."

Senti o sangue a subir-me ao rosto.

Todos na mesa ficaram em silêncio.

Beatriz fuzilou Amélia com o olhar.

Vasco pigarreou, desconfortável.

"Tia Amélia, por favor," disse eu, tentando manter a calma.

"O quê? Só estou a dizer a verdade. Uma rapariga precisa de assentar. Talvez devêssemos arranjar-te um bom partido. Alguém que não se importe com o teu... passado."

A humilhação era pública.

Olhei para Diogo.

Ele observava Leonor, que lhe sussurrava algo ao ouvido.

Ela sorria, divertida com a situação.

O meu sofrimento era entretenimento para ela.

"Na verdade, tia," disse eu, com um sorriso forçado. "Estou a pensar seriamente em aceitar um arranjo. Talvez um viúvo rico? Ou um estrangeiro desesperado?"

O sarcasmo era a minha única defesa.

Diogo finalmente olhou para mim.

Havia algo indecifrável no olhar dele.

A noite arrastou-se.

Quando finalmente terminou, senti-me exausta.

No hall de entrada, enquanto esperava pelo meu táxi, Diogo aproximou-se.

"Precisamos de falar sobre o nosso... acordo," disse ele, em voz baixa.

"Claro."

Segui-o até ao jardim.

A lua cheia iluminava o céu.

"Não gostei do que aconteceu lá dentro," disse ele.

"Acredita, eu também não."

"A minha tia é uma idiota."

"Concordo."

Um silêncio constrangedor instalou-se entre nós.

"Então," disse eu, quebrando o silêncio. "Quando começamos a reviver o passado?"

Aproximei-me dele, o meu corpo quase a tocar o dele.

"Sofia..." A voz dele era um aviso.

Mas eu vi o desejo nos olhos dele.

A atração entre nós ainda existia, por mais que ele tentasse negá-la.

"Não tenhas medo, Diogo."

Levei os meus lábios aos dele.

Ele hesitou por um instante, depois correspondeu ao beijo.

Um beijo faminto, desesperado.

Carregado de anos de saudade e ressentimento.

De repente, ele agarrou-me os braços com força, empurrando-me contra a parede.

A expressão dele era sombria, quase ameaçadora.

"O que é que tu queres realmente, Sofia?"

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A Irmã, o Engano e o Mar
8.7
Após morrer afogada em uma traição planejada por sua irmã, Luiza, e sua chefe, Carla, a protagonista desperta milagrosamente um dia antes do crime. O cheiro de lavanda e o celular confirmam: ela voltou no tempo. Quando Luiza surge com o mesmo sorriso falso e o convite para o mergulho fatal, a sobrevivente decide mudar o destino. Confrontando a fúria da irmã e as mentiras do passado, ela lutará para impedir que a tragédia marítima se repita desta vez.
Capa do romance Corpo Trocado, Destino Alterado
8.8
Dona Clara traz o leite morno, mas conheço o veneno em seu olhar. Na vida passada, esse copo me fez acordar no corpo de sua filha, Bruna, que roubou minha identidade e destruiu meu futuro. Humilhada e abandonada pelos pais, morri em desespero. Agora, despertei no exato dia da traição. Fingindo aceitar a bebida, planejo minha vingança contra a ganância delas. Descobrirei a origem desse ódio e farei com que o destino cruel que me deram se volte contra elas.
Capa do romance Minha ex-Luna se tornou uma Alfa!
9.3
Após três anos casada com o Alfa Halens, Christina vê seu mundo desabar. Consumido pelo luto, seu parceiro passa a priorizar Sonia, a viúva de seu irmão. A situação atinge o limite quando Christina é falsamente acusada por Sonia de causar seu aborto, e Halens escolhe não acreditar nela. Decidida, ela rompe o vínculo de companheiros. Agora, poderosa e independente, Christina despreza as súplicas de Halens para retornar, pois ele não serve nem para ser seu Ômega.
Capa do romance O Herdeiro - O Grande Círculo
8.9
Logan, filho do alfa Jake Müller, deixa o mundo humano para abraçar seu destino como herdeiro dos lobos anciãos. Criada para liderar, Anamali deve treinar o novato e protegê-lo de ameaças na reserva. Enquanto uma profecia vincula o futuro do casal ao caos e à guerra, Logan enfrenta um dilema entre a normalidade e o dever sobre feras diversas. Nesse cenário perigoso, a guardiã e o herdeiro precisam decidir se o amor florescerá em meio à destruição iminente.
Capa do romance O Retorno de Isabella
9.5
Traída por Ricardo e sua meia-irmã Verônica, Isabella é executada por um crime que não cometeu. No momento da morte, ela jura vingança e desperta milagrosamente no passado, no dia de seu baile de debutante. Com dezesseis anos e memórias de uma vida de dor, Isabella decide mudar seu destino. Ao reencontrar Verônica usando sua joia roubada, a protagonista inicia seu acerto de contas com um tapa, prometendo que seus traidores pagarão caro por cada mentira.
Capa do romance O Veneno da Vingança, o Doce Amor
9.7
Na comunidade da capoeira, Ana é vista como inútil perto das irmãs Clara e Sofia, herdeiras dos dons de Mestra Jurema. Quando o poderoso e corrupto Líder exige casamentos por aliança, Ana choca a todos ao rejeitar o noivo pobre e escolher o próprio tirano à beira da morte. Após a queda trágica e morte de sua avó, Ana descobre segredos sombrios sobre os poderes da família. Movida por rancor, a jovem inicia um plano de vingança usando a Boca de Ouro para destruir quem a humilhou.