
O Recomeço de Uma Rainha
Capítulo 3
A carruagem parou em frente à mansão de sua família adotiva. Sofia desceu, seu rosto uma máscara de serenidade. Lúcia, sua empregada pessoal, a seguiu de perto.
Na vida anterior, Lúcia a havia traído. Corrompida pelas promessas de Clara, ela trocou informações sobre a gravidez de Sofia por algumas joias e uma posição melhor. Desta vez, Sofia usaria a ganância de Lúcia a seu favor.
Enquanto caminhavam em direção à entrada, Sofia parou.
"Lúcia", disse ela, com a voz baixa.
"Sim, minha senhora?", a empregada respondeu, surpresa pela parada repentina.
"Minha irmã Clara sempre se sentiu solitária. Ela precisa de companhia, de alguém que a entenda."
Sofia olhou diretamente para Lúcia, um brilho estranho em seus olhos.
"A partir de hoje, você servirá a ela. Ficará ao lado dela, cuidará de suas necessidades. Considere isso uma promoção."
Lúcia ficou boquiaberta, chocada. Servir a senhorita Clara? A filha biológica da família? Isso era um salto social inimaginável. Mas por quê?
"Minha senhora... eu não a entendo. Eu sou sua empregada."
"E continuará sendo leal a mim", disse Sofia, sua voz um sussurro conspiratório. "Mas você servirá a Clara oficialmente. Ela precisa de alguém de confiança. E eu confio em você para cuidar bem da minha querida irmã."
Sofia se lembrava perfeitamente. Lúcia, com sua ambição e falta de escrúpulos, era a ferramenta perfeita. Colocá-la ao lado de Clara era como plantar um espião no acampamento inimigo. Lúcia relataria cada movimento, cada sussurro, cada intriga de Clara, não por lealdade a Sofia, mas por seu próprio interesse. Sofia garantiria que valesse a pena.
Lúcia, vendo a oportunidade de se aproximar do centro do poder da família, rapidamente escondeu sua confusão. Seus olhos brilharam com ganância. Ela viu joias, vestidos e uma vida melhor.
"Será uma honra, minha senhora. Cuidarei da senhorita Clara como se fosse a senhora mesma."
"Eu sei que sim", disse Sofia, com um sorriso satisfeito.
Elas entraram na casa. Dona Isabel, sua mãe adotiva, as recebeu na sala de estar. Seu rosto era uma carranca permanente sempre que via Sofia.
"Sofia. Que visita inesperada", disse ela, sem se levantar.
"Mãe", Sofia cumprimentou com uma reverência perfeita. "Vim ver Clara."
"Ela está em seu quarto, como sempre, lendo seus livros de medicina. Uma moça tão virtuosa e inteligente", disse Dona Isabel, o orgulho evidente em sua voz.
A menção de "livros de medicina" fez o estômago de Sofia revirar. Era com esse falso conhecimento que Clara a envenenou.
Clara desceu as escadas logo depois, alertada por um servo. Ela usava um vestido branco simples, seu rosto um retrato de inocência e beleza.
"Sofia! Que surpresa agradável!", ela disse, com um sorriso que Sofia sabia ser falso.
"Irmã", disse Sofia, pegando as mãos de Clara. "Eu tenho notícias maravilhosas. E um presente para você."
Ela então anunciou sua gravidez. Como esperado, um flash de inveja sombria passou pelos olhos de Clara antes de ser rapidamente substituído por um sorriso radiante.
"Oh, Sofia! Estou tão feliz por você e pelo Quarto Príncipe! Um bebê real! Que bênção!"
Era uma atuação digna de um teatro.
"E como estou grávida, preciso de mais descanso", continuou Sofia, observando a reação de Clara. "Por isso, pensei que você gostaria de ter Lúcia ao seu lado. Ela é muito competente. Eu me preocupo que você fique sozinha."
Clara olhou para Lúcia e depois de volta para Sofia, desconfiada.
"Mas ela é sua empregada pessoal. Eu não poderia..."
"Eu insisto", disse Sofia, com firmeza. "Considere isso um presente. Para que você tenha alguém para conversar e ajudar. Além disso, a casa do príncipe pode ser um lugar solitário. Agora que vou me concentrar na minha gravidez, quero ter certeza de que você está bem cuidada."
A lógica era impecável. Rejeitar a oferta pareceria ingratidão. Clara, que sempre se orgulhou de sua imagem virtuosa, não teve escolha a não ser aceitar.
"Bem... se você insiste. Obrigada, irmã. Você é muito gentil."
Mais tarde, quando Sofia estava de saída, a mãe de Lúcia, que trabalhava na cozinha, veio agradecer-lhe profusamente.
"Princesa, muito obrigada por dar essa oportunidade à minha filha! Estamos eternamente gratas!"
A mulher mal conseguia conter sua alegria. Sua filha agora servia à verdadeira senhorita da casa. Sofia apenas sorriu, um sorriso enigmático.
Elas não tinham ideia de que a "oportunidade" era uma armadilha. Lúcia era a isca, e Clara era o peixe. E Sofia, a pescadora paciente, apenas observava, esperando o momento certo para puxar a linha.
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