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Capa do romance O Protetor

O Protetor

Luana acreditava estar completamente desamparada e solitária em sua jornada. No entanto, sua percepção muda drasticamente com a chegada de um médico atraente e sedutor. Ele surge em sua vida decidido a oferecer muito mais do que um simples refúgio ou amparo. Entre o cuidado profissional e uma atração irresistível, esse homem misterioso está disposto a ultrapassar barreiras para garantir sua segurança e conquistar seu coração de forma definitiva.
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Capítulo 3

Já fazia uma semana desde o dia em que Fábio tinha beijado Luana. Ele não conseguia tirá-la da cabeça, mas decidiu dar um espaço a ela, afinal ela recém tinha perdido o namorado, e apesar de ele ser um canalha, ela esperava um filho dele.

Mas hoje ele estava decidido, iria ligar para ela, e marcar um jantar. Quem sabe ela o havia perdoado daquele beijo inesperado. Estava começando seu plantão e a emergência já estava lotada. Era verão, mas também época de tempestades. Logo cedo podia-se notar as nuvens escuras no céu, com certeza viria uma forte tempestade.

Era cirurgião, o melhor que tinha no hospital, se orgulhava disso, mas em dias como hoje, todos eram iguais e iam para a emergência ajudar. A forte tempestade começara fazia menos de meia hora, e já estavam lotados, um engavetamento de carros ocorreu devido a queda de uma árvore em uma avenida, e havia deixado muitos feridos.

Luana estava ansiosa em seu apartamento, já fazia uma semana desde que Fábio havia saído pela sua porta. Ela precisava pensar, mas já estava nervosa. Ele havia sido tão legal com ela, mas será que era apenas interesse? Será que só queria se aproveitar dela naquele momento difícil? Estava remoendo isso na mente, quando lembrou dos olhos dele, aqueles doces e penetrantes olhos azuis. Não, ele não faria isso, ela também sentiu atração por ele, mesmo estando em um momento como aquele. Foram as emoções que os descontrolaram.

Soube quando ligou para o hospital no dia seguinte ao acidente que os pais de Pedro haviam ido lá e organizado tudo para o funeral. Não haviam ido atrás dela depois de uma semana, isso queria dizer que não sabiam dela, e isso era o melhor. Resolveu sair de casa, para aliviar a tensão. Havia pedido licença no trabalho para se recuperar uns dias, tinha umas férias vencidas e aproveitou para tirar 15 dias de folga.

Sorriu para si mesma, alisando a barriga, ainda reta, daqui há 10 dias teria sua primeira consulta com a ginecologista, estava animada, por fim teria uma família de verdade, um pedacinho seu.

Se arrumou cuidadosamente, colocou um par de sandálias baixas, um vestido floral que ia até os joelhos, prendeu seu cabelo longo em um rabo de cavalo e passou uma leve maquiagem.

Depois de tantos dias em casa, precisava se reerguer e encarar a vida de frente. Durante o tempo que esteve com Pedro não havia comprado nada pra ela, então hoje, decidiu que iria comprar roupas novas. Isso mesmo, para uma nova fase na vida, ela precisava de novas roupas. Sorriu satisfeita com o que viu no reflexo do espelho. Pegou sua bolsa, e um guarda chuva, já que as previsões climáticas diziam que iria chover.

Saiu de seu prédio, olhou o céu nublado e quase voltou pra casa, mas não, ela tinha que aliviar a cabeça, e nada melhor que um passeio. Tentou chamar um taxi, mas pelo visto estavam todos atendendo pessoas com medo da tempestade que vinha se aproximando. Respirou fundo e resolveu andar um pouco. O shopping era um pouco longe de seu bairro, mas uma caminhada lhe faria bem. Afinal, se começasse a chover no caminho, pararia e tentaria chamar um taxi novamente.

Já no meio do trajeto, Luana se sentia cansada, devia ser pelo calor excessivo ou pelo início da gravidez. Andou mais um pouco e a chuva começou forte, com rajadas intensas de ventos, ela corria com seu guarda chuva, pensando em como fora tola em sair a pé com um tempo daqueles. Correu por duas quadras sem encontrar nenhum local aberto para se proteger. De repente sem se dar conta, uma árvore estava caindo, correu para o lado para se desviar, mas foi atingida por um carro que também se desviava da árvore.

Luana não sabia direito o que estava acontecendo, só lembrava de estar correndo da chuva, e agora ouvia gritos, barulho de sirenes, mas não conseguia se mexer nem abrir os olhos.

Fábio estava atendendo um senhor que acabara de chegar, o senhor chorava desesperado, contando que atropelou uma moça. Perguntava como ela estava, se estava bem. Fábio tentava acalmá-lo:

- Calma senhor, ela deve estar bem, se não está vai ficar, ela veio para o melhor hospital da cidade, além do que não soube de mortes ou casos graves do acidente.

ATENÇÃO DR. FÁBIO FAVARETTO COMPARECER A SALA DE EMERGENCIA TRAUMA 2

ATENÇÃO DR. FÁBIO FAVARETTO COMPARECER A SALA DE EMERGENCIA TRAUMA 2

O autofalante chamava Fábio insistentemente, Fábio se desculpou com o senhor e foi a sala que o chamavam.

Ao entrar na sala, paralisou. Era ela, era Luana. Estava com um vestido florido rasgado, faziam compressões violentas nela pois estava com parada cardíaca. Ele não conseguia entender o que estava acontecendo, como Luana foi parar lá naquele estado? Ouvia os médicos o chamando mas não conseguia se mover. Um desespero tomou conta de seu coração. Poderia perdê-la sem ao menos tê-la?

Os médicos o encaravam preocupados e perguntavam se estava tudo bem. Ele ficou parado, sem conseguir responder. Outro médico mais experiente chegou e começou a dar ordens e comandos, encaminhando Luana para a sala de cirurgias.

Dr. Arthur Gonçalves o olhou nos olhos e falou de modo sério e rápido: - Está tudo bem? pode realizar a cirurgia? Ela foi atropelada no acidente que aconteceu pela queda da árvore, esta com hemorragia interna, precisamos parar o sangramento.

Fábio ouvia desesperado, até que respondeu: - Ela está grávida. Não consigo... precisam salvá-la, e seu bebê... - Estava ficando pálido.

Arthur chamou uma enfermeira para ajudar Fábio. Olhou nos olhos do amigo que conhecia a tanto tempo, viu insegurança e medo. Nunca havia presenciado o amigo nesse estado, nem mesmo quando descobrira da morte de seu pai. Ele sempre era contido, alegre e profissional. Sentiu pena do amigo e garantiu: - Vamos salvá-la!

Uma enfermeira, acompanhou Fábio até a sala dos médicos, ofereceu um copo de água, que ele pegou em modo automático. Nunca pensou que pudesse se apaixonar tão rápido, por uma desconhecida, vivendo uma bagunça. Nunca quis sofrer como sua mãe e perigar morrer de amor. Ele sempre saia com mulheres legais, mas dessa vez era diferente. Ele sentia que precisava estar com ela. Era mais forte que ele, mais forte que sua própria vontade. Não podia perdê-la... não podia.

Se levantou e correu para sala de cirurgias. Entrou e foi parado por um enfermeiro que o alertou que não podia entrar, podia ver pelo vidro da sala de residência cirúrgica, sem pensar duas vezes Fábio correu para a sala ao lado, precisava acompanhar a cirurgia de Luana, quem sabe suas orações surtiriam efeito.

Ao entrar lá, se arrependeu na mesma hora. Ela estava coberta com dois lençóis que lhe cobriam os peitos e a baixo da cintura. Os cirurgiões estavam a operando, não conseguia ver mais, as lágrimas escorriam por seus olhos. Ele havia prometido a si mesmo que a protegeria, que a faria feliz, e a deixou sozinha. Não ligou nem mandou mensagem, como pôde deixá-la sozinha... sentou em uma cadeira com as mãos no rosto. Quem o via nesse estado não acreditaria que ele era o mais forte médico daquele hospital, não acreditaria que a poucas horas atrás estava gargalhando com um paciente antigo. Ele se importava com as pessoas, mas nunca ultrapassava o nível profissional, não podiam se envolver assim. O que acontecera com ele?

Luana acordou com dor de cabeça, abriu os olhos e viu uma luz branca, estava em um hospital. Como fora parar ali. Sua cabeça latejava, levou a mão na cabeça com dificuldade. Uma enfermeira entrou na sala sorrindo:

- Tudo bem Srta. Luana. Me chamo Melissa, como está se sentindo?

- Com dor de cabeça. O que aconteceu? Porque estou neste hospital?

- Bem a senhora sofreu um acidente, foi atropela no meio de uma tempestade.

Enquanto a enfermeira falava Luana via as lembranças voltando, as sirenes, os médicos gritando e correndo, não lembrava direito, mas sabia que foi grave.

- Enfermeira... - Tinha medo de perguntar, mas precisava saber. Respirou fundo e tomou coragem. - Meu bebê, está bem? Eu estou grávida, de poucas semanas. - Luana já começava a chorar, antecipando o que vinha a seguir.

Melissa ficou séria, lembrou que haviam feito de tudo, mas quando terminaram a cirurgia viram que a gravidez de Luana era ectópica, não havia o que fazer, o feto estava fora do útero, não tinha como sobreviver ali, além do mais poderia matá-la caso rompesse.

- Luana, vou verificar com o Dr. Gonçalves, só um momento. - E saiu do quarto.

Assim que a enfermeira saiu, Luana caiu no choro.

- Como isso foi acontecer? Porque eu decidi sair com aquele tempo. Oh como fui burra. Perdi meu bebêzinho sem nem ao menos ter a chance de saber se era menino ou menina.

- Luana...

Luana ergueu a cabeça e viu Fábio, olhar fundo, olheiras enormes, despenteado e barba por fazer. Com roupas normais, e um buquê de flores rosas na mão. Seu rosto denunciava sua preocupação. Seria com ela? Como? Mal se conheciam.

Ele se aproximou lentamente, segurou sua mão: - Que bom que você acordou. - Ele disse com um leve sorriso, mas seu olhar continuava triste.

- Fábio... obrigada por estar aqui, mas não precisa... - Fábio a interrompeu

- Precisa sim Luana. Você está aqui deitada nessa cama há 15 dias. Luana, 15 dias!!! - Ela pode ver as lágrimas em seus olhos e se surpreendeu, ele estava realmente preocupado com ela.

- Eu não durmo direito, não como, não vou pra casa. Eu não acredito que você acordou e está bem... - Ele se ajoelhou na beirada da cama, beijava a mão de Luana e chorava.

Luana nunca imaginou aquela cena em sua vida. Como ele podia estar tão preocupado com ela? Tá certo que se sentiram atraídos um pelo outro, e que ele tentara beijá-la. Mas a ponto de se ajoelhar em sua cama...

Ela passou as mão naqueles cabelos lisos, pode sentir o aroma de pêra suave. Devia ser de seu shampoo, na outra vez que o vira, ela não conseguira nem prestar a atenção em seu cheiro...

- Fábio... - Uma voz interrompeu.

Luana ergueu a cabeça e encontrou um homem moreno, com uma barba bem feita e olhos pretos. Ele sorriu pra ela e disse.

- Luana, eu sou o Dr. Arthur Gonçalves. Cuidei de você esse período que esteve aqui.

Pigarreou e olhou para Fábio. Sabia que o amigo estava feliz por vê-la bem e acordada. Já o havia agradecido centenas de vezes por salvar a vida dela. Mas como ela ainda não acordava ele não parava de sofrer. Não sabia como tinham se conhecido, nem se o filho que ela ia ter era dele, ficou com receio de perguntar.

Olhando para Fábio pode ver que o amigo estava com os olhos vermelhos, mas havia algo mais que ele não soube identificar na hora.

- Fábio, preciso conversar com Luana, poderia nos dar licença? - Sabia que estava correndo risco de magoar o amigo, mas não sabia a relação deles e se podia falar na frente dele. Esses últimos dias Fábio mal saía daquele quarto, e ele teve que cobrir seus plantões, então não tiveram tempo de conversar.

- Não vou sair Arthur!

- Tudo bem pra você Luana? - Arthur se direcionou a ela .

- Sim Dr. Gonçalves, pode falar! Fábio e eu somos amigos.

Fábio sentiu uma vertigem. Ele precisava esclarecer isso. Ele não a queria como amiga apenas, ele queria protegê-la, estar com ela, amá-la, fazê-la feliz para sempre. Teria de convencê-la! Pensando nisso Fábio olhou para o amigo que o encarava incrédulo.

Como podia Fábio estar a beira da loucura por uma amiga? Arthur estava confuso, mas decidiu não questionar nada e falar as notícias que tinha.

- Luana, você correu grande risco de vida. - Respirou fundo. - Fizemos de tudo para salvar você e seu bebê.

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