
O Príncipe Coreano
Capítulo 3
Como presente de aniversário, meses adiantado, Carlos pagou para Mel a prometida viagem de um fim de semana para Sara e ela ao Rio de Janeiro onde assistiriam o show da banda Tay Brothers. Banda coreana que estava fazendo sucesso mundialmente.
A viagem foi muito tranquila e elas ficaram hospedadas no famoso Copacabana Palace.
No dia anterior ao show, as duas estavam fazendo turismo pelo calçadão e tirando fotos quando foram abordadas por oito garotos coreanos. Mel percebeu na hora que eram os integrantes da banda, mas evitou dar uma de tiete . O vocalista, lindo e ruivo, ao vê-las fazendo poses ao lado do monumento de Carlos Drummond de Andrade, pediu sorridente:
― Podemos tirar algumas fotos com vocês?
O inglês dele era perfeito. Por sorte, elas dominavam esse idioma.
As garotas olharam para ele desconfiadas do motivo, mas Mel balançou a cabeça para indicar que eram bem-vindos. Afinal estavam ali para se divertir. E jamais perderia a chance de tirar fotos com os Tay Brothers.
Eles estavam vestidos com trajes leves por causa do intenso calor. Apenas dois deles usavam bonés. E todos tinham óculos escuros.
Sara e Mel também não se encontravam apenas de trajes de banho. Os biquínis estavam debaixo do short jeans surrados e das camisetas que usavam quase como duas gêmeas. A única diferença nas roupas eram as cores. O jeans de Mel era tingido de preto e a camiseta era verde. Já Sara usava jeans azul e camiseta amarela.
Logo estavam tirando várias fotos e conversando animadamente. Compraram sorvetes de casquinha e passeavam pela orla de Copacabana como se fossem um grupo de amigos de férias.
Algumas fãs se aventuravam a ir até eles pedir autógrafos ou para tirar fotos, e eram recebidas com muito carinho. E saiam suspirando.
O tempo todo eles chamavam Sara de Loirinha e Mel de Morena, e faziam perguntas sobre os costumes brasileiros.
Em alguns momentos eles conversavam em coreano crentes de que elas não entendiam. Mel resolveu deixá-los com essa ilusão, afinal só falavam da beleza delas.
Infelizmente o momento de diversão acabou, rápido demais, quando eles receberam uma ligação do agente e foram encontrá-lo em um restaurante.
Assim que eles partiram as duas amigas determinaram que já tinham fotos suficientes do passeio e decidiram voltar.
― O que eles estavam dizendo naquela língua estranha? – Sara perguntou enquanto seguiam para o hotel onde almoçariam antes de curtir um pouco mais a cidade após descansar.
― Estavam falando da nossa beleza típica brasileira e rindo por poderem falar qualquer coisa na língua deles sem que entendêssemos. Também estavam felizes por não serem reconhecidos, pois assim puderam se divertir com duas “gatinhas” – Mel fiz um sinal com os dedos para indicar as aspas da palavra gatinhas.
― Devia tê-los desmascarado – fez uma pausa como se faltasse algo na explicação. — Como assim reconhecidos?
― Eles são os integrantes da banda que viemos assistir – respondeu como se fosse a coisa mais corriqueira do universo. Tinha dificuldade em aceitar que a amiga estava distraída o bastante para não perceber, mesmo que as fãs que se aproximaram deles fossem discretas.
Sara gostava das músicas, mas não era fã a ponto de reconhecê-los na rua. E estava ocupada demais “babando” na beleza deles para se preocupar em saber quem eram as pessoas que se aproximavam.
― Não posso crer! – parou na frente da amiga.
Mel apenas riu da expressão dela.
― Se eu soubesse teria abraçado bem mais aqueles gatinhos de olhos puxados – andava de ré para olhar para a amiga enquanto falava. — Devia ter me contato. Se falasse em português eles nem entenderiam.
― Você tem várias fotos com eles. E nem precisou se esforçar para conseguir. Se dê por satisfeita – Mel parou temendo que Sara caísse se continuasse andando de ré.
― Até os coreanos reconhecem a nossa beleza.
Voltando a virar para caminhar corretamente, abraçou a cintura de Mel e apressou o passo.
― Vamos! Quero postar essas fotos e matar minhas colegas de inveja.
― Poste, mas não cita o nome da banda não. Coloque algo como “curtindo com os amigos”. Vamos ver quem vai ser o primeiro a descobrir a identidade dos nossos “amigos”.
Riram.
A postagem foi um sucesso. Sara conseguiu o que queria. A palavra inveja foi o que mais apareceu nos comentários.
Continuaram o fim de semana de diversão. No dia do show, apesar dos excelentes lugares, não conseguiram se aproximar muito da banda porque as outras fãs eram bem mais atrevidas e se aglomeravam perto do palco. Mesmo as da aérea VIP.
― Da próxima vez quero ingresso com lugares no palco – Sara gritou para a amiga ouvir.
― Eu também – Mel confessou.
Sentiu falta da tarde com os garotos da banda e principalmente do líder deles, Kwan. Ele parecia disposto a esclarecer tudo que ela questionava sobre a Coreia do Sul. Era o mais atencioso dos oito.
Curtiram o show como fãs normais, mas o momento descontraído com a banda ficou reservado na gaveta de suas melhores lembranças.
***
Quando estavam fazendo checkout no hotel, as amigas tiveram uma surpresa agradável. Kwan apareceu para entregar um CD a funcionária que era fã da banda.
Logo que ele as viu, reconheceu.
― Que surpresa maravilhosa ver minhas amigas brasileiras antes de partir! Se soubesse que estavam no mesmo hotel, as teria procurado para mais fotos e mais papos – comentou em inglês.
― Também não sabíamos que estariam aqui. É uma pena esse desencontro! – foi Sara quem respondeu na mesma língua. Estava muito animada com a descoberta de que ele era o líder da banda.
― Não tem problemas. Me passem os contatos do Instagram de vocês, assim vou poder saber mais sobre as lindas meninas brasileiras.
Sara anotou em um pedaço de papel que a recepcionista forneceu e entregou para ele.
O tempo todo Mel apenas acompanhava a conversa dos dois. Estava se divertindo vendo a amiga se divertir.
― Foi um prazer – se despediram quando o táxi, que elas pediram, chegou.
Depois de conhecerem pessoas tão animadas e educadas como os integrantes da Tay Brothers, Mel e Sara conseguiram se apaixonar um pouco mais pelo universo K-pop.
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