
O Preço da Traição Pública Dele
Capítulo 3
Ponto de Vista: Clara
"Nós podemos te apresentar a tantos jovens maravilhosos, Clara", declarou minha mãe, com o braço entrelaçado no do meu pai. "É só você dizer. Nossa garotinha merece o melhor."
Meu pai assentiu em concordância, seu olhar caloroso e reconfortante.
"Com certeza, princesa. Chega de segredos. Você merece um amor que possa ser gritado aos quatro ventos."
Arthur, enquanto isso, estava completamente absorto com Daniela.
Ele segurava a mão dela, seu polegar acariciando suavemente as juntas dos dedos dela, um gesto pequeno e íntimo que eu conhecia muito bem.
Meu sangue gelou.
A dor, aguda e sufocante, ardeu novamente.
Era uma queima lenta, uma dor constante que latejava a cada olhar, a cada palavra sussurrada entre eles.
Uma raiva súbita e feroz, fria e calculista, ferveu sob minha fachada cuidadosamente construída.
Ele acha que pode fazer isso? Me apagar? Me substituir?
Ele acha que vai sair impune?
Respirei fundo, uma faísca perigosa se acendendo dentro de mim.
Virei-me para Arthur, minha voz clara, cortando a conversa de fundo.
"Na verdade, pai, o Arthur está certo. Não estou procurando ninguém agora", comecei, um sorriso doce brincando em meus lábios. "Eu, na verdade, já tenho alguém."
A atmosfera festiva ao nosso redor pareceu congelar.
As risadas morreram. As conversas vacilaram.
A mão de Arthur, que estava acariciando a de Daniela, parou.
Seu sorriso, antes tão natural, tornou-se rígido, uma máscara de polidez forçada.
Ele se virou para mim, seus olhos arregalados, um aviso silencioso piscando entre nós.
Não se atreva, Clara.
Uma risada amarga borbulhou em meu peito.
Ah, mas eu vou, Arthur. Com certeza eu vou.
"Ele é, na verdade, bastante estabelecido", continuei, saboreando o tremor sutil em sua postura. "Um arquiteto de sucesso, assim como você, Arthur. Dono de sua própria firma."
Os olhos de Arthur dispararam ao redor, uma busca desesperada por uma rota de fuga, uma maneira de controlar a narrativa.
O pânico começou a nublar seu olhar geralmente composto.
Ele tentou balançar a cabeça sutilmente, um apelo silencioso para que eu parasse.
Mas a dor que ele infligiu, a humilhação, era um fogo violento dentro de mim.
Ignorei seu apelo silencioso, meu olhar se fixando no dele, um desafio silencioso.
Meu coração estava batendo forte, uma batida selvagem contra minhas costelas, mas uma estranha sensação de poder percorria meu corpo.
"Ele é um homem adorável", acrescentei, uma doçura açucarada cobrindo minhas palavras. "Muito gentil. Muito atencioso. E o melhor de tudo, ele acredita em honestidade e transparência nos relacionamentos."
O rosto de Arthur perdeu a cor.
Sua mão apertou a de Daniela, quase imperceptivelmente.
Senti uma onda de satisfação, uma emoção sombria e potente.
É isso que você ganha, Arthur. É isso que você merece.
A dor latejante em meu peito, aquela que era constante desde que o vi beijá-la, intensificou-se, um lembrete agudo de sua traição.
Mas agora, era acompanhada por um lampejo de outra coisa: vingança.
Desviei o olhar dele, meu olhar varrendo meus pais.
"Mas é tudo muito novo", esclareci, com um encolher de ombros casual. "Então estamos apenas aproveitando para nos conhecermos. Não há necessidade de apressar nada."
Arthur visivelmente relaxou de alívio.
A tensão em seus ombros diminuiu, e um leve rubor voltou às suas bochechas.
Ele soltou um suspiro que não percebeu que estava segurando.
Nesse momento, o telefone do meu pai tocou, afastando-o da conversa.
"Querida, vou atender essa ligação lá fora", disse ele, dando um beijo rápido na bochecha da minha mãe.
"Cuidado, querido", ela gritou atrás dele. "Está frio lá fora."
Daniela, sempre a noiva solícita, virou-se para mim, um sorriso caloroso no rosto.
"Clara, está ficando tarde. Você gostaria que a gente te deixasse em casa?", ela ofereceu, sua voz gentil, quase maternal.
Meu estômago se revirou.
A ideia de ficar presa em um carro com eles, respirando o mesmo ar, fingindo que tudo estava bem, era insuportável.
"Não, obrigada, Daniela", respondi, minha voz fria. "Eu vou ficar bem. Meus pais ainda estão aqui."
Mas Arthur, sempre o controlador, interveio.
Ele colocou a mão no meu braço, seu toque enviando arrepios de repulsa pela minha espinha.
"Bobagem, Clara", disse ele, seu tom firme, não deixando espaço para discussão. "Está no nosso caminho. É o mínimo que podemos fazer."
Ele me guiou gentil, mas firmemente, em direção à saída, seu aperto em meu braço um comando silencioso.
A noite, que havia começado com esperança, estava rapidamente se transformando em um pesadelo.
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