
O Preço da Traição: A Bilionária Que Você Rejeitou
Capítulo 2
Sofia estava na sala de estudos da mansão Arruda, a chuva batia forte na janela.
Ela segurava a carta de aceitação da bolsa de investigação na Europa, o papel tremia em suas mãos.
Leonardo Arruda, seu noivo, entrou na sala, o cheiro de café forte vindo com ele.
"Sofia, precisamos conversar."
A voz dele era fria, como sempre.
Sofia levantou os olhos, o coração já afundando. Ela conhecia aquele tom.
"Sobre a bolsa?" ela perguntou, a voz um fio.
Leonardo não a olhou diretamente, seus olhos percorreram os livros nas prateleiras.
"Sim. Beatriz demonstrou interesse em energias renováveis. Ela quer a bolsa."
Beatriz. A suposta filha biológica dos Arruda, aparecida há poucos meses, virando a vida de Sofia de cabeça para baixo.
Sofia sentiu o ar faltar. "Mas... esta bolsa é minha. Eu trabalhei anos por ela."
"Beatriz é uma Arruda de sangue. Ela tem prioridade. Você entende, não é?"
A Sra. Arruda, mãe de Leonardo, entrou na sala, seu rosto uma máscara de falsa simpatia.
"Sofia, querida, pense nisso como um sacrifício pela família. Beatriz precisa desta oportunidade para se integrar, para mostrar seu valor."
Sacrifício. A palavra ecoou na mente de Sofia. Sua vida inteira parecia um sacrifício para os Arruda.
"Mas e meus estudos? Meu futuro?"
Leonardo finalmente a olhou, um brilho de impaciência nos olhos.
"Você pode continuar pesquisando aqui. Temos recursos. Não seja egoísta, Sofia."
Egoísta. Ela, que dedicara cada minuto de sua existência a agradá-los, a amar Leonardo em silêncio por mais de uma década.
Sofia engoliu em seco, as lágrimas ameaçando transbordar.
"Tudo bem," ela sussurrou. "Se é o que vocês querem."
Leonardo sorriu, um sorriso que não alcançava os olhos.
"Ótimo. Sabia que você entenderia. Agora, preciso ir. Beatriz quer ajuda para escolher um vestido para o evento da universidade."
Ele se virou para sair, mas parou na porta.
"Ah, Sofia, preparei algo para você. Para compensar."
Ele tirou do bolso uma pequena caixa de veludo. Dentro, um delicado colar de pérolas.
"São lindas, não são? Beatriz adorou quando as viu na joalheria. Achei que você também gostaria."
O colar era idêntico ao que Beatriz usava no dia anterior.
O coração de Sofia se partiu em mais um pedaço. Ele nem sequer se lembrava dos gostos dela.
A chuva lá fora pareceu aumentar, espelhando a tempestade em seu peito.
Ela olhou para o colar, depois para as costas de Leonardo enquanto ele se afastava.
O frio que sentia não vinha da chuva, mas da constatação gelada de que, para Leonardo, ela nunca seria mais do que uma peça conveniente, facilmente substituível.
Sofia era órfã. Os Arruda a adotaram ainda criança, um gesto de aparente caridade que escondia um antigo acordo familiar. Ela estava prometida a Leonardo, o herdeiro, para cumprir um pacto que originalmente envolvia a filha biológica desaparecida deles.
Leonardo fora sua única luz naquela casa fria e opressora, o objeto de um amor infantil que se transformara em uma devoção adulta, profunda e não correspondida.
Por anos, ela suportou a negligência e os abusos emocionais velados, a crueldade disfarçada de disciplina, tudo em nome desse amor.
Então, Beatriz apareceu. Alegando ser a filha perdida, ela rapidamente conquistou o coração dos Arruda e, mais dolorosamente, o de Leonardo.
A vida de Sofia, que já era difícil, tornou-se um inferno.
Naquela noite, Sofia trabalhou até tarde no laboratório da universidade, tentando esquecer a dor da bolsa perdida.
Voltou para casa exausta, o corpo começando a dar sinais de febre.
Leonardo não estava. Um bilhete na geladeira dizia: "Beatriz precisou de mim. Não me espere."
A febre aumentou durante a noite. Sofia tremia, sozinha em seu quarto, o vazio ao seu lado na cama maior do que nunca.
Ela ligou para Leonardo várias vezes. Caixa postal.
O descaso dele era um golpe físico.
Com as últimas forças, Sofia pegou o celular novamente.
Não ligou para Leonardo.
Discou o número de um investigador particular que havia contratado meses antes, em um raro momento de rebeldia silenciosa.
Ele havia encontrado seus pais biológicos. Em Angola. Donos de um império empresarial.
"Alo?" A voz sonolenta do investigador atendeu.
"Sou eu, Sofia. Preciso dos detalhes. Agora."
Ela desligou, o corpo ardendo em febre, mas uma nova e frágil chama de determinação acendendo em sua alma.
Angola. Um novo começo. Longe dos Arruda. Longe de Leonardo.
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