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Capa do romance O Preço da Sua Escolha

O Preço da Sua Escolha

Grávida, vi Heitor me trocar pela ex-namorada e um suposto herdeiro. Ele me abandonou em exames médicos para viver uma farsa familiar. Após o filho dela quase causar meu aborto e Heitor destruir a memória do meu pai, fui isolada e humilhada. Ele me manteve prisioneira enquanto desfilava com sua nova vida, acreditando na minha submissão. Porém, durante uma festa luxuosa dedicada à amante, decidi reconquistar minha liberdade e abandonei tudo para sempre.
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Capítulo 3

Heitor saiu, seus passos pesados e lentos, a porta se fechando atrás dele como um martelo final. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, mas era um silêncio bem-vindo, um espaço onde eu finalmente podia respirar sem o peso sufocante de suas mentiras. Minhas mãos ainda tremiam da confrontação, mas minha mente estava friamente clara.

Primeiro, peguei meu celular. Meus dedos voaram pela tela, discando o número que Corina me dera semanas atrás – um advogado de divórcio discreto, mas formidável, que ela conhecia. Isso não era um impulso; era uma decisão forjada na dor, endurecida pela traição. Falei com calma, concisão, descrevendo minha situação, solicitando os papéis necessários.

Então, liguei para Corina. Sua voz estava carregada de alívio quando ouviu a minha. "Juliana, querida! Você está bem? Eu estava tão preocupada."

"Estou bem, Corina", eu disse, a mentira com gosto de serragem. "E vou deixá-lo."

Um instante de silêncio, depois um soluço engasgado do outro lado. "Oh, minha pobre menina", ela sussurrou. "Meu filho é um tolo. Um completo idiota. Venha para casa, Juliana. Venha para mim. Minha casa é sua casa."

"Não é sua culpa, Corina", eu disse a ela, as palavras genuinamente sentidas. Ela tinha sido minha rocha, minha única aliada neste pesadelo.

"É minha culpa por criar um idiota tão cego", ela corrigiu, a voz afiada de autorrecriminação. "Mas você... você foi a melhor coisa que já aconteceu a ele. Você o tirou daquele lugar escuro. Ele nunca te mereceu."

Suas palavras trouxeram uma nova onda de dor, não por ele, mas pelo fantasma de um passado que não existia mais. Meus dedos instintivamente foram para a cicatriz fraca no meu pulso, um lembrete constante da profundidade do meu compromisso com Heitor, e do preço que eu paguei.

Fechei os olhos, e as memórias inundaram, nítidas e vívidas, um contraste gritante com o homem oco que acabara de sair do meu quarto.

Foi há quatro anos. O acidente. Uma lesão que encerrou a carreira de Heitor, um arquiteto em ascensão. Ele estava quebrado, física e emocionalmente. Os médicos salvaram sua perna, mas a luz em seus olhos havia morrido. Ele jazia naquela cama de hospital, uma sombra do homem vibrante que eu conhecia, recusando a reabilitação, recusando-se a comer.

Eu era apenas uma cuidadora na época, recém-formada, designada para o caso dele. Ele era hostil, amargo, afastando todos. Mas eu vi além da raiva, a dor crua por baixo. Dia após dia, eu sentava com ele, conversando, ouvindo, às vezes apenas estando silenciosamente presente. Ele xingava, ele se enfurecia, ele jogava coisas.

"Apenas me deixe em paz!", ele rugiu um dia, a voz rouca, os olhos ardendo de autopiedade. "Eu sou inútil! Minha vida acabou!"

"Não, não acabou!", eu retruquei, surpreendendo a ele e a mim mesma. "Sua vida não acabou, Heitor. Sua vida antiga acabou. E talvez isso seja uma coisa boa. Você não é suas pernas. Você não é sua carreira. Você é mais do que isso."

Ele me encarou, chocado em silêncio. E lentamente, meticulosamente, um lampejo de algo retornou aos seus olhos. Esperança.

Eu o incentivei, gentilmente no início, depois com ferocidade. Eu estava lá para cada passo doloroso, cada lágrima, cada pequena vitória. Meus braços, fortes e firmes, apoiavam seu corpo trêmulo enquanto ele reaprendia a andar. Minha risada enchia seu quarto silencioso. Meu amor, puro e inabalável, o costurou de volta, pedaço por pedaço.

"Você me salvou, Juliana", ele sussurrou uma noite, meses depois, forte e quase inteiro novamente, me puxando para perto. "Você me trouxe de volta à vida. Eu nunca vou esquecer isso. Eu nunca vou te deixar ir."

A memória se desvaneceu, substituída pela amarga realidade de sua traição. Ele havia esquecido. Ele me deixou ir. Ou melhor, ele me deixou cair, enquanto segurava outra.

Um zumbido agudo do meu celular me trouxe de volta ao presente. Meu coração deu um salto, um lampejo de esperança de que pudesse ser Corina, ou o advogado. Mas era Kênia. Uma mensagem com foto.

Meu sangue gelou. Era o meu colar. O medalhão da minha avó, um presente do meu falecido pai, uma herança inestimável. Estava em um chão de azulejo rachado, estilhaçado, sua delicada corrente de prata quebrada. E ao lado, um pé pequeno e triunfante, o pé de Léo, calçado com um tênis sujo.

O texto que acompanhava era simples, brutal: *Ele deu para o filho de verdade dele. Disse que era só lixo. Você não sabia que o filho de verdade dele brinca pesado?*

A raiva, fria e pura, surgiu em mim, eclipsando todo o resto. Meu corpo tremia, não de medo, mas de uma fúria vulcânica. Isso não era apenas sobre Heitor. Era sobre meu pai. Sobre minha família. Sobre crueldade deliberada e calculada.

Arranquei o soro completamente desta vez, a ferida ardendo. Ignorei as enfermeiras que correram, suas vozes frenéticas. "Não!", gritei, passando por elas. "Saiam da minha frente!"

Minhas pernas, ainda fracas, me levaram na pura adrenalina. Invadi as portas, ignorando os protestos, e marchei pelo corredor. Eu sabia exatamente onde ela estava. Heitor tinha deixado escapar. Sua "suíte de recuperação", como ele a chamava. A ironia me sufocou.

Abri a porta do quarto dela com um estrondo. Kênia estava na cama, apoiada em travesseiros, pintando as unhas tranquilamente. Um cheiro fraco e enjoativo de esmalte enchia o ar. Ela parecia totalmente serena, uma imagem de felicidade doméstica, exceto pela camisola hospitalar berrante.

Ela olhou para cima, assustada, os olhos se arregalando. Um sorriso lento e malicioso se espalhou por seu rosto. "Ora, ora, ora", ela ronronou, largando a lixa de unha. "Olha quem decidiu se juntar à festa. Ainda sangrando, estamos? Tão dramática."

"Sua vadia desgraçada", sibilei, minha voz baixa e perigosa. "Você quebrou o medalhão do meu pai. Você deixou seu filho destruir o legado da minha família."

"Ah, aquela coisa velha?", ela zombou, acenando com a mão de forma desdenhosa. "Heitor deu para o Léo. Disse que era lixo. Ele não queria mais que você o tivesse. Disse que o lembrava do erro dele." Ela fez uma pausa, seu sorriso se torcendo. "E por falar em erros... seu pai também foi um erro, não foi? Um verme covarde que deixou sua mãe ser humilhada. Assim como você."

O insulto ao meu pai, que me amou ferozmente, foi a gota d'água. Minha visão ficou vermelha. Eu me lancei sobre ela, minhas mãos encontrando apoio em seus ombros. Eu a sacudi, com força, a cama frágil chacoalhando sob nós.

"Você não sabe nada sobre meu pai!", gritei, minha voz crua de dor e raiva. "Você não sabe nada sobre mim! Você é uma sanguessuga! Uma parasita! Você só quer o dinheiro dele!"

Ela riu, um som agudo e zombeteiro. "Oh, querida, eu quero mais do que o dinheiro dele. Eu o quero. E eu o tenho. Ele está na minha cama todas as noites. Ele chama meu nome. Ele diz que me ama." Ela se inclinou, a voz caindo para um sussurro teatral. "Ele diz que sou eu quem o entende de verdade. Aquela que ele sempre se arrependeu de ter perdido."

Meu estômago revirou. A bile subiu na minha garganta. A imagem de Heitor com ela, a intimidade que ela descreveu, pintou um quadro vívido e doentio em minha mente.

"Você é patética", ela zombou, apreciando minha dor. "Sempre rastejando de volta para ele. Você acha que ele te ama? Ele comprou esta suíte inteira para mim. Ele está pagando por tudo. Ele sabe onde está sua lealdade. Você não é nada para ele. Uma obrigação esquecida."

Algo se partiu dentro de mim. O último fio da minha contenção, da minha dignidade, se desfez e quebrou. Eu a esbofeteei. Com força. O som ecoou pelo quarto. Sua cabeça virou para o lado, uma marca carmesim aparecendo em sua bochecha.

"Você é uma doença", sussurrei, minha voz tremendo de nojo. "E eu vou te cortar das nossas vidas."

"Saia!", ela gritou, agarrando a bochecha. "Heitor! Me ajude! Ela está me atacando!"

A porta se abriu com um estrondo. Heitor estava lá, os olhos arregalados de horror ao ver a cena: eu, de pé sobre Kênia, minha mão ainda levantada, a bochecha dela vermelha e inchada.

"Juliana!", ele berrou, a voz cheia de uma fúria fria que eu nunca tinha ouvido dirigida a mim. Ele agarrou meu braço, seu aperto machucando, e me puxou para longe de Kênia. "Qual é o seu problema? Ela está doente! Ela está debilitada!"

Kênia começou a soluçar dramaticamente, agarrando-se a Heitor. "Ela me atacou, Heitor! Ela está louca! Ela está tentando machucar nosso bebê!"

Nosso bebê. As palavras torceram a faca ainda mais fundo. Eu encarei Heitor, seu rosto contorcido de raiva. Ele olhou para mim como se eu fosse o monstro.

"Você realmente acredita nela?", perguntei, minha voz mal um sussurro, meu coração se desfazendo em pó. "Depois de tudo?"

"Olhe para você!", ele rugiu, sacudindo meu braço. "Você está fora de controle! Você é violenta! Que tipo de exemplo você está dando? Você está colocando tudo em risco!"

"Eu estou colocando tudo em risco?", zombei, uma risada amarga e histérica me escapando. "Você colocou tudo em risco, Heitor! Você! Suas mentiras! Sua traição! Você nos destruiu!"

"Saia!", ele gritou, me empurrando em direção à porta. "Saia daqui antes que você faça mais algum estrago!"

Tropecei para trás, meu braço latejando onde ele me segurou. Meus olhos encontraram os dele uma última vez. Não havia amor ali. Apenas acusação. Apenas nojo.

"Tudo bem", eu disse, minha voz estranhamente calma. "Espero que você aproveite sua nova família. Porque você acabou de perder a sua antiga. Para sempre."

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