
O Preço da Liberdade
Capítulo 3
Eu não fui embora. Em vez disso, dei as costas para Sofia e caminhei para o outro lado do salão. Peguei meu celular e comecei a responder e-mails de trabalho, a entrar em contato com clientes em potencial que estavam no evento. Se eu estava preso ali, pelo menos faria ser produtivo para a agência e, consequentemente, para o tratamento de Lucas.
Eu agia como se Sofia não existisse. Mantive meu foco, cumprimentei pessoas, troquei cartões. Eu me forcei a entrar no meu modo profissional, uma armadura contra o caos emocional que ela criava.
A distância, eu a vi notar minha indiferença. A testa dela se franziu. Não era essa a reação que ela esperava. Ela prosperava com o meu ciúme, com a minha angústia. Minha calma a desestabilizava.
Então, ela dobrou a aposta.
Sofia e Marcelo desapareceram em uma área VIP, separada do resto do salão por cortinas de veludo. A cortina não se fechou completamente, uma fresta deliberada para que todos vissem. Os sussurros aumentaram. Agora, as pessoas não disfarçavam mais. Riam abertamente, apontando com a cabeça na minha direção.
Um grupo de influencers, amigos de Sofia, passou por mim. Um deles, um cara com cabelo descolorido e roupas de grife, disse em voz alta:
"Tem gente que gosta de ser trouxa, né?"
Antes, eu teria baixado a cabeça. Teria fingido não ouvir. Mas não hoje.
Eu me virei para ele, meus olhos fixos nos dele.
"O que você disse?"
Minha voz era baixa, mas cortou o barulho da festa. O grupo parou. O cara ficou pálido.
"Eu... não disse nada."
"Foi o que eu pensei," eu respondi, e voltei a olhar para o meu celular.
Aquele pequeno ato de resistência me deu uma onda de força que eu não sentia há muito tempo.
Pouco depois, Marcelo saiu da área VIP, sozinho, com um sorriso presunçoso no rosto. Ele veio direto até mim.
"Sua namorada é... impressionante," ele disse, o tom cheio de provocação.
Eu levantei os olhos do celular, dei um gole na minha água e o encarei.
"Ela é, não é? Espero que vocês se divirtam."
A expressão dele vacilou. Ele esperava raiva, um confronto. Não essa tranquilidade quase entediada. Ele ficou sem palavras por um segundo.
"Você não se importa?" ele perguntou, genuinamente confuso.
"Marcelo, eu tenho uma campanha para entregar na segunda-feira e um irmão que depende de mim. Acredite, o que você e a Sofia fazem ou deixam de fazer não está nem no meu top 5 de preocupações agora," eu disse, e voltei minha atenção para o celular, dispensando-o completamente.
Ele ficou parado ali por um momento, derrotado, e depois se afastou. Naquele instante, eu percebi uma verdade libertadora: o meu trabalho, a minha responsabilidade com Lucas, isso era real. Isso tinha valor. O drama de Sofia era apenas ruído.
Claro que o ruído não demorou a voltar. Sofia saiu da área VIP, furiosa, marchando na minha direção.
"O que você pensa que está fazendo? Ignorando-me a noite toda! Eu te vi conversando com a Camila! Está flertando com sua colega de trabalho na minha frente?"
A acusação era tão absurda que eu quase ri. Camila, minha colega, tinha vindo me oferecer apoio, preocupada com a situação. Mas na mente de Sofia, tudo girava em torno dela. Se eu não estava sofrendo por ela, só podia estar a traindo. O controle dela sobre mim estava escorregando, e o pânico estava começando a aparecer.
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