
O Preço da Fama e da Calúnia
Capítulo 3
Sofia não soltou o celular. Ela o segurava no alto, como um troféu, enquanto as câmeras davam zoom na foto que selava a condenação pública de Maria da Graça.
"Isso foi no aniversário dele," Sofia mentiu com uma naturalidade assustadora. "Eu não pude ir porque estava trabalhando. E ela, a 'amiga da família', se aproveitou da minha ausência. Ela o seduziu. Olhem para o rosto dela, o rosto de uma víbora satisfeita!"
A multidão rugia em aprovação. As palavras de Sofia eram veneno, e o público bebia avidamente.
Maria da Graça fechou os olhos por um instante, a memória daquele dia vindo à sua mente. Ricardo, seu marido, estava ao lado do fotógrafo, rindo e dizendo: "Cuidado, filho, não quebre a sua madrasta antes do jantar!". Foi um dia feliz, cheio de sol e risadas em família. João Pedro sempre fora carinhoso, um menino grande que a via como a mãe que nunca teve de verdade. Como aquele momento puro pôde ser transformado em algo tão sujo?
Ela se lembrava de outra foto, uma que Sofia provavelmente também tinha. Uma foto dela, de Ricardo e de João Pedro, todos juntos, sorrindo. Por que Sofia não mostrava essa? A resposta era óbvia. A verdade não servia para o seu propósito.
"Essa foto não prova nada!", Maria tentou argumentar, sua voz soando fraca em meio ao barulho. "Meu marido, Ricardo, estava lá! Ele tirou a foto! Nós estávamos comemorando em família!"
Sofia riu de novo, um som que feria os ouvidos.
"Seu marido? Que marido? O homem invisível? Onde ele está agora para te defender, hein? Por que João Pedro não está aqui dizendo que você é a madrasta dele? Porque é tudo mentira!", ela se virou para a câmera. "Ela é uma golpista. Ela persegue o João Pedro há meses. Ele é bom demais, ingênuo demais, e não sabe como se livrar dela."
Cada palavra era uma distorção, uma facada. A forma como Sofia torcia a realidade era tão habilidosa que até Maria, por um segundo, duvidou de sua própria sanidade. Mas então, uma onda de náusea a atingiu. Não era apenas o estresse. Era algo mais.
Ela levou a mão à barriga, uma tontura repentina a fazendo perder o equilíbrio. Ela se apoiou no sofá do cenário, a respiração curta.
"Eu não estou me sentindo bem," ela sussurrou, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa.
Mas o microfone de lapela captou suas palavras. O apresentador, Carlos, viu uma oportunidade de mais drama.
"Maria da Graça não está se sentindo bem, pessoal! A pressão da verdade é demais para ela!"
Maria sentiu uma pontada aguda no baixo ventre. Um medo frio a percorreu. Com a mão ainda pressionando a barriga, ela olhou para Sofia com desespero.
"Eu preciso de um médico. Eu... eu estou grávida."
A confissão escapou de seus lábios antes que ela pudesse contê-la. Era um segredo que ela e Ricardo guardavam com carinho, esperando o momento certo para compartilhar. Agora, foi arrancado dela no ambiente mais hostil possível.
O estúdio ficou em silêncio por um segundo. Um silêncio pesado, chocado.
E então, Sofia sorriu. Um sorriso largo, cruel e vitorioso. Ela tinha a arma final.
"Grávida?", ela repetiu, saboreando a palavra. Ela se aproximou de Maria, que agora estava pálida como um fantasma. "Grávida de quem, sua vagabunda?"
A pergunta foi um soco no estômago.
"Do meu noivo?", Sofia continuou, sua voz pingando desprezo. "Você deu o golpe da barriga no João Pedro? Você acha que um filho vai te prender a ele e ao dinheiro dele?"
Ela se virou para a plateia, que agora olhava para Maria com puro ódio.
"ELA ESTÁ GRÁVIDA DO MEU NOIVO! ELA É UMA DESTRUIDORA DE LARES! UMA GOLPISTA!"
Os gritos recomeçaram, mais altos, mais furiosos. A acusação de ser amante era uma coisa. A acusação de usar uma criança para um golpe era outra, um pecado imperdoável aos olhos do público. Maria olhou para os rostos contorcidos de raiva, para as câmeras que a devoravam, e sentiu outra pontada, mais forte desta vez. Um líquido quente começou a escorrer por suas pernas. O terror tomou conta dela. Seu bebê. O bebê dela e de Ricardo.
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