Capa do romance O Preço da Amante Dele de Dezenove Anos

O Preço da Amante Dele de Dezenove Anos

8.8 / 10.0
Cristiano Kramer, o playboy de São Paulo, sempre preferiu jovens de dezenove anos. Achei que nosso casamento era real, mas sua negligência matou meu pai quando ele priorizou a amante Íris em vez da doação de medula. Entre acidentes e traições, ele sempre a salvou, deixando-me sangrar e roubando minhas memórias. Fui chamada de ingrata por quem nem notou meu luto. Assinei o divórcio e sumi, recebendo dele uma oferta de ajuda tardia para um pai que já morreu.

O Preço da Amante Dele de Dezenove Anos Capítulo 1

Meu marido, Cristiano Kramer, era o playboy mais notório de São Paulo, famoso por seus casos de verão com universitárias de dezenove anos. Por cinco anos, acreditei que eu era a exceção que finalmente o havia domado.

Essa ilusão se estilhaçou quando meu pai precisou de um transplante de medula óssea. A doadora perfeita era uma garota de dezenove anos chamada Íris. No dia da cirurgia, meu pai morreu porque Cristiano preferiu ficar na cama com ela em vez de levá-la ao hospital.

A traição dele não parou por aí. Quando um elevador despencou, ele a tirou primeiro e me deixou para cair. Quando um lustre desabou, ele protegeu o corpo dela com o seu e passou por cima de mim enquanto eu sangrava no chão. Ele até roubou o último presente que meu pai me deu e entregou a ela.

Apesar de tudo, ele me chamava de egoísta e ingrata, completamente alheio ao fato de que meu pai já tinha partido.

Então, eu silenciosamente assinei os papéis do divórcio e desapareci. No dia em que fui embora, ele me mandou uma mensagem.

"Boas notícias, encontrei outro doador para o seu pai. Vamos agendar a cirurgia."

Capítulo 1

Ponto de Vista de Emília Porto:

Meu pai morreu porque meu marido, Cristiano Kramer, escolheu consolar sua nova favorita, uma garota de dezenove anos, em vez de garantir que ela chegasse ao hospital para doar a medula óssea que teria salvado sua vida.

Em São Paulo, Cristiano Kramer era um nome que brilhava como o horizonte da cidade. Ele era o herdeiro dourado da dinastia imobiliária Kramer, um homem cuja vida era registrada nas colunas de fofoca e nos jornais de negócios com igual fervor.

Sua reputação o precedia. Ele tinha uma preferência específica, quase clínica: garotas jovens, inocentes, universitárias, geralmente por volta dos dezenove anos.

Elas eram como flores de estação em sua vida, chegando com o semestre de outono e murchando nas férias de primavera. Essas garotas, muitas vezes bolsistas deslumbradas por seu carisma e riqueza, eram cobertas de presentes, exibidas em festas e, com a mesma rapidez, descartadas. Seus reinados eram tão previsíveis quanto a troca de estações, um espetáculo breve e brilhante, seguido por uma saída abrupta e final.

A cidade fervilhava com histórias de suas conquistas. A estudante de artes da FAAP que ganhou uma exposição em uma galeria e depois levou um ghosting. A estudante de letras da USP que recebeu uma coleção de clássicos em primeira edição antes de descobrir que as chaves de seu apartamento não funcionavam mais. Era uma máquina cruel e bem lubrificada, e São Paulo assistia com um fascínio distante.

E então, havia eu.

Eu era Emília Porto, uma trabalhadora autônoma que conciliava três empregos para pagar uma faculdade particular qualquer. Eu não era do mundo deles, de coberturas e pedigrees. Eu era de um mundo de turnos noturnos, macarrão instantâneo e do amor silencioso e feroz do meu pai, um professor de literatura aposentado do ensino médio.

E eu também tinha dezenove anos quando o mundo de Cristiano Kramer colidiu com o meu.

A força de sua atenção era aterrorizante e inebriante. Foi um romance avassalador que escandalizou a elite de São Paulo e deixou meu pequeno mundo sem fôlego.

O playboy, o filho pródigo, estava de repente, impossivelmente, reformado.

Ele cortou os laços com seu desfile de universitárias. Comprou floriculturas inteiras só para encher meu minúsculo apartamento com meus lírios favoritos. Aprendeu a cozinhar o ensopado favorito do meu pai, sentando-se pacientemente em nossa cozinha apertada enquanto meu pai, Geraldo William, lhe dava sermões sobre Shakespeare. Ele até abriu mão de seus amados carros esportivos porque eu enjoava facilmente.

Ele me pediu em casamento, de joelhos, no meio da Avenida Paulista, com os telões gigantes que geralmente anunciavam marcas de luxo exibindo uma única e ofuscante pergunta: "Emília Porto, quer casar comigo?"

Eu me tornei o conto de fadas sobre o qual todos sussurravam. A garota da classe trabalhadora que havia domado a fera indomável.

Por cinco anos, ele foi o marido perfeito. Devotado, carinhoso e ferozmente possessivo de uma forma que confundi com amor profundo. Ele construiu uma fortaleza de afeto ao meu redor, e eu acreditei, com cada fibra do meu ser, que eu era sua única, a exceção à sua regra cruel.

A ilusão se estilhaçou quando meu pai adoeceu.

Leucemia mieloide aguda. As palavras do médico soaram como uma sentença de morte. A única esperança era um transplante de medula óssea. Procuramos no registro global, mas nenhum doador compatível foi encontrado. O desespero começou a se instalar, uma névoa espessa e sufocante.

Cristiano, meu marido perfeito, apareceu como um salvador. Ele usou a fortuna dos Kramer para lançar uma campanha massiva de doação em toda a cidade, financiando kits de teste e estampando a história do meu pai em outdoors. Ele me abraçou enquanto eu chorava, sussurrando: "Eu vou salvá-lo, Emília. Eu prometo."

E então, um milagre. Uma doadora perfeitamente compatível foi encontrada.

O nome dela era Íris Lins. Uma bolsista da USP.

Ela tinha dezenove anos.

A primeira vez que a vi, ela estava no saguão do hospital, parecendo frágil e sobrecarregada. Cristiano a trouxera. Ela usava um vestido branco simples, as mãos segurando nervosamente a alça da mochila. Ela olhou para Cristiano com olhos grandes e adoradores, sua voz um sussurro tímido enquanto agradecia pela oportunidade de ajudar.

A coincidência de sua idade — aquele número mágico e amaldiçoado — me deu um calafrio na espinha, mas rapidamente descartei. Aquela garota estava salvando a vida do meu pai. Ela era um anjo.

A cirurgia foi marcada. Meu pai, Geraldo, foi transferido para uma ala de isolamento estéril, seu sistema imunológico sistematicamente destruído pela quimioterapia para se preparar para o transplante. Ele estava vulnerável, indefeso, esperando pelo presente de vida que Íris carregava dentro de si.

O dia da cirurgia chegou, uma terça-feira fria e estéril. A janela para o transplante era terrivelmente pequena. Uma vez concluído o protocolo de quimio, o corpo do meu pai era uma lousa em branco, incapaz de lutar contra a menor infecção. A nova medula tinha que ser introduzida dentro de um prazo crítico.

As horas passavam. Os sinais vitais do meu pai, exibidos no monitor ao lado de sua cama, começaram a vacilar. O bipe da máquina tornou-se mais errático, uma trilha sonora frenética para o meu pânico crescente.

Ele estava entrando em colapso. Seu corpo, despojado de suas defesas, estava falhando.

Liguei freneticamente para Íris. Nenhuma resposta. Liguei de novo. E de novo. Minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurar o telefone. Cada toque não atendido parecia uma martelada no meu coração.

O telefone tocou uma dúzia de vezes antes que ela finalmente atendesse. Sua voz era baixa, com uma hesitação estranha e ofegante. "Alô?"

"Íris, onde você está?", gritei, minha voz falhando. "O hospital acabou de ligar. Meu pai está em estado crítico! Você precisa vir para cá agora! A cirurgia, tem que acontecer agora!"

"Eu... eu não posso", ela gaguejou, a voz trêmula. "Estou com medo, Emília. A ideia das agulhas... é simplesmente... demais."

"Com medo? Íris, estamos falando da vida do meu pai-"

Antes que eu pudesse terminar, uma voz familiar e preguiçosa interrompeu a ligação do lado dela. O som me fez gelar o sangue.

"Amor, com quem você está falando? Volta pra cama."

Era Cristiano.

Meu Cristiano. Meu marido.

Uma onda de náusea me invadiu. O mundo girou em seu eixo. Meus ouvidos zumbiam, um grito agudo que abafava o bipe frenético do monitor cardíaco ao fundo da minha própria ligação.

Eu desliguei. Não precisava ouvir mais nada. Eu corri. Corri para fora da sala de espera do hospital, minha mente um vazio uivante e em branco. Chamei um táxi, minha voz um som estrangulado enquanto dava o endereço — o endereço da suíte de hotel cinco estrelas que Cristiano mantinha para "parceiros de negócios visitantes".

Seu Porsche Cayenne preto, aquele que ele comprou porque tinha o passeio mais suave para mim, estava estacionado descaradamente na frente.

Usei meu cartão-chave, minha mão tremendo tanto que precisei de três tentativas para abrir a porta. A suíte era uma vasta extensão de vidro e móveis minimalistas. E lá, no sofá de pelúcia, estava a cena que ficaria para sempre gravada em minha memória.

Íris Lins, a garota frágil e tímida, estava aninhada nos braços do meu marido. Ela usava uma de suas camisas de seda, com as mangas arregaçadas até os cotovelos. Sua cabeça repousava em seu peito, sua expressão era de contentamento absoluto.

Cristiano acariciava seus cabelos, seu toque impossivelmente gentil, o mesmo jeito que ele costumava me tocar. Ele sussurrava algo em seu ouvido, seus lábios roçando sua têmpora.

"Não se preocupe com a cirurgia", ouvi-o murmurar, sua voz um ronronar baixo e calmante. "A gente pode simplesmente adiar. Alguns dias não farão diferença. O mais importante é que você esteja feliz."

Ele se inclinou e deu um beijo suave em sua testa. O mesmo beijo possessivo e terno que ele me dera milhares de vezes. Aquele que ele me disse que era reservado apenas para mim.

Íris riu, um som doce e enjoativo. "Você é tão bom pra mim, Cristiano. Não sei o que faria sem você."

"Você não precisa saber", ele sussurrou de volta. "Eu cuido de tudo."

Naquele momento, meu telefone tocou novamente. O som estridente cortou a névoa do meu horror. Olhei para o identificador de chamadas.

Era o hospital.

Atendi, com a garganta apertada.

"Sra. Kramer", a voz do médico era pesada, sombria. "Sinto muito. Fizemos tudo o que podíamos, mas..."

Ele não precisou terminar.

"O Sr. Porto faleceu há alguns instantes."

O mundo ficou em silêncio. Os sons da cidade, o zumbido do ar-condicionado do hotel, até mesmo as batidas do meu próprio coração — tudo simplesmente parou.

Meu telefone escorregou de meus dedos dormentes, caindo com um baque no chão de mármore.

O som os fez olhar para cima.

E naquele momento, enquanto eu estava na porta, um fantasma no banquete da minha própria destruição, eu finalmente entendi.

O conto de fadas tinha acabado. Nunca fora real.

Eu era apenas mais uma estação, e a primavera finalmente havia chegado.

Meu mundo não apenas se estilhaçou. Ele deixou de existir. Vacilei, a escuridão nas bordas da minha visão avançando para me engolir por inteiro. A última coisa que vi foi o rosto de Cristiano, sua expressão mudando de afeto gentil para irritação com a interrupção. Ele nem sequer havia registrado a magnitude do que acabara de acontecer. Ele não podia.

Porque para ele, não importava.

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