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Capa do romance O poder da sedução - livro 5

O poder da sedução - livro 5

Rafael Caldwell-Oviedo é um ícone do golfe e um sedutor nato que evita compromissos. Habituado a vencer, ele foca seu charme em Petal Bartley, uma jovem batalhadora que buscava apenas uma noite de liberdade. No entanto, o encontro gera consequências inesperadas e permanentes. Enquanto inimigos conspiram contra Petal, o destino força Rafe a abandonar sua fama de cafajeste para assumir o papel de protetor e lutar por sua família imprevista.
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Capítulo 3

Capítulo 3

Petal

— O que há para pensar?

— Tudo.

— Não seja medrosa.

Olho para o homem que se tornou o mais próximo que tenho, fora o meu irmão, de um amigo.

Nesses poucos meses em que nos conhecemos, aos poucos fui relaxando ao conversar com Lleyton Acker. Depois daquele primeiro encontro que me deixou com uma péssima impressão, ele foi extremamente respeitoso — para os padrões dele, claro.

Acho que flerta tão fácil quanto respira.

— Não nasci rica, senhor Acker. Festas chiques não fazem parte do meu mundo.

— Papai ficaria decepcionado se não fosse.

— Besteira. Seu pai ficaria decepcionado se eu não fosse ao baile de gala, porque caí na besteira de dizer a ele que nunca frequentei um lugar que precisasse usar vestido longo. Mas ele não daria a mínima se eu faltasse à sua festa privada no escuro que acontecerá depois. Isso me parece meio sinistro.

— No baile de máscaras só haverá pessoas enfadonhas. Se quer diversão, sou a pessoa certa para lhe mostrar o mundo.

— Não sei se quero diversão.

— Petal, o velho lhe presenteou com um vestido de grife. Você vai parecer uma princesa. Não quer uma noite de Cinderela completa?

— Desde que fique claro que você não será meu príncipe.

— Posso saber por que não? — sua pergunta me surpreende, já que ele nunca mais tentou cruzar a linha — É só por meu pai ser seu empregador?

Penso com cuidado no que responder, porque não quero ferir seus sentimentos, se é que ele tem algum.

Gosto de Lleyton e ele tem se mostrado atencioso quando se despe daquela camada de mulherengo.

— Nós sempre seremos ótimos amigos. Nada além.

Não desvio dos seus olhos quando digo aquilo porque não gosto de deixar nada nas entrelinhas.

— Poderíamos ser mais do que isso.

Ele dá um passo para perto e eu imploro mentalmente para que não tente

nada, porque isso vai destruir nossa amizade. Como se lesse meus pensamentos, para.

— Não pode saber se não experimentar.

— Já falamos sobre essa questão. Ainda que nós dois fôssemos compatíveis, e não somos, eu tenho responsabilidades para me preocupar e zero tempo para romance. E certamente, não para o tipo de romance que você tem em mente.

— E que tipo seria isso?

— Sexo.

Eu gostaria muito de me perder em uma noite de sexo suado, mas não com você. Não dificulte as coisas, por favor.

Eu tive somente um namorado na vida e não foi nada memorável, mas nem posso culpá-lo. Ambos com recém-completados dezoito anos, o que esperar?

Depois de adulta, das vezes em que tentei sair com alguém, porque não sou de ferro e preciso de uma pausa mesmo com todos os problemas financeiros, só tive decepção. Esses encontros nunca foram além de um jantar.

A lista do “contra” que meu irmão fez só cresce, então oficialmente eu sequer beijo um rapaz há mais de um ano.

— Não vou negar, mas com você é diferente…

Reviro os olhos.

— Pare ou vou desistir da festa — falo, meio brincando, meio sério porque não tenho dúvidas de que meia hora depois que o tal baile de máscaras começar, seguido da festa na escuridão, Lleyton já terá uma companhia. — Existe uma explicação para seu desejo de sair comigo.

— É mesmo? Do que se trata?

— Todo homem quer o que não pode ter. Ele ri, o que era justamente minha intenção.

— Espertinha. Tudo bem, você teve sua chance. Quando estiver velha e toda enrugada, vai olhar para trás e se arrepender de ter deixado escapar esse belo espécime.

— Nossa, será? — falo, fingindo que estou pensando. — Mas quer saber?

Vou correr o risco.

— Quer que eu te pegue em casa?

— Não, obrigada. Uma Cinderela que se preze chega sozinha na carruagem. Eu vou de táxi, mas agradeço pela oferta.

Ele sorri, mas o sorriso não alcança os olhos. Eu me sinto mal. Lleyton só estava sendo ele mesmo e não me ofendeu em nenhum momento.

— Hey.

Já estava se afastando, mas para e olha para trás.

— Obrigada por me convidar para sua festa privada. Tenho certeza de que

vou me divertir muito.

— Sempre às ordens, princesa.

Volto para minha mesa pensando se, depois dessa conversa, não deveria recusar o convite para a festa após o baile. Mas o problema é que estou muito curiosa.

Eu provavelmente nunca mais terei outra oportunidade como essa. Não são as pessoas que estarão lá o que me faz desejar ir. Não dou a mínima para celebridades. Sangram como todos nós, mesmo que alguns pensem que o deles é azul. O que me faz querer participar do evento mesmo é o luxo.

Lleyton brincou, mas talvez seja a única noite que terei em minha vida inteira em que posso fingir que sou uma princesa sofisticada e não uma secretária júnior com mais contas para pagar do que existem dias no mês.

— Sonhando acordada, Petal?

Tomo um susto quando vejo meu patrão, doutor Augustus Acker, parado na porta da sala.

— Eu sinto muito. Estava falando comigo? Às vezes me distraio.

Ainda fico um pouco embaraçada na frente dele, apesar de parecer fazer de tudo para me deixar à vontade. Foi assim desde a primeira vez em que nos encontramos. Simpático e nem um pouco arrogante.

— Estava pensando na festa para qual o seu filho me convidou depois do baile.

Ele cruza os braços e sacode a cabeça de um lado para o outro, como se desaprovasse o evento. Aliás, ele parece desaprovar um monte de coisas em seu único filho.

— A Noite Escura. — diz.

Depois de meses trabalhando na nova função, ele sabe que eu e Lleyton somos próximos. No começo pareceu preocupado, mas quando lhe garanti que não havia nada além de amizade entre nós dois, relaxou.

— O nome parece meio redundante — brinco e ele sorri.

— Não quer ir?

— Tenho medo de me sentir desconfortável mas, ao mesmo tempo, estou curiosa.

— Se ficar com vergonha, a escuridão será uma aliada. Você e meu filho se tornaram amigos de verdade, não é?

— Se eu responder que sim, serei despedida?

— Não.

— Sim, acho que podemos dizer que somos amigos. Ele concorda com a cabeça.

Não é estranho que seu único herdeiro tenha se aproximado de uma funcionária e que isso não o aborreça?

Eu o encaro em dúvida sobre como perguntar o que quero saber. Não é a primeira vez que quase toco nesse assunto e acabo recuando.

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