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Capa do romance O pecado original

O pecado original

Eva sempre reprimiu seus desejos mais profundos, escondendo fetiches como exibicionismo e voyeurismo sob uma fachada de perfeição. Contudo, essa barreira começa a ruir quando sua amiga Melissa lhe apresenta novas perspectivas. O conflito interno de Eva atinge o ápice ao conhecer Jonathan, o primo de seu marido. Entre a traição e a libertação, ela se vê dominada por impulsos incontroláveis que questionam todos os seus limites e valores morais.
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Capítulo 1

Trinta e tantos anos, casada desde os dezoito com o mesmo homem que namorava desde os quinze, dono do seu primeiro beijo. Na verdade, dono da única boca a qual Eva havia beijado na vida. Ela nunca se havia imaginado com outro homem. Eric era bonito, esperto e bem-sucedido. Os dois não haviam tido filhos, o que a deixava completamente livre para o marido, o trabalho e seus hobbies. Ele era o gerente comercial de uma empresa consolidada no mercado nacional. Eva nunca havia demonstrado grande interesse pelos pormenores do seu trabalho. Desde que ele fosse feliz e pagasse sua parte nas contas da casa, ela estaria satisfeita. Já ela, tinha uma pequena empresa de design de interiores. Era a chefe de dois funcionários e era realizada profissionalmente. Dinheiro nunca havia sido um problema para o casal e com o tempo que lhe restava no fim de um dia, Eva cuidava de sua saúde e seu corpo na academia local.

Possuía um corpo bonito e uma beleza singular, dona de um belo par de olhos azuis e repletos de personalidade, tinha um rosto arredondado e delicado. Sua pele era branca como leite e pintalgada de sardinhas que a conferiam certo charme pueril.

Durante seus treinos, não era incomum ter de se esquivar de convites indecentes de homens – e até mesmo de rapazes mais jovens. A bem da verdade, tais convites não a chateavam. Pelo contrário, até a deixavam lisonjeada, fato que ela conseguia esconder com muita categoria. Seu casamento era o principal fator de sua vida e Eva se orgulhava por ser uma esposa fiel e carinhosa.

Seus últimos meses, no entanto, vinham sendo um tanto frustrantes, pois, depois de tantos anos ao lado da mesma pessoa, a criatividade na cama lhe parecia faltar. Eric era um homem conservador e tradicional, não demonstrando um interesse maior por seus fetiches mais extravagantes. Na cama, se haviam deixado escorregar, pouco a pouco, para uma rotina de cores pastel e de tonalidades neutras. Mesmo as lingeries e os brinquedos, os quais enchiam uma gaveta em seu guarda-roupas, já não pareciam mais ser capazes de esquentar as coisas.

— Não acha que está precisando de algo diferente? — perguntou Melissa, casualmente, entre um gole e outro do cappuccino com "um tiro a mais de chantilly", que costumava pedir no Galeria Café.

— Você acha que já não tentei? Lingeries, brinquedos, posições diferentes. — Eva soou um tanto frustrada. — Cheguei até mesmo a oferecer… — Parou por um momento, baixando ainda mais o tom de voz — você sabe… aquilo.

— Cale a boca. Sério? — Melissa quase cuspiu o cappuccino.

— Fala baixo — Eva pediu, levando sua mão à boca da amiga. — Ele não aceitou. Diz que não é fã desse tipo de coisa. — Suspirou. — Não sei se fiquei feliz ou frustrada por ele não ter aceitado.

— O Eric é muito bonitinho e um ótimo marido, mas é um chato de vez em quando. — Melissa pareceu ofendida pela amiga. — Meus namorados me imploram para me comer por trás.

Eva parecia chocada com a irreverência com a qual a amiga tratava de tais assuntos. Mesmo depois de tantos anos de amizade, ficou, ela mesma, corada como um pimentão diante da sentença, olhando para os lados e tentando perceber se o casal de idosos, da mesa ao lado, havia ouvido.

— Mas não é disso que estava falando. Quando pergunto se você não está precisando de "algo" diferente, quis dizer "alguém" — Melissa falou a última palavra tampando a lateral da boca, como quem tenta evitar leituras labiais.

O semblante de Eva mudou da curiosidade para o ultraje, demonstrando que havia ficado um tanto ofendida com a simples menção à traição. No entanto, não era incomum que os conselhos de sua amiga nessa área fossem efetivos. Afinal, não havia sido assim sobre assuntos como sexo oral ou àquela visitinha ao sex shop?

— Você está louca. Eu não sou como você. Fui feita para um homem só. Eric é o amor da minha vida e esse corpinho aqui pertence somente a ele — disse, indicando a própria silhueta.

Melissa olhou para o relógio, espantando-se com a hora.

— Tenho que ir. — Ela tomou o último gole de capuccino, apressada. — Mas pense bem sobre o assunto. Quem sabe o próprio Eric não goste da ideia? — Ela deu uma piscadela de cumplicidade.

Às quartas-feiras de Eva eram todas marcadas pelo café com Melissa. Era quase uma tradição e ela era, sem dúvidas, sua melhor amiga. Apesar das óbvias diferenças entre ambas, sua amizade era bela e pura. Já durava mais de vinte anos.

Eva voltou para casa para completar o trabalho que fazia. Desenhava a mobília de um showroom para um projeto de uma construtora. Seu trabalho era completamente remoto, dando a ela grandes períodos em casa.

Seu apartamento ficava no sétimo andar de um prédio residencial em uma avenida movimentada. Naquele dia, usava uma roupa casual e fresca, constituída de uma saia de pregas e uma blusa tomara que caia. O tênis que usava era um tanto desconfortável e já lhe causava um calo no calcanhar, o que a fazia desejar, mais do que nunca, chegar logo em casa.

Ela entrou pelo hall e chamou o elevador, sentindo o calcanhar latejar. Quando chegou no sétimo andar, mancou até a entrada de sua casa, encaixou a chave na porta e começou a descalçar o tênis de maneira atabalhoada. Quando girou a chave e abriu a porta, tropeçou no capacho e foi ao chão, caindo de bruços.

— Querida? — chamou a voz que vinha do sofá que ficava na sala, para onde dava a porta. — Você está bem?

Por um momento, assustou-se, então reconheceu a voz de Eric, que deveria ter chegado mais cedo do trabalho.

Eva se ajeitou, rindo de si mesma e se sentando no chão de maneira desleixada. Abraçou, então, os joelhos de olhos fechados enquanto o riso se tornava uma gargalhada. Ela apoiou os braços no chão atrás de si e atirou a cabeça para trás, deixando as pernas se abrirem a sua frente enquanto gozava da graça que achou do próprio descuido.

Depois de um longo tempo rindo, resolveu abrir os olhos, sobressaltando-se.

Ao lado de Eric, sentava-se um jovem. Ele segurava uma xícara em uma das mãos e um pires na outra. O rapaz era mais alto do que Eric e devia ter seus vinte anos. Tinha os olhos verdes vidrados no ponto entre as pernas de Eva, que expunha sua virilha coberta apenas por uma fina calcinha de renda branca. Seu coração disparou no peito. Não esperava por aquilo. 

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