Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance O pecado favorito do padre

O pecado favorito do padre

Em um jogo de sedução e poder, um homem conduz uma noviça por um ritual sombrio de confissões. Para cada um dos sete pecados revelados, uma peça de roupa é removida, expondo verdades ocultas e desejos proibidos. Entre a culpa religiosa e a tentação carnal, ela compartilha segredos de raiva, vaidade e luxúria. À medida que as defesas caem, a tensão entre o sagrado e o profano atinge o limite, forçando-a a confrontar uma vulnerabilidade que não pode mais ser escondida.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

-  De fato - respondeu minha mãe, elegante no vestido vinho. - Aquele arroz com amêndoas estava divino.

- Mas equilíbrio é sempre importante, não é, Laura? - disse meu pai, num tom leve, mas que ardia por dentro. - Principalmente quando se trata de certos exageros.

O comentário veio como uma colherada de sal no meio da sobremesa.

Abaixei os olhos. Eu tinha comido pequeno pedaço de bolo de limão, como todo mundo. Nada demais. Mas meu pai tinha um talento especial para transformar qualquer pequena liberdade em um alerta.

E então, sem querer, olhei de novo para o padre. Ele estava ao lado do arcebispo, mas os olhos dele... estavam em mim. Não exatamente. Mas sim. Era como se ele tivesse escutado a frase. Ou sentido a tensão. O olhar de Andrei era impassível - e ainda assim, havia algo na maneira como franziu levemente a testa que me fez remexer, desconfortável.

Como se ele estivesse catalogando tudo.

Desviei o olhar, sentindo um calor no rosto que não vinha das velas. Nem do vinho.

 **

Pouco depois, afastada do burburinho, encontrei minha mãe perto de uma das colunas laterais, observando os convidados com um sorriso satisfeito no rosto. Um alívio suave me atravessou o peito ao vê-la assim, desperta, presente. Ultimamente, isso estava acontecendo com mais frequência do que eu esperava. Ainda era raro... mas menos raro do que antes. E, naquele instante, era o suficiente.

- Está tudo muito bonito, não acha? - disse ela, estendendo a mão para ajeitar discretamente a manga do meu hábito. - Você sempre foi boa com os detalhes. Seu pai finge que não nota, mas ele se orgulha.

Tentei sorrir.

- Acho que ele se orgulharia mais se eu tivesse recusado o bolo - falei, tentando soar leve, mas sentindo a dor ainda presa na garganta.

- ah, mas quem resiste a uma boa sobremesa, principalmente depois desse jantar maravilhoso.-  Minha mãe suspira e me olha com doçura. Tocou meu braço de leve.

-  Você é forte, Laura. E é boa. Não precisa se esforçar tanto para provar isso.

Aquelas palavras me pegaram de surpresa.

- Eu não...

- Eu sei - ela me interrompeu com um sorriso sereno. - Só não se esqueça de que ser correta não é o mesmo que ser dura consigo mesma.

Por um instante, me senti pequena. Não infantilizada... mas acolhida. Era raro sentir isso vindo dela, mas quando acontecia, era como um cobertor morno numa noite fria.

- E o novo padre? - minha mãe perguntou, voltando os olhos em direção à entrada do salão. - As meninas não falam de outra coisa. Acho que os cochichos já chegaram aos seus ouvidos, não é?

Assenti, quase rindo.

- Chegaram.

- Bem... não é todo dia que aparece um padre que parece ter saído de um filme europeu.

Arqueei as sobrancelhas, divertida.

- Mãe! - Eu sorrio divertida balançando a cabeça.

- Só estou dizendo que é inusitado. Ele parece... diferente. E isso sempre atrai olhares.

Não respondi. Preferi guardar o silêncio. Talvez fosse isso. Só isso. Algo diferente. E é por isso que eu não conseguia parar de pensar no modo como ele me olhara. Ou no fato de que, ao lado do arcebispo, ele parecia estar ali... e não estar.

Suspirei, deixando o olhar escorregar até a porta principal.

**

Algo naquela noite estava fora do lugar. E eu, mesmo sem entender, já sentia que era apenas o começo.

Observei o salão com os braços cruzados diante do peito, os olhos vagando pelo ambiente com a precisão de quem já conhecia cada canto daquele espaço, mas sempre se impressionava com a sua grandiosidade. As velas iluminavam suavemente o ambiente, refletindo nas paredes de pedra os seus brilhos dourados. Os arranjos de flores estavam dispostos com delicadeza, conforme os planos que eu e as outras freiras havíamos idealizado, e o cheiro da madeira, misturado com o aroma de incenso e flores frescas, preenchia a Basílica.

Era quase irônico que tudo estivesse tão perfeitamente alinhado enquanto eu, por dentro, me sentia tão deslocada. O evento estava sendo um sucesso, sem dúvidas. O arcebispo, imerso em sua conversa com os doadores, sorria em satisfação. As outras freiras circulavam pelo salão, fazendo suas funções com diligência, e os convidados pareciam maravilhados com o que a Basílica tinha a oferecer. Eu, porém, não conseguia sentir o mesmo êxtase que via nos rostos de todos à minha volta.

Talvez fosse o contraste entre o que era exigido de mim e o que sentia dentro de mim. Sempre fui boa em cumprir papéis, mas a sensação de que tudo ao meu redor estava tão distante de quem eu realmente era, de quem eu queria ser, se intensificava à medida que a noite avançava. Procurava algo que me conectasse com aquele evento, com o ambiente ao redor. Mas o que realmente me puxava era a sensação de que algo estava prestes a acontecer.

Olhei discretamente para o outro lado do salão, onde o Padre Andrei conversava com um pequeno grupo de religiosos, todos em tons de cinza e preto, com os hábitos alinhados e serenos. Ele se destacava entre eles de maneira sutil, não por sua aparência, mas pela postura calma, mas imponente. Mordi o lábio inferior sem querer, tentando não pensar mais sobre o fato de que ele era muito... bonito para um padre. O fato de ser romeno, misterioso, apenas acentuava aquilo. Eu já não sabia se aquilo era natural ou se apenas a tensão do evento estava começando a me afetar de uma maneira inesperada.

Respirei fundo, tentando afastar esses pensamentos. Ele era apenas mais um homem, como qualquer outro. Apenas um padre que logo estaria de volta à sua missão. Ele não tinha nada a ver com a minha vida, não deveria ter.

Ainda assim, não pude deixar de reparar na maneira como ele se movia, como a luz da Basílica destacava os traços fortes de seu rosto e os olhos que pareciam, por um momento, encarar algo distante.

- Irmã Laura.

A  voz suave e firme da Abadessa me interrompeu, trazendo-me de volta à realidade. Virei-me e encontrei a madre Elisa, como sempre, impecável em sua postura e com um olhar atento e preciso, como se estivesse constantemente lendo a situação ao seu redor. Ela usava o hábito com a mesma solenidade de sempre, mas seus olhos, embora gentis, não deixavam de ser afiados.

- Abadessa Elisa, boa noite - disse, forçando um sorriso.

-  O arcebispo falou muito bem de você, minha filha - disse a madre, sem rodeios, seu tom direto e inquestionável. Observei-a atentamente. Ela parecia querer dizer algo mais, mas deixou o silêncio suspenso por um instante. - Amanhã cedo - continuou a Abadessa - o Padre Andrei estará se familiarizando com a Basílica. Ele precisará conhecer as áreas onde os atendimentos são realizados, os alojamentos e as dependências sociais. Nada mais justo que você o acompanhe, pois é você quem conhece melhor este lugar.

Franzi ligeiramente a testa, surpresa pela ordem inesperada. Eu não estava preparada para essa responsabilidade.

- Eu? - perguntei, com uma expressão confusa, quase involuntária. Era uma tarefa que eu geralmente desempenhava com outras freiras ou com os visitantes comuns, mas o fato de estar sendo designada para guiá-lo, especialmente ele, fez com que meu estômago se revirasse um pouco. Era mais do que uma simples obrigação - havia algo no tom da madre que soava como um convite para algo além do esperado.

A madre Elisa me olhou com uma suavidade que contrastava com sua postura rígida e sua autoridade natural. Senti-me, por um momento, vulnerável sob aquele olhar. Eu poderia tentar argumentar, mas sabia que seria em vão.

- Sim, madre. Estarei lá - respondi com firmeza, tentando esconder a apreensão que me apertava o peito.

A madre Elisa assentiu com um movimento de cabeça, e notei como seus olhos estavam atentos a cada um dos meus gestos, como se estivesse esperando mais do que um simples consentimento.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance Adeus, Meu Passado Amargo
8.8
Na final de um prestigiado concurso culinário, a jovem chef enfrenta o vazio: sua família e o noivo a trocaram pela recepção da irmã caçula no aeroporto. Ao retornar com o troféu, ela encontra apenas desprezo e invalidação. Após ser agredida e silenciada, a protagonista percebe que era apenas um acessório na vida deles. Com uma calma gélida, ela rompe o noivado, bloqueia os parentes tóxicos e abandona tudo para recomeçar, deixando o passado amargo definitivamente para trás.
Capa do romance Amor Traído: A Ascensão de uma Herdeira Secreta
9.8
Durante cinco anos, ocultei minha herança bilionária para apoiar os sonhos de Caio. Contudo, após ser negligenciada e vê-lo presentear uma colega com a joia que eu desejava, percebi sua traição. O golpe final veio quando ele serviu um prato que poderia me matar, provando que me substituiu por completo. Sem hesitar, destruí nossa maquete, cortei laços e retornei ao meu império em Bento Gonçalves. Ele descartou uma rainha por um vidro barato e agora sentirá o peso da minha ascensão.
Capa do romance Até Que a Morte Nos Reúna
9.6
Sofia Mendes vive um matrimônio pautado pelo ódio. João Pedro a despreza por acreditar que ela o traiu, ignorando que Sofia doou um rim para salvá-lo. Juliana, a amante, roubou o mérito do sacrifício e manipula o marido contra a esposa. Após sofrer humilhações extremas e ser incriminada injustamente, Sofia decide dar um basta. Para vingar seus pais e destruir seus inimigos, ela forjará a própria morte e ressurgirá como Estrela, iniciando um plano implacável.
Capa do romance MACK PETROV: Executor da máfia Russa - SÉRIE LEI & VINGANÇA LIVRO 4
9.1
Mack Petrov é o executor mais temido da máfia russa, superando até Ivan Czar em periculosidade. Sua vida muda ao conhecer Mellyssa, uma jovem de olhos marcantes que vive para a devoção e a castidade. Enquanto Mel acredita que a pureza a protege do pecado, ela acaba se apaixonando pelo homem que encarna a própria perdição. Petrov está decidido a seduzi-la, revelando prazeres intensos que desafiam as crenças e a inocência da garota.
Capa do romance O Coração da Vinha: Um Amor Que Nunca Morre
8.3
Durante uma peregrinação a Fátima, Sofia Almeida é confrontada por uma visão de si mesma que a avisa para evitar Diogo Vaz. Após seis anos de um sacrifício silencioso que o enviou para Bordéus, o prodígio do Douro regressa rico, mas gélido. Ao anunciar o noivado com Inês e devolver os pertences de Sofia, Diogo mostra que o amor deu lugar ao desprezo. Entre profecias e a dor de ser apagada da vida dele, Sofia encara as consequências cruéis de ter sido a âncora do passado.
Capa do romance O Cowboy Jiujitsuka
8.7
Érika Johnson levava uma vida pacata como recepcionista de uma academia de jiu-jitsu, carregando as cicatrizes de um divórcio traumático. Sua rotina muda ao conhecer Alex Bahamonde, um fazendeiro estressado que detesta a vida urbana e o trânsito de Phoenix. Mesmo exausto e sem bateria social, Alex é atraído pelo sorriso gentil de Érika. Entre o tatame e a pressão dos negócios, surge uma conexão inesperada que faz o coração dela despertar após anos de isolamento.