
O passado ainda assombra.
Capítulo 2
Aqueles eram dias difíceis, a mãe de Raka precisou ser internada, em meio a uma crise nervosa, a polícia foi chamada, precisaram amarra-la e levaram para o hospital. Raka viu tudo pela greta que tinha na porta do quarto onde ficou escondida. Ela sabia que quando aparecesse iriam culpa-la dos problemas da mãe.
Quando todos se esqueceram dela, ela fugiu para o quintal, subiu no pé de ameixa. Lá era seu refúgio.
Raka, era menina de doces olhos de jaboticaba, sorriso fácil, fala calma, coração de puro, tinha 5 anos.
Mulata, dos cabelos anelados, difíceis de pentear. Por que ninguém se preocupava com ela, e com seus cabelos menos ainda.
O pé de ameixa era seu porto seguro, em cima dele ela escapava das frequentes surras que a mãe lhe dava, e em cima dele ela viaja na imaginação. Era a única criança naquela casa.
Via a rua, as diversas crianças que brincavam de bola, de roda, de rouba bandeira. Ela sabia todas as brincadeiras, mas, nunca, nunca, jamais podia sair. A rua era um sonho distante. Brincar com outras crianças um sonho impossível. Naquela casa de adultos. A única pessoa que ela queria conversar e ser amiga era Noeli. E a última tentativa de amizade com a irmã ela ouviu coisas que ainda doíam no coraçãozinho da pequena criança.
Todos a evitavam. Todos a ignoravam, só lembravam dela quando precisavam culpar alguém pelas mazelas da vida.
Como hoje, quando a mãe saiu na viatura para o hospital. Descer do pé de ameixa não seria opção. Teria que esperar a casa acalmar e todos irem para seus aposentos e então ela poderia procurar um canto ou o sofá para dormir. E chorar baixinho, se abraçar até a tristeza passar e então adormecer. Na sala, no sofa, era o melhor lugar para dormir, pois quando o sol clareava o dia, ela acordava e sumia da vista de todos.
Apesar de ter somente 5 anos, ela já havia entendido que era melhor passar despercebida do que ser maltratada.
Naquela noite, Raka chorou muito, teve medo da mãe morrer, não suportava lembrar de ver sua mamãezinha amarrada feito bicho, arrastada,. "Se ela morrer o que será de mim", pensava Raka em seus desvaneios. Os pensamentos sombrios aterrorizaram sua noite e ela demorou a adormecer. E quando dormiu, foi profundamente e perdeu o nascer do Sol. Acordou entre tapas e empurrões. Noeli estava especialmente cruel essa manhã. "Isso machuca, não faz por favor!" Implorou Raka quando sentiu suas orelhas sendo puxadas fortemente pela irmã.
Você pode gostar





