
O pai Cowboy do meu amigo
Capítulo 2
Desce na cozinha e faz um café expresso, assim que começa a beber o telefone vibra, ela olha a mensagem na tela.
— Princesa, cheguei.
— Estou tomando café, entra e toma comigo.
— Certo.
Abre a porta para o amigo e se cumprimentam com um abraço e um beijo no rosto.
São amigos desde os 8 anos, passaram por muita coisa, juntos. Tomam café com pão recheado, que a mãe fez ontem e saem.
Ele sempre anda de carro pequeno, mais hoje veio de Hilux.
— Porque esse carão?
— É 4 x 4, a estrada é de terra. Se nós atolarmos, fica mais fácil de sair ou subir uma montanha, também trouxe corrente para colocar no pneu se necessário.
— Nossa, que homem prevenido... desculpa aí viu, kkk...
— Aprendi com o melhor.
— Hum, e o melhor é o seu pai?
— Sem dúvidas, RS.
Ela se endireita no assento sorrindo.
— Bom pai, bom filho e bom professor. No que mais seu pai é tão bom?
— Bom marido, bom fazendeiro, bom patrão, o cara é fera.
— Nossa, não vejo a hora de o conhecer então, RS.
Por um instante Lucas sente uma leve pontada de ciúmes, mais deixa passar. Eles têm a mesma idade, e o pai não namora moças jovens, com idade para serem suas filhas.
— Bom, disse que ele era um bom marido. Porque ele se separou da sua mãe então?
— Minha mãe era uma boa pessoa, mais quando os pais dela faleceram, ela começou a beber. Meu pai tentou ajudar, mais ela bebia cada vez mais, chegando a virar uma alcoólatra. Foi muito triste, vivia bêbada pelos cantos da casa.
— Meu Deus!
— Papai, tentou levar ela para se tratar. Nunca dava certo e o casamento começou a se desgastar. Mamãe começou a sair com as amigas a noite e voltava ao amanhecer, nisso eles já não dormiam mais juntos. Meu pai cuidava de mim e da fazenda. Até o dia, que chegou aos ouvidos dele, que ela estava traindo ele. O pior de tudo, com vários homens. Quando ficava bêbada, não tinha muita consciência do que fazia, acabava dormindo com outros. Pensa na tristeza do meu pai.
— Que história, estou chocada.
— Sim, meu pai foi conversar com o tio dela e logo mamãe saiu de casa e se divorciaram. Não foi assim fácil como estou falando, foi doloroso para todos nós.
— Coitado do seu pai. Ele namora?
Lucas sorri com gosto.
— Se namora? kkk... O cara virou um garanhão, pega todas que passa pela frente, já partiu vários corações. Não se apega a mais ninguém, o único amor dele foi minha mãe.
— Resolveu virar um canalha. Eu entendo ele, mais coitadas das mulheres que ele brinca.
— Concordo com você, mais quem sou eu para aconselhar ele sobre isso. Deixa ele viver, quem sabe um dia isso muda?
— Quantos anos ele tem, uns 50 já?
— Nada, ele é jovem. Parece mais meu irmão mais velho, RS. Tenho 21 anos como você bem sabe e meu pai apenas 36.
— Sério? Nossa, ele teve você com 15 anos?
— Sim e minha mãe tinha 14, aprontaram cedo, mais desde jovem meu pai tinha a cabeça desenvolvida e logo se casou.
— Taí, gostei.
Continuam conversando durante umas duas horas e logo saem da estrada.
— Você disse que seria estrada de terra, saímos da rodovia e ainda é asfaltado.
— Até a cidadezinha mais próxima é tudo asfaltado, quando sairmos dela é de terra.
— Hum...
— Você não é de ir para sítio e chácara né?!
— Sou fã de praia e balada, puts, puts... kkk.
Chegando na cidade, eles param.
— Porque paramos?
— Vou ver se meu pai precisa de algo da cidade.
— Por quê?
— Para ele não perder tempo vindo aqui, sendo que já estamos aqui.
— Hum.
Ele liga para o pai, que atende rápido.
— Sim, pai, já cheguei. Certo... Vai precisar do quê? Uma seringa Milho. Ãhn? Certo, pego sim, até mais.
Ele dá, a volta e vão até à Agropecuária.
— Olá, bom?
— Bom. — Responde Enzo (atendente).
— As encomendas da fazenda, Lírio do Vale por favor.
— Sim, claro.
O rapaz foi buscar, as sacas de milho, de ração. Seringas e remédios.
— Agora entendi, porque você veio com a Hilux.
— RS, para isso também.
— Vou pegar as caixas com os animais, patrão.
— Certo.
— Que animais?
— Galinhas, marrecos e codornas.
— Seu pai encomendou um casal de avestruz, mais ainda vai demorar um pouco para chegar. — Diz o atendente olhando para a Érica.
— Sem problemas. Obrigado.
— De nada senhor, volte sempre.
Eles entram no carro e logo pegam a estrada de terra.
— Avestruz? Que medo, esse bicho corre atrás da gente.
— É se bobear corre mesmo, RS.
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