
O Novo Começo da Namorada Invisível
Capítulo 3
Os olhos cor de mel de Bruno brilharam com algo parecido com ciúmes. "Ele pode ter se gabado, mas claramente não apreciava o que tinha. Ele certamente não te merecia, Alícia. Posso te prometer que farei melhor."
Dei a ele um murmúrio evasivo, meus pensamentos ainda presos no pingente de prata e no pássaro de madeira. Sua certeza era atraente, mas também um pouco enervante. Eu conhecia o jogo dele e estava jogando junto, mas às vezes sua convicção parecia real demais.
Caminhamos sem rumo por um tempo, a brisa da noite bagunçando meu cabelo. Passamos por um pequeno parque de diversões montado, completo com luzes piscando e a música distante e metálica de um carrossel.
"Olha!", exclamou Bruno, sua fachada de adulto se dissolvendo momentaneamente em um deleite infantil. Ele apontou para uma barraca de tiro ao alvo. "Eu sou um atirador de elite. Vou ganhar algo para você."
Ele já estava me puxando em direção a ela, seu entusiasmo contagiante. Meu coração deu um pequeno salto. Eduardo teria passado direto, talvez comentado sobre a ineficiência dos jogos de parque como um investimento.
"Você realmente não precisa", eu disse, mas uma parte de mim, uma parte pequena e negligenciada, queria que ele o fizesse.
Ele me ignorou, já entregando uma nota nova para o atendente tatuado. "Escolha seu prêmio, Alícia. O que você quiser."
Eu o observei, uma estranha mistura de apreensão e curiosidade genuína se formando em meu estômago. Ele estava tão focado, a testa franzida em concentração enquanto mirava o rifle. Uma emoção, inesperada e potente, percorreu-me. Isso era novo. Isso parecia diferente.
"Cuidado", avisei, uma imagem repentina de algo dando errado passando pela minha mente.
Ele estava muito absorto, muito determinado a acertar o alvo, para me ouvir. Ele atirou, e um pato de plástico tombou. Ele soltou um grito de vitória, depois se virou para mim, o rosto iluminado de orgulho.
"Viu? Pensei que tinha perdido o jeito. O que você quer, Alícia? O urso de pelúcia gigante? A banana gigante ridícula?"
Eu sorri, balançando a cabeça. "Escolha algo pequeno. Qualquer coisa."
Ele escolheu um bicho de pelúcia fofo e azul brilhante, uma caricatura de um monstro com um olho grande. Ele me apresentou com um floreio.
"Aqui está", disse ele, estufando o peito. "Meus ganhos. Para você. Sabe, eu provavelmente poderia comprar todos esses prêmios se quisesse, mas não tem graça. A perseguição, o esforço, é isso que faz valer a pena."
O tempo pareceu se transformar em um borrão de risadas e conversas fáceis com Bruno. Ele me mostrou um lado da cidade que eu nunca tinha visto, me levou a restaurantes escondidos e até me convenceu a experimentar uma comida de rua ridiculamente picante que deixou minha boca ardendo, mas meu espírito revigorado.
Nas semanas que se seguiram, Bruno se tornou uma presença constante e brilhante. Ele ouvia. Ouvia de verdade. Ele se lembrava de detalhes que eu havia mencionado casualmente meses atrás. Ele me trazia meu café favorito quando sabia que eu tinha que acordar cedo. Ele defendia minhas ideias no trabalho, me incentivando a me inscrever em um programa de treinamento especializado que Eduardo teria visto como uma distração.
E eu entrei. A carta de aceitação chegou em uma terça-feira, uma terça-feira chuvosa e miserável.
Eu estava encharcada até os ossos, saindo de um táxi, quando o vi. Bruno, parado sob o toldo do meu prédio, segurando um guarda-chuva pingando. Ele também estava encharcado, o cabelo grudado na testa.
"O que você está fazendo aqui?", perguntei, minha voz um pouco sem fôlego.
Ele sorriu, um flash branco na penumbra. "Eu sabia que você conseguiria. Tive um pressentimento. Queria estar aqui quando você recebesse a notícia." Ele estendeu um pequeno pacote meticulosamente embrulhado. "Presente de comemoração."
Dentro havia um delicado pássaro de madeira feito à mão, semelhante ao que ele havia ganhado para mim no parque, mas este era pintado em azuis e verdes vibrantes, como um beija-flor.
"Bruno, isso é lindo", eu disse, genuinamente comovida. "Mas você não precisava."
"Besteira", disse ele, seus olhos brilhando. "Você merece coisas boas. Coisas atenciosas. Coisas que mostram que alguém realmente te vê." Ele se inclinou, sua voz baixando. "É o que eu faço de melhor. Ao contrário de algumas pessoas."
Sua veia competitiva ainda estava lá, mas agora estava entrelaçada com outra coisa, algo mais quente.
"Na verdade, eu também fiz algo para você", confessei, de repente tímida. Enfiei a mão na bolsa e tirei um pequeno e intrincado tsuru de origami. Não era muito, mas eu passei horas nele, escolhendo o papel, aperfeiçoando as dobras.
Bruno o pegou de mim como se fosse feito de ouro maciço. Seus olhos se arregalaram, e um sorriso genuíno e espontâneo se espalhou por seu rosto. "Você fez isso? Para mim?" Ele parecia tão genuinamente emocionado que derreteu algo apertado dentro de mim. "Alícia, isso é incrível. Ninguém nunca fez nada para mim."
"É só papel", murmurei, de repente envergonhada por sua simplicidade.
"Não é 'só papel'", ele corrigiu, sua voz firme. "É de você. É atencioso. É pessoal." Ele o guardou cuidadosamente no bolso do paletó, bem sobre o coração. "Isso vai ficar bem aqui."
Uma semana depois, ele me convidou para uma gala de tecnologia. "É enorme", disse ele. "Todos os grandes nomes estarão lá. Eduardo incluído." Seus olhos continham aquele brilho familiar de malícia estratégica.
"Ok", eu disse, dando de ombros. Me peguei ansiosa por isso, não pelo drama, mas pela chance de passar outra noite com Bruno.
Chegamos ao salão de festas reluzente, uma sinfonia de lustres e conversas abafadas. Optei por um vestido preto simples e elegante, querendo evitar qualquer atenção desnecessária. Bruno, como sempre, estava impecavelmente vestido, uma visão em um terno sob medida.
Ele segurou minha mão enquanto navegávamos pela multidão, me apresentando às pessoas com orgulho genuíno. Senti uma sensação de pertencimento que não sabia que estava faltando. Encontramos um canto tranquilo perto do buffet. Peguei um doce delicado, dando uma mordida. Era doce, com um toque cítrico.
"Experimente isso", eu disse, estendendo um pedaço para Bruno. Ele se inclinou, pegando-o dos meus dedos, seus lábios roçando os meus por uma fração de segundo. Uma faísca, pequena mas distinta, se acendeu.
Foi então que eu o vi. Eduardo Torres. Ele estava perto da entrada, uma presença imponente mesmo em meio à multidão brilhante. E ao seu lado, rindo, o braço entrelaçado no dele, estava Janete Salles. A Janete Salles.
Minha respiração falhou. A paixão de colégio de Eduardo, aquela que ele idealizou por anos. Aquela que eu sabia que ele nunca havia superado de verdade. Ela era ainda mais deslumbrante pessoalmente, uma mulher vibrante e vivaz com uma cascata de cabelos loiros e um sorriso ofuscante.
Os olhos de Eduardo, frios e afiados como sempre, varreram o salão. E então pousaram em mim.
Seu olhar se fixou no meu, um lampejo de surpresa, depois outra coisa que não consegui decifrar. Reconhecimento. Um choque percorreu meu corpo, um choque elétrico desagradável.
Bruno, sentindo a tensão repentina na minha mão, olhou para cima. Ele seguiu meu olhar. Seus olhos se estreitaram.
"Ora, ora, ora", Bruno ronronou, um sorriso predatório se espalhando por seu rosto. "Falando no diabo." Ele apertou minha mão, depois me puxou para mais perto, envolvendo um braço possessivamente em volta da minha cintura. Ele se inclinou, seus lábios roçando minha orelha, sua voz baixa e perigosa. "Vamos fazer valer a pena, que tal?"
Eu sabia o que ele estava fazendo. Eu conhecia seu objetivo. E, no entanto, não me afastei. Apenas observei Eduardo, seus olhos cravados em mim, e pensei: *Ele não vai se importar. Ele nunca se importou.*
Mas o olhar de Eduardo não vacilou. Permaneceu, afiado e intenso, não no braço de Bruno, mas em mim. E por alguma razão, isso fez minha pele arrepiar. Não de medo, mas de um desconforto desconhecido.
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