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Capa do romance O Noivo Que A Deixou Para Morrer

O Noivo Que A Deixou Para Morrer

Abandonada na nevasca mortal, minha sentença veio do meu próprio noivo. Ele entregou meu equipamento vital para Carla, alegando que eu, como especialista, sobreviveria. Após roubarem meu telefone e rasgarem meu traje térmico, deixaram-me para morrer no gelo sob insultos. Eles acreditavam ter vencido, mas ignoraram um detalhe crucial: o sinalizador de emergência oculto em minha manga. Com um último esforço, ativei o dispositivo para buscar vingança.
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Capítulo 1

O primeiro sinal de que eu ia morrer não foi a nevasca. Não foi o frio que congelava até os ossos. Foi o olhar nos olhos do meu noivo quando ele me disse que tinha dado o trabalho da minha vida — nossa única garantia de sobrevivência — para outra mulher.

"A Carla estava congelando", ele disse, como se eu estivesse sendo irracional. "Você é a especialista, você dá um jeito."

Então ele pegou meu telefone via satélite, me empurrou para dentro de um buraco de neve cavado às pressas e me deixou para morrer.

Sua nova namorada, Carla, apareceu, enrolada confortavelmente no meu reluzente cobertor térmico inteligente. Ela sorriu enquanto usava meu próprio piolete para rasgar meu traje, minha última camada de proteção contra a tempestade.

"Para de ser tão dramática", ele me disse, a voz cheia de desprezo, enquanto eu estava ali, congelando até a morte.

Eles acharam que tinham tirado tudo de mim. Acharam que tinham vencido.

Mas eles não sabiam do sinalizador de emergência secreto que eu havia costurado na minha manga. E com minha última gota de força, eu o ativei.

Capítulo 1

O primeiro sinal de que eu ia morrer não foi a nevasca que desceu sobre nós com a fúria de um deus vingativo. Nem mesmo o frio cortante, que congelava até os ossos e começava a sugar a vida dos meus membros. Foi o olhar nos olhos do meu noivo quando ele me disse que tinha dado meu protótipo exclusivo — o trabalho da minha vida, nossa única garantia de sobrevivência — para outra mulher.

O vento na encosta superior do Pico das Agulhas Negras era uma entidade física, uma parede sólida de gelo e ruído que se chocava contra nossa pequena barraca de expedição, ameaçando arrancá-la de suas âncoras. Lá dentro, o ar estava apenas um pouco mais quente que os quinze graus negativos lá fora. Meus dentes batiam com tanta violência que pensei que poderiam quebrar.

"Bruno", consegui dizer, minha voz um fio fino e fraco contra o rugido da tempestade. "Preciso do cobertor. Minha temperatura corporal está caindo."

Eu era a engenheira de software líder da AlpiniaTech, o cérebro por trás da tecnologia que estávamos testando em campo. Eu conhecia os números. Sabia o ponto preciso em que os tremores param e o corpo começa a desligar. Eu estava perigosamente perto.

Tateei o zíper da minha mochila, meus dedos desajeitados e desobedientes, como gravetos congelados. O espaço onde meu protótipo de "cobertor térmico inteligente" deveria estar estava vazio. O pânico, frio e agudo, atravessou a névoa da hipotermia.

O cobertor era minha obra-prima. Tecido com microfilamentos que geravam e regulavam o calor com base no feedback biométrico, ele poderia sustentar um ser humano em condições árticas por setenta e duas horas. Era único. Era minha rede de segurança.

E tinha sumido.

"Onde está?", olhei para Bruno, meu noivo, o gerente de projeto desta mesma viagem. Seu rosto bonito, geralmente tão aberto e fácil de ler, era uma máscara fechada.

Ele não encontrava meus olhos. Estava mexendo nas alças de outra mochila, seus movimentos bruscos. "Do que você está falando?"

"O cobertor, Bruno. O protótipo. Não está na minha mochila."

Um lampejo de algo — culpa? irritação? — cruzou seu rosto antes que ele o disfarçasse. "Ah. Isso. Eu dei para a Carla."

As palavras não faziam sentido. Era como se ele estivesse falando uma língua estrangeira. "Você o quê?"

"A Carla estava congelando", disse ele, em tom defensivo, como se eu fosse a irracional. "Ela estava chorando, Alex. Sofrendo de verdade. Você é a especialista, aguenta um pouco de frio."

Carla Bastos. A estagiária de marketing que, de alguma forma, conseguiu entrar nesta expedição de alto risco. A mesma estagiária que passou a viagem inteira piscando os cílios para o Bruno, bancando a donzela frágil em perigo enquanto eu me concentrava nos dados, na missão.

"Bruno", eu disse, tentando manter a voz firme, tentando fazê-lo entender a realidade clínica da nossa situação. "Isso não é 'um pouco de frio'. É uma nevasca de categoria quatro a 2.700 metros de altitude. Meu equipamento é classificado para estas condições com o elemento de aquecimento ativo do cobertor térmico. O dela é o padrão. Ela nunca deveria ter subido aqui em primeiro lugar."

"Não seja tão dramática", ele retrucou, a voz ríspida. A acusação, tão familiar, doeu mais que o frio. Ele sempre me chamava de dramática quando eu afirmava fatos que ele não gostava. "Você é sempre tão arrogante com suas habilidades, Alex. Acha que é invencível na montanha."

"Isso não é sobre arrogância! É sobre termodinâmica! Eu vou morrer sem ele, Bruno. Você entende isso? Meu corpo está desligando." Tentei me levantar, mas uma onda de tontura me fez cambalear de volta contra a parede de nylon da barraca. Minha visão estava começando a ficar turva.

"Ela precisava mais", ele insistiu, o maxilar travado teimosamente. "Temos que funcionar como uma equipe. Você está sempre falando sobre a equipe, mas na hora do vamos ver, você só pensa em si mesma e no seu precioso projeto."

"Este projeto é para salvar nossas vidas!", minha voz falhou com um desespero que eu odiava. "Esse é o único propósito dele!"

"Minha irmã estava certa sobre você", ele murmurou, quase para si mesmo. "Débora sempre disse que você era egoísta. Que você sempre colocaria sua carreira antes de mim, antes da família."

Débora Acosta. Sua irmã mais velha e materialista que dirigia a empresa de logística que era um fornecedor chave, e muitas vezes problemático, para a AlpiniaTech. Ela nunca gostou de mim, me vendo como uma rival para o sucesso de seu irmão, em vez de uma parceira.

A menção do nome dela foi como um balde de água gelada. Os últimos vestígios de calor que eu sentia, a esperança tola de que tudo isso era um terrível mal-entendido, desapareceram. Isso não foi uma decisão de última hora. Era uma narrativa que eles construíram contra mim, um ressentimento que vinha fermentando por meses, talvez anos.

"Este noivado acabou", sussurrei, as palavras com gosto de cinzas na minha boca. Era uma declaração patética e fraca diante da minha própria mortalidade, mas era a única arma que me restava.

Com uma onda de clareza alimentada por adrenalina, alcancei o pequeno telefone via satélite de capa dura preso ao meu cinto. Meus dedos estavam quase inúteis, mas consegui abrir a tampa. Meu polegar pairou sobre o botão do sinalizador de emergência.

Antes que eu pudesse pressioná-lo, a mão de Bruno se fechou no meu pulso como um torno. "Que diabos você pensa que está fazendo?"

A força de seu aperto enviou uma onda de dor pelo meu braço. Ele era mais forte que eu, maior. No espaço apertado, eu estava em completa desvantagem.

"Estou chamando o resgate, Bruno. Antes que eu congele até a morte", ofeguei, lutando contra ele.

"Você não vai fazer nada disso!", ele sibilou, o rosto a centímetros do meu. Seu carisma havia sumido, substituído por uma fúria feia e apavorada. "Ativar um sinalizador aborta a missão inteira! Você sabe quanto isso vai custar para a empresa? Como isso vai me fazer parecer? Depois de todo o meu trabalho para tirar este projeto do papel?"

Ele arrancou o telefone da minha mão.

"Você vai estragar tudo!", ele rosnou, segurando o aparelho como uma arma. "Eu vou quebrá-lo. Juro por Deus, Alex, eu vou quebrá-lo em pedaços antes de deixar você sabotar minha carreira."

Minha força estava falhando. A luta estava drenando minhas últimas reservas de energia. Meus membros pareciam pesados, desapegados. Uma escuridão se insinuava nas bordas da minha visão.

Nesse momento, o zíper da barraca se abriu. Uma rajada de vento e neve explodiu para dentro, e com ela, Carla Bastos.

Ela estava envolta no tecido prateado e cintilante do meu cobertor térmico. Uma luz azul suave pulsava do painel de controle integrado em seu peito, um farol de calor no crepúsculo congelado. Ela parecia confortável, quase aconchegante.

"Bruno, querido, está tudo bem?", ela perguntou, sua voz um arrulho enjoativamente doce. Ela espiou por cima do ombro dele e me viu, caída e tremendo no chão. "Ah, Alex. Você está com uma aparência péssima."

Ela deliberadamente levantou o braço, exibindo o aquecedor químico avançado — meu aquecedor avançado — que ela segurava em sua mão enluvada. Era um gel exclusivo, outro dos meus projetos, capaz de gerar calor intenso por doze horas. Ele tinha dado a ela também. Todos eles.

"O Bruno foi tão fofo", Carla continuou, seus olhos brilhando com uma malícia que era muito mais arrepiante que a tempestade. "Ele estava morrendo de preocupação comigo. Eu disse a ele que você ficaria bem. Você é tão forte, afinal."

O veneno puro e não adulterado em seu sorriso enviou uma onda de raiva branca e quente através de mim. Foi um clarão breve e inútil contra o frio que se aproximava. Minha mente era um turbilhão de confusão e traição.

"Deixe-a descansar, Carla", disse Bruno, sua voz suavizando ao se virar para ela. Ele colocou um braço protetor em volta do ombro dela. "Ela só está sendo um pouco dramática. É só um cobertor, pelo amor de Deus. Não é como se fosse a diferença entre a vida e a morte."

Ele olhou para mim, sua expressão de fria indiferença. Ele viu minha mochila de equipamentos rasgada, a que eu havia procurado desesperadamente. Ele viu que meus aquecedores de reserva padrão também haviam sumido. Ele sabia. Ele sabia que tinha tirado tudo.

"Você é uma montanhista experiente, Alex", disse ele, a voz pingando condescendência. "Você vai ficar bem assim que se mexer um pouco. Pare de ser tão frágil."

Eu estava morrendo. Ele estava me deixando aqui para morrer. A percepção não foi um pensamento, foi uma certeza que se instalou profundamente em meus ossos congelados.

"Você está... me deixando?", gaguejei, as palavras quase inaudíveis.

"Vamos para a barraca principal para coordenar com o resto da equipe", disse ele com desdém. "Você é uma especialista. Cave um abrigo na neve ou algo assim se estiver com tanto frio. Pare de fazer cena."

Carla interveio, sua voz tingida de falsa preocupação. "Há algo que possamos fazer, Alex? Você parece tão... pálida."

Com uma última e desesperada onda de força, eu me lancei em direção ao cobertor, pela minha vida. Meus dedos roçaram o tecido.

"Sai!", Bruno me empurrou, com força. Não um empurrãozinho, mas um empurrão violento com as duas mãos.

Minha cabeça bateu para trás e atingiu o chão congelado com um baque surdo. Estrelas explodiram atrás dos meus olhos, misturando-se com a escuridão que se aproximava.

"Bruno!", Carla gritou, mas era uma atuação. Eu podia ouvir o suspiro teatral, o choque fingido. "Ela tentou me atacar!"

"Alex, qual é o seu problema?", Bruno rugiu, de pé sobre mim, o rosto contorcido de raiva. "Ela é uma estagiária! Você é a engenheira líder! Tenha um pingo de profissionalismo!"

Eu não conseguia responder. O mundo estava inclinando, girando para longe de mim. A raiva, a traição, o frio congelante — tudo estava desmoronando em um único ponto de dor insuportável.

Através do uivo da nevasca, ouvi a voz de Bruno, distante e abafada, como se viesse do fim de um longo túnel. "Cansei. Estou farto desse ciúme e drama."

A última coisa que vi antes que a escuridão me consumisse foi o rosto de Carla, suas lágrimas falsas captando a luz azul do meu cobertor enquanto ela sorria para mim. Era um sorriso de puro triunfo.

Então, um som de rasgo. Um rasgo metálico e agudo bem ao lado do meu ouvido. Era o som de um piolete perfurando o GORE-TEX. Era o som da minha última camada de proteção sendo destruída.

"Bruno, ela enlouqueceu!", Carla gritou. "Ela está destruindo o próprio traje!"

Foi a última mentira que ouvi antes que o mundo ficasse preto.

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