
O Milionário Que Encontrou a Filha Perdida
Capítulo 2
No dia do meu aniversário de casamento, o meu marido, Pedro, estava a celebrar o aniversário de outra mulher.
Essa mulher era a sua ex-namorada, a Sofia.
Eu liguei-lhe. O telefone tocou durante muito tempo antes de ele finalmente atender.
A sua voz estava cheia de impaciência.
"O que foi? Não te disse que estou ocupado?"
Ao fundo, ouvi a voz suave da Sofia.
"Pedro, quem é? Se for trabalho, não precisas de te apressar. Podes comer o bolo primeiro."
Depois ouvi a voz da minha sogra, a rir.
"Sofia, és tão atenciosa. O Pedro tem sorte em ter-te. Corta o bolo, corta o bolo. Vamos cantar os parabéns."
O som alegre de "Parabéns a Você" chegou através do telefone, fazendo-me sentir como uma completa idiota.
"Pedro," a minha voz estava calma, talvez demasiado calma. "A nossa filha, a Lara, está com febre alta. O médico disse que pode ser pneumonia. Precisamos de a internar."
Houve um silêncio do outro lado, seguido pela voz irritada do Pedro.
"Porque é que me estás a ligar por uma coisa tão pequena? Não podes tratar disso sozinha? A Sofia está doente, ela precisa que eu cuide dela. É só uma febre, leva-a ao hospital e já está!"
"Doente?", perguntei, sentindo um nó na garganta. "Ela não está a celebrar o aniversário dela?"
"É o aniversário dela, mas ela também está doente! Ela está fraca desde pequena. Não sejas tão insensível, Ana. A Lara é a tua filha, tens de aprender a ser uma mãe independente."
Ele desligou o telefone.
Sem me dar tempo para reagir.
Olhei para a minha filha de três anos nos meus braços. O seu rosto estava vermelho, a sua respiração era rápida e o seu pequeno corpo tremia.
Senti o meu coração apertar.
Independente?
Desde que a Lara nasceu, eu tenho sido independente. Ele alguma vez se importou? Ele alguma vez perguntou?
Peguei no telefone e enviei uma mensagem ao Pedro.
"Pedro, vamos divorciar-nos."
Desta vez, a resposta dele foi rápida, quase instantânea.
"Estás louca? Divórcio por causa disto? A Lara é tão pequena, queres que ela cresça sem pai? Deixa de ser egoísta."
Egoísta? Eu?
Sorri amargamente. Sim, eu era egoísta. Eu queria que a minha filha tivesse um pai que a amasse, não um que só se lembrasse da sua existência quando lhe convinha.
A sua mensagem seguinte chegou.
"A Sofia precisa de mim agora. Para de criar problemas. Falamos quando eu voltar."
Quando ele voltaria? Ele não voltava a casa há uma semana.
Apaguei a mensagem e bloqueei o seu número.
Não havia mais nada a dizer.
A cola que me prendia a ele não era o amor, era a ilusão de uma família completa para a minha filha.
Agora, a ilusão desfez-se.
O Pedro não se importava com a Lara. Ele não se importava comigo. Ele só se importava com a Sofia.
Sempre foi a Sofia.
Quando nos casámos, ele disse que tinha acabado com ela. Eu acreditei nele.
Que tola.
A febre da Lara não baixava. O médico veio com uma expressão séria e disse que a situação era crítica, que ela precisava de ser transferida para a unidade de cuidados intensivos pediátricos.
O meu mundo desabou.
Enquanto assinava os papéis, as minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurar a caneta.
O telefone da enfermaria tocou. Era a minha sogra.
"Ana! O que se passa contigo? Porque é que o Pedro não consegue contactar-te? Estás a tentar irritá-lo de propósito no aniversário da Sofia? Sabes o quão frágil ela é! És tão mesquinha!"
A sua voz era estridente e cheia de acusações.
"A Lara está na UCI."
Disse apenas estas palavras e desliguei. Não tinha energia para discutir.
Todo o meu ser estava focado na pequena figura atrás do vidro da UCI.
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